
Se você só tem o feriado de Tiradentes, nesta terça-feira, 21 de abril, para ir ao cinema, não faltam bons filmes nas salas de Porto Alegre. Aliás, quatro entraram na minha lista dos 13 melhores de 2026 até agora.
O quinto título que recomendo é Michael (2026), a cinebiografia de Michael Jackson, que tem sessões de pré-estreia a partir desta terça.
A ordem da seleção abaixo é apenas alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Cinco Tipos de Medo (2025)

De Bruno Bini. Foi o grande ganhador do Festival de Gramado em 2025, com quatro Kikitos: melhor filme, ator coadjuvante (o rapper Xamã), roteiro e montagem. Uma narração em off na abertura deste suspense ambientado em Cuiabá lista cinco grandes medos: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro e de morrer. Cada um deles é ilustrado por uma brevíssima cena que mostra os cinco personagens principais.
Marlene (Bella Campos) é uma enfermeira que ficou desempregada após a pandemia de covid-19. Sapinho (Xamã) chefia o tráfico de drogas no Jardim Novo Colorado. A policial Luciana (Bárbara Colen) é capitã do Bope. Ivan (Rui Ricardo Diaz) é um advogado que tem uma filha prematura ainda internada no hospital, e Murilo (João Vitor Silva), um jovem violinista Murilo.
O ponto de partida de Cinco Tipos de Medo é um ataque a tiros à casa de Murilo. A partir daí, o diretor, roteirista e montador Bruno Bini faz pequenos recuos no tempo narrativo e revisita cenas para mostrar como as cinco trajetórias se conectam, se cruzam e se chocam, emparedando seus personagens com dilemas morais, refletindo sobre como a violência urbana contamina e ilustrando nossa busca por redenção em meio à dor. (Em cartaz no GNC Praia de Belas, às 14h30min, e na Sala Paulo Amorim, às 15h)
2) A Cronologia da Água (2025)

De Kristen Stewart. Nasce uma grande diretora. No primeiro longa-metragem atrás das câmeras, a atriz californiana adapta o homônimo livro de memórias da escritora estadunidense Lidia Yuknavitch, ainda inédito no Brasil. Lidia é encarnada por Imogen Poots. A personagem e sua irmã mais velha sofriam abuso sexual do próprio pai na infância e na adolescência, sob a conivência alcoolizada da mãe.
A protagonista encontra na natação uma forma de sobreviver e, quem sabe, de escapar do jugo paterno. Mas seus sonhos olímpicos são interrompidos quando ela se afunda no álcool e nas drogas. Então, Lidia troca a piscina pelo papel: escrever sobre suas experiências se torna uma forma de lidar com seu trauma, reorganizar o caos, dar sentido à dor e recuperar o direito ao desejo.
Stewart foi muito fiel à literatura de Yuknavitch ao mesmo tempo em que explorou todo o potencial do cinema. A cineasta abre mão da linearidade e aposta em uma estrutura fragmentada para retratar os vaivéns da memória e lembrar que o tempo nunca dilui por completo um trauma: o passado está sempre à espreita, pronto para reabrir cicatrizes em momentos futuros. Imogen Poots se entrega ao papel, e toda a variedade de suas emoções é vista muito de perto: A Cronologia da Água investe bastante em closes do rosto da atriz. A filmagem com película de 16 milímetros empresta textura às imagens, ampliando o caráter tátil. (Em cartaz na Sala Norberto Lubisco, às 19h)
3) Devoradores de Estrelas (2026)

