
Adicionado na sexta-feira (24) ao menu do Telecine, que pode ser acessado via Amazon Prime Video (com sete dias de teste grátis) ou Globoplay, Drácula: Uma História de Amor Eterno (Dracula: A Love Tale, 2025) é mais um filme que retira do caixão o vampiro criado em 1897 pelo escritor irlandês Bram Stoker.
O conde não tem tido sossego. Nos últimos anos, beberam do seu sangue a minissérie Drácula (2020), a animação Hotel Transilvânia: Transformonstrão (2022), o terror Drácula: A Última Viagem do Demeter (2023), a comédia cruenta Renfield (2023), Nosferatu (2024), que é a nova versão da adaptação clandestina da história, e o satírico Drácula (2025), filmado na própria Transilvânia pelo cineasta romeno Radu Jude (de Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental).
Quem dirige Drácula: Uma História de Amor Eterno e assina o roteiro é o francês Luc Besson, celebrizado nos anos 1980 e 1990 por títulos como O Último Combate (1983), Imensidão Azul (1988), Nikita: Criada para Matar (1994) — e sua adaptação hollywoodiana, A Profissional (1994) —, O Quinto Elemento (1997) e Joana D'Arc (1999). No século 21, porém, seu nome reluziu raríssimas vezes. Seu melhor momento talvez tenha sido Lucy (2014).
Não foi Drácula que devolveu Besson à ribalta. O filme passou em branco nas principais premiações, à exceção de uma indicação ao César, da Academia Francesa, na categoria de melhor figurino, por Corinne Bruand. Orçado em US$ 52 milhões, arrecadou somente US$ 42 milhões nas bilheterias.
Qual é a trama do "Drácula" de Luc Besson?

A trama de Drácula: Uma História de Amor Eterno é protagonizada por Caleb Landry Jones, ator estadunidense que foi premiado no Festival de Cannes por Nitram (2021) e que trabalhou com o diretor francês em Dogman (2023), Zoë Bleu, filha da atriz Rosanna Arquette, e o austríaco Christoph Waltz, duas vezes ganhador do Oscar de melhor coadjuvante — por Bastardos Inglórios (2009) e por Django Livre (2012).
O enredo é o básico. Na Transilvânia da Idade Média, o príncipe Vlad (Caleb Landry Jones) renega Deus após a morte brutal de sua esposa, Elisabeta (Zoë Bleu), em uma emboscada dos otomanos que guerreavam contra o exército local. O personagem herda uma maldição: a vida eterna. Condenado a vagar através dos séculos, ele tem apenas uma esperança: reencontrar seu amor perdido — que pode ter reencarnado na Paris do século 19, no corpo de Mina (de novo, Zoë Bleu).

As duas sensações que o filme mais provoca são déjà vu e frustração. É inevitável comparar o Drácula de Luc Besson ao Drácula de Francis Ford Coppola (1992) — e há momentos em que a trilha sonora composta por Danny Elfman parece evocar, conscientemente ou não, a belíssima e sinistra música de Wojciech Kilar.
As desvantagens são evidentes: Besson é menos inventivo e menos sensível do que Coppola; Caleb Landry Jones não tem a magnitude de Gary Oldman, e tanto pior que o protagonista se torne uma figura balbuciante e melancólica (aliás, lembra um Willy Wonka gótico), em vez de ameaçadora e sedutora; Zoë Bleu carece das nuances de Winona Ryder; e Christoph Waltz, se por um lado não emula o Van Helsing de Anthony Hopkins no papel de um padre caçador de vampiros, por outro acaba repetindo os maneirismos de personagens anteriores, como o King Schultz de Django Livre. O elenco inclui Matilda De Angelis como Maria, uma encarnação feminina e lasciva de Renfield.
Quase lasciva, na verdade. Pois o Drácula de Luc Besson não sabe que pescoço quer morder.

Na sequência de abertura, que flagra brincadeiras eróticas de Vlad e Elisabeta, o cineasta sugere que vai investir na sensualidade, quem sabe até no sexo. Mas logo Drácula: Uma História de Amor Eterno ganha ares de filme de guerra ou de ação.
Mais adiante, Besson acena ao gênero musical na cena de baile que mistura, na montagem, diferentes épocas e cortes europeias. Por vezes, o longa-metragem parece mesmo um terror, ainda que muito tímido, mas em outras se assume como comédia, e do tipo ridicularizante, com direito a piadas sobre um tapete todo manchado de sangue e a gárgulas que ganham vida como aquelas do desenho animado da Disney O Corcunda de Notre Dame (1996).
As gárgulas digitais contribuem para desequilibrar em direção ao humor um filme que, supostamente, deveria nos pegar pelo horror ou pelo amor. Bem, talvez este Drácula tivesse uma dentada mais certeira se substituísse a insuportavelmente onipresente trilha sonora por aquelas risadas gravadas dos seriados antigos.
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter
Assista aos vídeos Dica do Ticiano no YouTube: clique aqui
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano

