
Fechamos nesta sexta-feira, 10 de abril, os primeiros cem dias do ano. O número redondo convida a fazer a primeira lista dos melhores filmes de 2026.
A regra é clara: só valem títulos que estrearam comercialmente no Brasil, no cinema ou no streaming, a partir de 1º de janeiro. Por isso, aparecem obras lançadas originalmente em 2025 no Exterior ou que foram exibidas pela primeira vez em festivais do ano passado.
E o critério foi o afetivo: entraram os filmes que realmente me conquistaram, independentemente dos prêmios recebidos, do sucesso de bilheteria, das polêmicas provocadas ou da aclamação por outros críticos.
A ordem é puramente alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) 53 Domingos (2026)

De Cesc Gay. Esta comédia dramática é a adaptação de uma peça escrita pelo próprio cineasta espanhol. No papel de Carolina, a atriz Alexandra Jiménez funciona como guia do espectador, bússola moral e uma observadora mais ou menos distante: a personagem namora há cinco anos um dos três irmãos de uma família que não consegue acertar os ponteiros. Aliás, o trio falha sucessivamente nas tentativas de se reunir para decidir o destino do pai, que tem 86 anos e mora sozinho, mas já começou a apresentar sinais de senilidade.
O namorado de Carolina é Julián (interpretado por Javier Cámara), um ator que atravessa uma crise profissional: seus últimos testes têm sido só para comerciais de TV. Por isso, é menosprezado por Víctor (Javier Gutiérrez), o irmão que é rico, mas por causa da esposa — o caçula caçoa do mano mais velho, dizendo que ele trabalha de chofer do sogro. E Natalia (Carmen Machi) é a irmã certinha que busca promover a diplomacia no seio familiar.
Os diálogos, os gestos e os olhares revelam atritos e mágoas, sem, no entanto, a explosão cômica ou dramática que se poderia imaginar. É um acerto de 53 Domingos: não aposta em uma trama mirabolante ou em viradas desconcertantes, mas nas coisas comezinhas, no cotidiano com o qual muitas famílias devem se identificar, como as relações calcadas no escárnio, na inveja ou na mentira e o jogo de empurra-empurra das responsabilidades. (Netflix)
2) Ato Noturno (2025)

De Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Rodado em Porto Alegre, este suspense erótico remete ao cinema de Brian De Palma e conquistou quatro troféus no Festival do Rio: melhor ator (Gabriel Faryas), roteiro, fotografia e o prêmio Félix, destinado a produções LGBTQIA+.
Os personagens principais de Ato Noturno são um ator e um político que vivem um caso em sigilo enquanto buscam ascender em suas carreiras. Matias, que recém estreou um espetáculo teatral no qual divide cenas com seu colega de apartamento, Fábio (Henrique Barreira), persegue a oportunidade de estrelar uma grande série que vai ser gravada em Porto Alegre. Rafael (encarnado por Cirillo Luna), apoiado por empresários e escudado pelo chefe de segurança, Camilo (Ivo Müller), é candidato a prefeito e vem subindo nas pesquisas eleitorais.
Matias e Rafael precisam ser discretos, mas há um elemento extra e explosivo de tensão: o tesão pelo sexo em lugares públicos de Porto Alegre. Pode ser no Parque da Redenção, por exemplo, ou em um morro da cidade. As cenas combinam sedução e ameaça, características realçadas pela direção de fotografia de Luciana Baseggio, pela montagem de Germano de Oliveira e pela trilha sonora. (Para aluguel em Apple TV, Google Play e YouTube)
3) Blue Moon: Música e Solidão (2025)

De Richard Linklater. Indicado ao Oscar de melhor ator, Ethan Hawke interpreta Lorenz Hart (1895-1943), um famoso letrista da Broadway, onde manteve uma parceria de 25 anos com o compositor Richard Rodgers (1902-1979). Juntos, eles criaram sucessos como a própria Blue Moon e My Funny Valentine.
Concorrente ao Oscar também na categoria de roteiro original, Blue Moon se passa na noite de 31 de março de 1943 e é quase todo ambientado dentro de um restaurante de Nova York, o Sardi's. É lá, junto ao bartender vivido por Bobby Cannavale, que Hart vai afogar as mágoas depois de assistir à estreia do novo musical do seu antigo parceiro, Oklahoma!, agora com um novo letrista, Oscar Hammerstein II (1895-1960).
Por meio de diálogos imaginados que misturam ironia e melancolia, o protagonista exibe tanto o seu egocentrismo e a sua arrogância quanto sua solidão e suas inseguranças. Além de ter um sério problema com a bebida, Lorenz Hart sofria por causa da sua sexualidade. Talvez fingisse pra ele mesmo que não era gay, e daí fantasiava sobre a possibilidade de um romance com uma garota de 20 anos, Elizabeth Weiland, papel de Margaret Qualley. (Para aluguel em Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play e YouTube)
4) Cinco Tipos de Medo (2025)

De Bruno Bini. Foi o grande ganhador do Festival de Gramado em 2025, com quatro Kikitos: melhor filme, ator coadjuvante (o rapper Xamã), roteiro e montagem. Uma narração em off na abertura deste suspense ambientado em Cuiabá lista cinco grandes medos: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro e de morrer. Cada um deles é ilustrado por uma brevíssima cena que mostra os cinco personagens principais.
Marlene (Bella Campos) é uma enfermeira que ficou desempregada após a pandemia de covid-19. Sapinho (Xamã) chefia o tráfico de drogas no Jardim Novo Colorado. A policial Luciana (Bárbara Colen) é capitã do Bope. Ivan (Rui Ricardo Diaz) é um advogado que tem uma filha prematura ainda internada no hospital, e Murilo (João Vitor Silva), um jovem violinista Murilo.
O ponto de partida de Cinco Tipos de Medo é um ataque a tiros à casa de Murilo. A partir daí, o diretor, roteirista e montador Bruno Bini faz pequenos recuos no tempo narrativo e revisita cenas para mostrar como as cinco trajetórias se conectam, se cruzam e se chocam, emparedando seus personagens com dilemas morais, refletindo sobre como a violência urbana contamina e ilustrando nossa busca por redenção em meio à dor. (Em cartaz nos cinemas)
5) A Cronologia da Água (2025)

De Kristen Stewart. Nasce uma grande diretora. No primeiro longa-metragem atrás das câmeras, a atriz californiana adapta o homônimo livro de memórias da escritora estadunidense Lidia Yuknavitch, ainda inédito no Brasil. Lidia é encarnada por Imogen Poots. A personagem e sua irmã mais velha sofriam abuso sexual do próprio pai na infância e na adolescência, sob a conivência alcoolizada da mãe.
A protagonista encontra na natação uma forma de sobreviver e, quem sabe, de escapar do jugo paterno. Mas seus sonhos olímpicos são interrompidos quando ela se afunda no álcool e nas drogas. Então, Lidia troca a piscina pelo papel: escrever sobre suas experiências se torna uma forma de lidar com seu trauma, reorganizar o caos, dar sentido à dor e recuperar o direito ao desejo.
Stewart foi muito fiel à literatura de Yuknavitch ao mesmo tempo em que explorou todo o potencial do cinema. A cineasta abre mão da linearidade e aposta em uma estrutura fragmentada para retratar os vaivéns da memória e lembrar que o tempo nunca dilui por completo um trauma: o passado está sempre à espreita, pronto para reabrir cicatrizes em momentos futuros. Imogen Poots se entrega ao papel, e toda a variedade de suas emoções é vista muito de perto: A Cronologia da Água investe bastante em closes do rosto da atriz. A filmagem com película de 16 milímetros empresta textura às imagens, ampliando o caráter tátil. (Em cartaz na Sala Paulo Amorim, com sessões às 15h)
6) (Des)controle (2025)

