
Termina no domingo (26) a 22ª edição do Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
Até lá, você ainda pode dar uma volta ao mundo sem sair da cidade: minha lista com cinco filmes imperdíveis para ver na última semana traz obras de diretores do Brasil, do Chile, da Inglaterra, do Japão e da Nova Zelândia.
Para conferir os preços dos ingressos e outras atrações da programação, acesse o site oficial do Fantaspoa.
1) Covil (Brasil, 2026)

De Rodrigo Lages. Depois de herdar uma casa abandonada em uma metrópole do Brasil, uma jovem (papel de Juliana Lourenção) se muda com o namorado (Daniel Rocha). Lá, eles descobrem um quarto que esconde um segredo aterrador.
Por que ver? Além de ser uma das 10 estreias mundiais e de trazer a atriz gaúcha Vitória Strada no elenco, vale pelo exercício nacional de um tipo de filme que costumamos importar: o suspense ou terror que embaralha a cronologia narrativa para estar sempre tirando nossas certezas (ou confirmando nossas suspeitas) e oferecendo uma reviravolta na trama. Ainda que o enredo recorra a um clichê, Covil envolve. E a declaração de um personagem parece aludir ao espírito dos espectadores diante do Fantaspoa — uns estavam fazendo contagem regressiva, outros talvez nem conheciam o festival: "Como somos atraídos por algo que não entendemos. Há uma vontade dentro de cada um de nós de explorar o desconhecido. Mas insistimos em nos limitar".
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 23, às 19h30min (com o diretor), e no dia 25, também às 19h30min
2) A Maldição (Japão, 2025)

De Kenichi Ugana. Riko (personagem de Yukino Kaizu), recepcionista de um salão de beleza, estranha as postagens perturbadoras de sua amiga Shu-fen no Instagram. À medida que mortes horríveis acontecem, ela viaja do Japão a Taiwan para tentar impedir que se torne vítima de uma maldição.
Por que ver? Fãs do cinema de terror japonês vão se deliciar com a atmosfera do filme. Há uma constante sensação de pavor enquanto Riko vasculha seu apartamento silencioso, por exemplo, e volta e meia a câmera se detém em uma cena por mais tempo do que se espera — ficamos inquietos, na expectativa de um susto, de um choque ou da explosão da violência e do sangue. O ato final é um tanto apressado, mas A Maldição consegue apontar efeitos nocivos da vida sempre conectada nas redes sociais e lega pelo menos uma sentença digna de nota: "As pessoas podem fazer muito mal às outras sem se darem conta".
Sessões no CineBancários, no dia 22, às 17h, e no dia 25, às 15h
3) Mãrama (Nova Zelândia, 2025)

De Taratoa Stappard. Em 1859, Mary Stevens (interpretada por Ariana Osborne) é uma jovem órfã de origem maori que, após receber uma carta de um homem desconhecido que diz ter informações sobre seus pais, viaja da Nova Zelândia para o norte de Yorkshire, na Inglaterra. Lá, é contratada como governanta da pequena Anne, neta de Nathaniel Cole (Toby Stephens), aristocrata que fez fortuna com a caça às baleias.
Por que ver? A bela recriação de época emoldura um filme que ilustra como o gênero do terror é um veículo por excelência para histórias sobre os monstros e os fantasmas do colonialismo e do racismo. E, durante a encenação teatral da caça a uma baleia, em meio a uma festa na mansão de Cole, Mãrama tem uma das cenas mais marcantes da temporada até agora, graças à atuação vibrante de Ariana Osborne.
Sessão no CineBancários, no dia 26, às 15h
4) Matapanki (2026)

De Diego "Mapache" Fuentes Badilla. Em Santiago do Chile, Ricardo (Ramón Galvez) é um jovem punk que mora com sua querida avó e passa os dias bebendo álcool barato, indo a shows e perambulando pelas ruas da periferia com seus dois melhores amigos, Mella e Claudia. Certa noite, ele experimenta uma bebida clandestina e estranha que lhe concede superpoderes. Será que Ricardo deve se tornar um herói capaz de mudar a sociedade?
Por que ver? As referências a Peter Parker/Homem-Aranha, que incluem a frase "Grandes poderes trazem grandes responsabilidades" e uma jaqueta de couro com uma teia de aranha às costas, são apenas a cereja deste bolo de consumo rápido — dura apenas 70 minutos. Com grafismos que realçam a energia contagiante do filme, Matapanki não tem pudores na hora de elevar as consequências dos atos do protagonista.
Sessões na Cinemateca Capitólio, no dia 23, às 18h15min, e no dia 24, às 13h
5) O Perigo em Pincer Point (Inglaterra, 2026)

De Jake Kuhn e Noah Stratton-Twine. O ator Jack Redmayne encarna Jim Baitte, um técnico de som preguiçoso que está trabalhando na nova produção de um tirânico rei dos filmes B ingleses, o diretor P.W. Griffin (Os Leanse). Precisando provar sua competência, Jim é enviado a uma remota e misteriosa ilha, onde deve captar sons poderosos o suficiente para incrementar o clímax da obra.
Por que ver? Este é um fino exemplar da mostra Low Budget, Great Films do Fantaspoa, dedicada a produções de baixíssimo orçamento. A fotografia em preto e branco é muito charmosa, o senso de humor britânico combina bem com o surrealismo da trama — que inclui "monstros" marítimos e lendas sobre piratas —, e o elenco, livre para improvisar, segundo informa os créditos, esbanja carisma.
Sessão na Cinemateca Capitólio, no dia 25, às 20h30min
Bônus: Você É o Filme (Japão, 2026)

De Makoto Ueda. No Japão, a dramaturga Madoka (Riko Fujitani) e o músico Kazuma (Takafumi Imai) levam vidas separadas até irem, no mesmo dia, a um cinema independente. Lá, cada um descobre que está assistindo a um filme estrelado pelo outro.
Por que ver? É o primeiro filme dirigido pelo roteirista dos geniais Dois Minutos Além do Infinito (2020) e Rio (2023), ambos exibidos no Fantaspoa. João Pedro Fleck, que divide a organização do festival com Nicolas Tonsho e João Pedro Teixeira, recomenda: "Aqui, Ueda eleva a metalinguagem a outro nível, criando uma obra que se passa em somente 60 minutos, mas que tem poder suficiente para conquistar gerações cinéfilas por anos"
Sessão na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 24, às 14h
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