
A HBO Max adicionou nesta sexta-feira (10) ao seu menu Conclave (2024), filme que, por uma ironia do destino, estava em campanha para o Oscar na mesma época em que o papa Francisco adoeceu.
Depois da morte do pontífice da Igreja Católica, e do início do processo de escolha de seu sucessor, muita gente quis saber o que correspondia à realidade na ficção sobre uma eleição no Vaticano.
Dirigido por Edward Berger, o mesmo de Nada de Novo no Front (2022), Conclave é baseado no romance homônimo publicado em 2016 por Robert Harris.
No Oscar, ganhou o prêmio de roteiro adaptado e disputou outras sete categorias, incluindo melhor filme, ator (Ralph Fiennes) e atriz coadjuvante (Isabella Rossellini).
O filme, que pode ser definido como um thriller de conspiração, começa com a morte por infarto, durante o sono, de um papa fictício. Cabe ao cardeal inglês Lawrence, o camerlengo do Vaticano, vivido por Ralph Fiennes, organizar a sucessão. (Clique aqui se quiser saber mais sobre a trama.)
O que é real e o que é pura ficção no filme?
O procedimento do conclave

Conclave é fiel ao representar o processo que isola os cardeais do resto do mundo, incluindo o confisco dos celulares. Os religiosos realmente se reúnem na Capela Sistina para a eleição, na qual devem escrever o nome do seu escolhido em uma cédula de papel, que é depois colocada em uma bandeja de prata e depositada em uma urna. Ganha o candidato que obtiver dois terços dos votos.
Após a apuração, todas as cédulas são queimadas e misturadas a substâncias químicas — se não houver um vencedor, será preta a fumaça expelida pela Capela Sistina, único "boletim informativo" sobre a eleição para o público e a imprensa. A votação continua dia a após dia até que um papa seja eleito. Só então será branca a fumaça.
Uma liberdade artística do filme foi apontada pelo professor de história Piotr H. Kosicki, da Universidade de Maryland, ao jornal The New York Times: todos os rituais no Vaticano são praticados "em italiano ou latim. Ponto".
Cardeal "in pectore"

No filme, um cardeal secreto aparece no conclave. Na vida real, isso só seria possível se o papa tivesse revelado seu nome antes de morrer — o que não ocorre na trama.
Um Vaticano de mentirinha

Nenhuma das cenas de Conclave foi filmada no Vaticano. "Não se pode filmar no Vaticano, nunca", disse o roteirista Peter Straughan. Nos estúdios Cinecittà, em Roma, foram construídas réplicas dos cenários, como a Casa Santa Marta, que, em quartos austeros, hospeda cardeais de várias nacionalidades, e a Capela Sistina.
Câmaras, escadarias e corredores de prédios antigos da capital italiana também serviram de "dublês". E o famoso teto pintado por Michelangelo na Capela Sistina é uma versão gerada por computação gráfica.
As tensões políticas na Igreja

Como se percebe ao analisar o perfil dos principais candidatos à sucessão do papa Francisco, Conclave acerta ao retratar tensões políticas e divisões ideológicas na Igreja Católica. Na ficção, os quatro cardeais favoritos se dividem entre globalistas e isolacionistas, entre liberais e conservadores.
O estadunidense Aldo Bellini (Stanley Tucci) era o secretário de Estado do finado Papa e tem mente aberta para questões como o casamento gay e o papel das mulheres na Igreja.
O canadense Tremblay (John Lithgow), um moderado, foi um dos últimos a se encontrar com o sumo pontífice — qual teria sido o teor da conversa?
O nigeriano Adeyemi (Lucian Msamati), um retrógrado que deseja ser o primeiro africano no cargo, também pode estar escondendo algo.
Já o italiano Tedesco (Sergio Castellitto) joga às claras: é um tradicionalista convicto e um reacionário inflamado — chega a bradar por uma guerra religiosa contra o Islamismo.
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