De Rosane Svartman e Carol Minêm. Em poderosa atuação, Carolina Dieckmmann interpreta Katia Klein, autora de uma bem-sucedida série de livros infantojuvenis. A escritora atravessa uma turbulência. A editora pressiona pela entrega do novo volume, atrasado por causa de um bloqueio criativo. Em casa, o casamento com Zeca (Caco Ciocler) não vai bem. Aliás, enquanto ele pratica ioga em meio ao caos doméstico e quer fazer uma viagem romântica com a esposa, ela só pensa na lista de tarefas a cumprir.
Essa lista inclui cuidar dos filhos adolescentes, providenciar o Bar Mitzvah do caçula e lidar com os pais, Levi (Daniel Filho) e Esther (Irene Ravache). Katia sente a sobrecarga característica das mulheres que conciliam a vida familiar com a carreira profissional. Assim, seus 15 anos de sobriedade, um orgulho regado a muitas latas de Coca Zero, estão à beira de um abismo. Qualquer lugar pode se revelar uma cilada, qualquer coisa pode ser gatilho. A recaída é uma questão de tempo.
O contexto sugere um dramalhão, mas (Des)controle é bastante parcimonioso no emprego da música para induzir a emoção do espectador. As diretoras deixam as cenas respirarem, dando voz também ao som ambiente. E o filme se permite momentos leves, até engraçados. Mas não se engane: embora não seja amargo como os oscarizados Farrapo Humano (1945) e Despedida em Las Vegas (1995), o título brasileiro também retrata uma jornada de autodestruição guiada pela dependência do álcool. Ao sucumbir à primeira tacinha de vinho, Katia firma uma espécie de pacto com o diabo. (Em cartaz no Cinesystem do Bourbon Country, com sessões às 12h45min, e disponível no Telecine a partir desta sexta-feira, 10/4)
7) Devoradores de Estrelas (2026)

De Phil Lord e Christopher Miller. Sucesso de bilheteria e já cotada para o Oscar de 2027, a adaptação do romance escrito por Andy Weir traz Ryan Gosling no papel de Ryland Grace, sujeito que acorda de um coma dentro de uma nave espacial. Ele está cabeludo, barbudo, inerte e desmemoriado. Aos poucos, percebe que está em outro sistema planetário, lembra que era um professor de Ciências em um colégio do Ensino Fundamental e descobre ser o único sobrevivente de uma missão crucial para salvar a Terra de uma ameaça cósmica que está consumindo a energia do Sol.
A narrativa, então, passa a alternar o presente e o passado enquanto o personagem vai montando um quebra-cabeças formado por fragmentos de sua memória. Grace foi recrutado pela agente Eva Stratt (personagem de Sandra Hüller) devido a seus conhecimentos sobre biologia molecular.
As duas horas e meia de duração não cansam graças às idas e vindas no tempo e à mistura equilibrada dos elementos de ficção científica, aventura, suspense, drama e até — ou principalmente — comédia. Gosling empresta seu carisma a diálogos bem-humorados que incluem referências ao clássico Rocky (1976) e embalam a formação de uma bela e pétrea amizade que supera diferenças — há uma mensagem otimista em Devoradores de Estrelas, um convite à aproximação com o outro, a aprender e a cooperar com o outro. Mas é Hüller quem acaba roubando a cena ao cantar Sign of the Times (2017), de Harry Styles, em um karaokê. (Em cartaz nos cinemas)
8) O Drama (2026)

De Kristoffer Borgli. Na trama, Zendaya interpreta Emma, e Robert Pattinson faz o papel de Charlie. Quando o filme começa, eles estão na semana dos últimos preparativos para o casamento. Cada um está escrevendo e compartilhando com os amigos o que vai dizer na cerimônia. Charlie, por exemplo, afirma adorar como Emma transforma os dramas dele em comédia.
Parece que estamos diante de uma comédia romântica como qualquer outra, mas quem já viu o trailer sabe que alguma coisa balançou o relacionamento, a ponto de o casal não conseguir sorrir com naturalidade durante uma sessão de fotos. E quem conhece o diretor e roteirista sabe que esse filme não vai ser uma simples comédia romântica.
O norueguês Kristoffer Borgli é o mesmo cineasta de Doente de Mim Mesma (2022) e de O Homem dos Sonhos (2023). Pode-se enxergar em O Drama características dos dois títulos anteriores, como as cenas que embaralham o real e o imaginado, o tema da cultura do cancelamento e o clima de constante desconforto. A certa altura, Emma inverte a mão: transforma uma comédia em drama ao responder qual foi a pior coisa que já fez na vida. E então faz surgir um elefante enorme no meio da sala. (Em cartaz nos cinemas)
9) Extermínio: O Templo dos Ossos (2026)

De Nia daCosta. É a continuação direta de Extermínio: A Evolução (2025), que, por sua vez, é a sequência oficial de Extermínio (2002). Depois de ser salvo dos zumbis pelo grupo liderado por Jimmy Crystal, o menino Spike (papel de Alfie Williams) descobre que o personagem não é um dos mocinhos da história, mas outro vilão deliciosamente interpretado por Jack O'Connell (o vampiro Remmick de Pecadores). Trata-se de um satanista que diz ser filho do Diabo e que criou uma espécie de religião para exercer o poder e cometer barbaridades.
Se Jimmy Crystal, em nome de seu "deus", prega a brutalidade sangrenta e exige sacrifícios humanos, o médico Ian Kelson (Ralph Fiennes, em atuação magnetizante) é um ateu que usa os conhecimentos científicos para dar um senso de ordem no caos. Mais do que isso: tenta estabelecer uma ponte com os infectados, quem sabe um diálogo. Graças a seus dardos tranquilizantes, o personagem permite-se aproximar do zumbi Alfa encarnado por Chi Lewis-Parry. Se Jimmy é o ódio e a punição, Kelson é a esperança e a fraternidade.
Embalado por canções do Duran Duran, do Iron Maiden e do Radiohead, Extermínio: O Templo dos Ossos alterna momentos de pavor com sequências bucólicas e oferece um punhado de personagens com os quais nos conectamos e nos importamos. E todos nos brindam com o que o cineasta Martin Scorsese chama de risco emocional, ou seja, o perigo genuíno e a incerteza sobre o que vem pela frente. (HBO Max)
10) Marty Supreme (2025)

De Josh Safdie. Perdeu as nove categorias que disputava no Oscar, mas e daí? Esta alucinada comédia dramática se passa nos anos 1950, mas a trilha sonora inclui bandas dos 1980, como New Order e Tears for Fears. A trama é livremente inspirada na trajetória de Marty Reisman (1930-2012), um campeão do tênis de mesa.
O charme natural de Timothée Chalamet provoca um contraste bem-vindo com os traços psicológicos de seu desprezível personagem, chamado de Marty Mauser em Marty Supreme: ele é egoísta, narcisista, ambicioso, inescrupuloso, inconsequente, trapaceiro. Não tem pudores para mentir, roubar, trair ou proferir piadas sobre a tragédia nos campos de concentração nazistas — "Eu sou judeu, posso falar", defende-se.
Marty trabalha como vendedor de sapatos na loja do seu tio Murray, em Nova York, enquanto também compete profissionalmente como jogador de pingue-pongue. O sonho do protagonista é o sonho americano: tornar-se o número 1 — porque a alternativa é ser um fracasso na vida. Para tanto, vale tudo. A jornada inclui coadjuvantes como um mesatenista sobrevivente do Holocausto, um craque japonês que é surdo, uma ex-estrela de Hollywood (papel de Gwyneth Paltrow) que busca retomar o prestígio artístico após se casar com um empresário milionário, uma mulher casada que tem um caso com Marty e um gângster encarnado pelo veterano cineasta Abel Ferrara. Os caminhos de todos podem se cruzar em uma montanha-russa cheia de acidentes, desvios e becos sem saída que Josh Safdie pilota com maestria. Eis um diretor que é senhor absoluto do caos. (Para aluguel em Amazon Prime Video, Google Play e YouTube)
11) Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria (2025)

De Mary Bronstein. O filme mescla comédia amarga, toques de terror e clima sufocante. Sentimos claustrofobia desde a primeira cena, que consiste em um close no rosto da protagonista, uma psicóloga chamada Linda. A câmera fica mais de dois minutos concentrada nas expressões da atriz Rose Byrne, que competiu no Oscar e foi premiada no Festival de Berlim e no Globo de Ouro. A diretora e roteirista quer que o público sinta literalmente na pele a rotina infernal de uma mulher e uma mãe que está sempre exausta, sempre frustrada, sempre no limite, sempre à beira de um colapso.
Ora ela precisa lidar com o tratamento do raro e complicado transtorno alimentar que a sua filha tem; ora ela sente a ausência do marido, que fica muitos dias longe de casa por causa do trabalho; ora o problema é um enorme vazamento que fez desabar o teto do apartamento onde moram; ora Linda se vê na obrigação de procurar uma paciente que desapareceu.
Todos esses problemas vão se acumulando, mas a personagem, mesmo sem o marido por perto, sem muita ajuda do próprio psiquiatra (Conan O'Brien) e sendo cobrada o tempo todo, precisa dar conta de tudo. Nem sempre, ou talvez quase nunca, ela vai conseguir, mas Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria nunca cai no dramalhão. Há sempre um elemento de comédia, mesmo que bizarra ou mórbida. E Rose Byrne nunca resvala para o melodramático. Com o rosto sempre vigiado pela câmera, a atriz equilibra nervosismo, impulsividade, impaciência, vulnerabilidade. (Telecine)
12) Sirât (2025)

De Oliver Laxe. Representou a Espanha no Oscar internacional e também competiu na categoria de melhor som. Sirât acompanha a busca de um pai, Luis (papel de Sergi López), por sua filha, que está desaparecida há alguns meses. Acompanhado pelo filho caçula, Estebán, ele chega a uma rave — uma festa ao ar livre com música eletrônica — no sul do Marrocos. Os dois vão empreender uma jornada angustiante pelo deserto do Saara, em meio a um contexto de guerra e tendo ao lado um grupo de festeiros — aliás, o filme valoriza bastante o caráter catártico da dança e seu poder de autoconexão e conexão com os outros.
Para quem vai assistir ao filme no streaming, há três requisitos básicos. O primeiro é não saber mais nada sobre a trama. O segundo é tentar simular a experiência imersiva de uma sala de cinema: apague as luzes, desligue o celular, se concentre. O terceiro é estar preparado para uma obra bastante sensorial e chocante — por isso, pode ser enquadrada no tipo ame ou odeie.
Eu não estava nem um pouco pronto para assistir a esse purgatório na Terra. Fiquei profundamente abalado, mas acho que Sirât vai além do choque. O filme consegue falar sobre a barbárie e o niilismo do mundo contemporâneo, mas também sobre como, de alguma forma, a humanidade segue criando vínculos; sobre como a gente precisa de uns dos outros, sobretudo nas horas ruins. Existe um horizonte. Tem de existir um horizonte. (Estreia no Telecine no dia 28/4)
13) A Voz de Hind Rajab (2025)

De Kaouther Ben Hania. Cortam como faca os pedidos de socorro feitos ao telefone por uma menina palestina de cinco anos que se torna a única sobrevivente da saraivada de tiros disparada pelo exército israelense contra o carro de uma família que fugia da Faixa de Gaza. "Venham me buscar." "Me salvem." "Eu estou morrendo."
A cineasta tunisiana reconstitui essa história devastadora e de burocracia kafkiana em A Voz de Hind Rajab, que mereceu o Grande Prêmio do Júri e 22 minutos de aplauso no Festival de Veneza e disputou o Oscar internacional. A trama se passa dentro das salas de atendimento de emergência da organização humanitária Sociedade do Crescente Vermelho Palestino. A ação se concentra nos telefonemas dos voluntários (interpretados por atores como Motaz Malhees e Saja Kilani) com a menina Hind Rajab (que só é vista em fotos ou ouvida nas ligações gravadas), seus familiares, paramédicos e algumas autoridades palestinas.
A concatenação entre a ficcionalização e o documental é extremamente bem-feita do ponto de vista técnico e amplia o impacto emocional do filme. Sobretudo quando a diretora lança mão de um recurso desconcertante: por vezes, os atores emudecem ou desaparecem de cena, dando lugar à voz ou à imagem, por meio da tela de um celular, dos verdadeiros voluntários. A aflição, a revolta e a dor são ainda mais palpáveis para o espectador. (Canal Filmelier+ do Amazon Prime Video)
Bônus: Kill Bill: The Whole Bloody Affair (2025)

De Quentin Tarantino. Não poderia deixar de destacar o lançamento nos cinemas brasileiros da reedição especial, com uma sequência inédita em estilo anime e um curta-metragem após os créditos de encerramento, de Kill Bill: Vol. 1 (2003) e Kill Bill: Vol. 2 (2004), filmes que sempre foram considerados como um só por seu diretor e roteirista. Foi uma experiência sensacional rever na tela grande a saga de vingança da Noiva, personagem que imortalizou a atriz Uma Thurman entre os fãs do gênero de ação. (Ainda sem previsão de estreia no streaming)
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