
Maldição da Múmia (The Mummy, 2026), que estreou nos cinemas nesta quinta-feira (16), ressuscita outra vez um dos monstros clássicos dos filmes de terror produzidos pelo estúdio Universal nas décadas de 1930 e 1940. Volta e meia essa criatura é retirada do sarcófago, como nas exitosas aventuras estreladas por Brendan Fraser e Rachel Weisz, em 1999 e em 2001, e na malsucedida tentativa de iniciar uma franquia com Tom Cruise, em 2017.
E esta também é mais uma produção hollywoodiana que firma a África ou a Ásia como berço dos males que afligem o mundo. Em O Exorcista (1973), por exemplo, vem do Iraque o demônio Pazuzu. Na série The Last of Us (2023-), começa na Indonésia o surto do fungo que arrasou a população do planeta. Agora, o cenário hostil é o Egito — mas as cenas ambientadas no país árabe foram feitas na Espanha.
O diretor e roteirista de Maldição da Múmia é o irlandês Lee Cronin, o mesmo de A Morte do Demônio: A Ascensão (2023). Há semelhanças entre os dois filmes. Além de recriar um universo do horror, Cronin novamente acompanha uma família que tenta se salvar de uma ameaça sobrenatural. E novamente demonstra despudor para a violência e para o grotesco.
Quando a trama começa, o repórter de TV Charlie Cannon (interpretado por um apático Jack Reynor) está morando no Cairo com sua esposa grávida, a enfermeira Larissa (papel da espanhola Laia Costa), e os dois filhos pequenos, Katie e Sebastian. Katie acaba sequestrada por uma mulher que, na abertura do filme, conjurou um ritual diante de um ser mumificado. Apesar dos esforços da detetive Dalia Zaki (May Calamawy, atriz da minissérie O Cavaleiro da Lua), a guria jamais é encontrada.
Oito anos depois, a família Cannon está vivendo em Albuquerque, a maior cidade do Novo México, nos Estados Unidos. Charlie e Larissa culpam um ao outro pelo desaparecimento de Katie e contam com a ajuda da avó materna (a mexicana Veronica Falcón) para cuidar do adolescente Sebastian (Shylo Molina) e da filha caçula, Maud (Billie Roy).

Inesperadamente, Katie (agora encarnada por Natalie Grace) ressurge no Egito. Ao recebê-la de volta, os Cannon encontram uma garota traumatizada e mutilada. Por baixo das bandagens com escrita hierática e das unhas compridas e pútridas, ela pode estar abrigando um espírito maligno, dedicado tanto a semear a cizânia na família quanto a machucar os outros.
A partir daí, Lee Cronin serve uma salada de clichês narrativos e visuais que é temperada por muito sangue e muitas secreções. Maldição da Múmia é um filme de terror que deve causar mais nojo do que medo. Todo o esforço do diretor e de sua equipe — com destaque para os times de maquiagem e de som — está em explorar ao máximo o corpo dos personagens. Dos dentes aos globos oculares, tudo é matéria-prima para a produção de cenas com degradação física. Tem pele arrancada, ossos estalando, gente batendo a cabeça na parede...
Convencional ao abordar a mitologia em torno das múmias e tímido ao propor uma leitura mais psicológica, o filme parece unicamente interessado em provocar uma reação visceral no público. O trabalho técnico é digno de aplausos, mas a insistência no choque cobra um preço — se não for o asco do espectador, pode ser sua letargia, para a qual também contribui a duração excessiva (são duas horas e 13 minutos).
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