De Phil Lord e Christopher Miller. Sucesso de bilheteria e já cotada para o Oscar de 2027, a adaptação do romance escrito por Andy Weir traz Ryan Gosling no papel de Ryland Grace, sujeito que acorda de um coma dentro de uma nave espacial. Ele está cabeludo, barbudo, inerte e desmemoriado. Aos poucos, percebe que está em outro sistema planetário, lembra que era um professor de Ciências em um colégio do Ensino Fundamental e descobre ser o único sobrevivente de uma missão crucial para salvar a Terra de uma ameaça cósmica que está consumindo a energia do Sol.
A narrativa, então, passa a alternar o presente e o passado enquanto o personagem vai montando um quebra-cabeças formado por fragmentos de sua memória. Grace foi recrutado pela agente Eva Stratt (personagem de Sandra Hüller) devido a seus conhecimentos sobre biologia molecular.
As duas horas e meia de duração não cansam graças às idas e vindas no tempo e à mistura equilibrada dos elementos de ficção científica, aventura, suspense, drama e até — ou principalmente — comédia. Gosling empresta seu carisma a diálogos bem-humorados que incluem referências ao clássico Rocky (1976) e embalam a formação de uma bela e pétrea amizade que supera diferenças — há uma mensagem otimista em Devoradores de Estrelas, um convite à aproximação com o outro, a aprender e a cooperar com o outro. Mas é Hüller quem acaba roubando a cena ao cantar Sign of the Times (2017), de Harry Styles, em um karaokê. (Sessões dubladas no Cineflix Total, Cinemark Ipiranga, Cinemark Wallig, Cinépolis João Pessoa, GNC Iguatemi e GNC Praia de Belas; sessões legendadas no Cineflix Total, Cinemark Barra, Cinemark Wallig, Cinépolis Carlos Gomes, Cinesystem Bourbon Country, GNC Iguatemi e GNC Praia de Belas)
4) O Drama (2026)

De Kristoffer Borgli. Na trama, Zendaya interpreta Emma, e Robert Pattinson faz o papel de Charlie. Quando o filme começa, eles estão na semana dos últimos preparativos para o casamento. Cada um está escrevendo e compartilhando com os amigos o que vai dizer na cerimônia. Charlie, por exemplo, afirma adorar como Emma transforma os dramas dele em comédia.
Parece que estamos diante de uma comédia romântica como qualquer outra, mas quem já viu o trailer sabe que alguma coisa balançou o relacionamento, a ponto de o casal não conseguir sorrir com naturalidade durante uma sessão de fotos. E quem conhece o diretor e roteirista sabe que esse filme não vai ser uma simples comédia romântica.
O norueguês Kristoffer Borgli é o mesmo cineasta de Doente de Mim Mesma (2022) e de O Homem dos Sonhos (2023). Pode-se enxergar em O Drama características dos dois títulos anteriores, como as cenas que embaralham o real e o imaginado, o tema da cultura do cancelamento e o clima de constante desconforto. A certa altura, Emma inverte a mão: transforma uma comédia em drama ao responder qual foi a pior coisa que já fez na vida. E então faz surgir um elefante enorme no meio da sala. (Sessões dubladas no Cineflix Total, Cinemark Ipiranga, Cinépolis João Pessoa, GNC Iguatemi e GNC Praia de Belas; sessões legendadas no Cinemark Barra, Cinemark Wallig, Cinépolis Carlos Gomes, Cinesystem Bourbon Country, GNC Iguatemi, GNC Moinhos e GNC Praia de Belas)
5) Michael (2026)

De Antoine Fuqua. É a cinebiografia de Michael Jackson (1958-2009), o Rei do Pop, encarnado por um sobrinho do cantor, Jaafar Jackson. O filme reconstitui a trajetória de Michael desde 1966, quando ele e seus irmãos formaram o grupo Jackson Five, comandado tiranicamente pelo pai, Joe Jackson (papel de Colman Domingo), até o final dos anos 1980. A expectativa é de que haja uma segunda parte.
Por causa do embargo assinado junto à distribuidora de Michael, a Universal, minha crítica sobre o filme só pode ser publicada a partir das 10h desta terça-feira, dia em que ocorrem as primeiras sessões de pré-estreia abertas ao público. Se você é fã, trata-se de um programa imperdível. (Sessões dubladas no Cineflix Total, Cinemark Barra, Cinemark Ipiranga, Cinemark Wallig, Cinesystem Bourbon Country, GNC Iguatemi e Moviecine Lindóia; sessões legendadas no Cineflix Total, Cinemark Barra, Cinemark Wallig, Cinesystem Bourbon Country, GNC Iguatemi, GNC Moinhos e GNC Praia de Belas)
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