
O Coringa. A Malévola. Loki. Cruella. Scar. O Escorpião Rei. Dá para fazer uma lista com vilões que ganharam protagonismo, foram redimidos ou até se tornaram mocinhos.
No topo desse ranking das transformações radicais, certamente está o personagem interpretado por Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), filme de James Cameron que deu origem a uma franquia bilionária. O clássico da ficção científica apareceu recentemente no menu do Amazon Prime Video.
No filme escrito por Cameron e Gale Anne Hurd, com diálogos adicionais de William Wisher, Schwarzenegger encarna um androide T-800 vindo do futuro com a missão de matar Sarah Connor (papel de Linda Hamilton). O plano é impedir o nascimento de John Connor, que viria a se tornar o líder da resistência humana contra as máquinas da Skynet.
Já conhecido por ter protagonizado as duas aventuras cinematográficas de Conan, o Bárbaro, em 1982 e em 1984, Schwarzenegger tem apenas 17 falas no filme. Mas uma delas entrou para a história do cinema: "I'll be back".
Ignorado no Oscar, O Exterminador do Futuro foi um sucesso financeiro: custou US$ 6,4 milhões e faturou 12 vezes mais (US$ 78,3 milhões). O próprio Cameron dirigiu a continuação, O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), agora com um orçamento na casa dos US$ 100 milhões.

Na trama, graças à popularidade adquirida por Schwarza, o T-800 virou herói. Enviado pela resistência, vem do amanhã para proteger o adolescente John Connor (vivido por Edward Furlong) e sua mãe de uma ameaça mais perigosa: um robô T-1000 (Robert Patrick), modelo de metal líquido capaz de se transformar em qualquer coisa.
O Exterminador do Futuro 2 foi outro fenômeno de público, com US$ 517,9 milhões arrecadados. Ganhou o Oscar em quatro categorias: som, maquiagem, efeitos visuais e efeitos sonoros. E deixou de herança mais uma frase imortal: "Hasta la vista, baby".

James Cameron abandou a saga depois desse título, mas Arnold Schwarzenegger atuou em mais três: O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (2003), de Jonathan Mostow, O Exterminador do Futuro: Gênesis (2009), de Alan Taylor, e O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (2019), de Tim Miller. Só ficou fora de O Exterminador do Futuro: A Salvação (2009), assinado por McG e estrelado por Christian Bale, porque na época era governador da Califórnia. No total, a franquia já arrecadou US$ 2,1 bilhões nas bilheterias.
Mas talvez sua maior conquista não seja tangível, embora facilmente percebida. Assim como aconteceu com Blade Runner: O Caçador de Androides (1982), de Ridley Scott, o primeiro O Exterminador do Futuro tornou-se uma referência gigantesca para a ficção científica — tanto no cinema quanto em outras mídias, como a literatura e os quadrinhos.
O crítico gaúcho Waldemar Dalenogare, que soma mais de 320 mil seguidores no seu canal no YouTube, o Dalenogare Críticas, comenta as origens e o legado de O Exterminador do Futuro:
— Depois do fracasso em Piranha 2 (1982), James Cameron partiu para um projeto de risco com O Exterminador do Futuro, transformando um filme de orçamento relativamente baixo em um suspense tecnológico sufocante com algumas heranças ainda do slasher. Ao escolher Arnold Schwarzenegger para interpretar uma máquina implacável e sem emoções, Cameron criou um novo padrão para vilões de cinema e tornou Sarah Connor o modelo da heroína que evolui pelo trauma na busca pela sobrevivência. O legado da obra pode ser visto até hoje na maneira como o filme transformou a ansiedade em torno da inteligência artificial em um mito moderno, moldando a forma como o cinema discute o risco das máquinas, influenciando de maneira permanente o gênero.
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter.
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano




