
Lançado nos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (23), Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (Good Luck, Have Fun, Don't Die, 2025) marca a volta, após quase 10 anos, de um diretor que já teve muito prestígio em Hollywood: Gore Verbinski.
Ele dirigiu Brad Pitt e Julia Roberts em A Mexicana (2001), fez a versão estadunidense do terror japonês O Chamado, em 2002, comandou a trilogia Piratas do Caribe (2003, 2006 e 2007), que faturou quase US$ 2,7 bilhões nas bilheterias, e ganhou o Oscar de melhor longa de animação com Rango (2011).
Depois, Verbinski retomou a parceria com o ator Johnny Depp, o eterno pirata Jack Sparrow, em O Cavaleiro Solitário (2013), que consumiu quase US$ 400 milhões, somando produção e marketing, e arrecadou US$ 260 milhões. O faroeste recebeu duas indicações ao Oscar, nas categorias de maquiagem e cabelos e efeitos visuais, mas cinco para o Framboesa de Ouro: pior filme, pior diretor, pior ator, pior roteiro e pior refilmagem, sequência ou derivado.
Seu longa-metragem seguinte teve um orçamento bem menor, US$ 40 milhões, mas também deu prejuízo: o terror A Cura (2016), uma colcha de retalhos que finge ser tapeçaria fina, amealhou somente US$ 26,6 milhões.
Nove anos depois, o dinheiro para Verbinski segue encolhendo. Tanto o da produção — Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra custou cerca de US$ 20 milhões — quanto o do público: ainda não chegou a fazer US$ 10 milhões nos cinemas.

O filme foi escrito por Matthew Robinson, roteirista de O Primeiro Mentiroso (2009) e Amor e Monstros (2020), e é protagonizado por Sam Rockwell, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante por Três Anúncios para um Crime (2017). O elenco inclui Haley Lu Richardson (da segunda temporada de The White Lotus), Juno Temple (da série Ted Lasso), Zazie Beetz e Michael Peña.
A trama, segundo Gore Verbinski, é inspirada em Um Dia de Cão (1975), Repo Man: a Onda Punk (1985) e Akira (1988). Rockwell encarna um maltrapilho cheio de bugigangas que entra em uma lanchonete de Los Angeles às 22h10min de uma noite qualquer, anunciando que veio do futuro para salvar o mundo e precisa da ajuda de voluntários. O sucesso na missão depende de uma combinação específica mas desconhecida dos frequentadores do estabelecimento — o sujeito já está na sua 117ª tentativa.
O protagonista conta que o fim do mundo começou quando nos tornamos dependentes do celular: as pessoas pararam de sair da cama para ficar navegando nas redes sociais, levando a sociedade ao colapso. O pensamento crítico se foi, a realidade virtual virou o lugar onde todos querem estar, e a grande vilã é a inteligência artificial.

O discurso inflamado do homem convence alguns clientes da lanchonete a se juntarem a ele. Enquanto o grupo inicia sua jornada, flashbacks revelam as histórias pregressas dos coadjuvantes. Mark (Michael Peña) e Janet (Zazie Beetz), por exemplo, são professores de alunos que são obcecados por seus celulares. Susan (Juno Temple) comprou um clone do filho depois que ele morreu. Ingrid (Haley Lu Richardson) é uma jovem alérgica a aparelhos eletrônicos e até a Wi-Fi.
Essas histórias particulares são muito, muito mais interessantes do que os desafios enfrentados coletivamente, mas é inegável que provocam uma sensação de déjà vu: parecem pálidas imitações da série Black Mirror.
As poucas boas ideias originais vão se diluindo à medida que o filme se arrasta _ são duas horas e 13 minutos de duração! Reviravoltas esperadas alongam ainda mais Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, cujo título é bastante atraente, mas enganoso. Uma variante mais honesta para esta maçada seria Boa Sorte, Tente se Divertir, Não Morra de Tédio.
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