
Que tal aproveitar o feriado de 1º de maio, nesta sexta-feira, e o fim de semana para assistir a uma boa série policial?
Fiz uma lista com 12 títulos que adoro e não são longos: podem ser maratonados até em um único dia, dependendo da sua vontade e do seu tempo.
Importante frisar: embora estejam do lado da lei, os personagens principais não necessariamente são exemplares. Erram no trabalho, convivem com demônios interiores e podem até cometer crimes.
A ordem é puramente alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Black Bird (2022)

Nesta minissérie baseada em um caso real, Taron Egerton interpreta James Keene, o Jimmy, um filho de policial (o último papel de Ray Liotta) e um promissor jogador de futebol americano que enveredou para o tráfico de drogas. Dono de um pequeno império em Chicago, ele acaba preso em uma operação do FBI. Enquanto isso, vemos o surgimento dos outros dois personagens importantes de Black Bird.
Um é o detetive vivido por Greg Kinnear, que investiga o desaparecimento — e provável assassinato — de jovens mulheres. O outro é o principal suspeito, Larry Hall, um tipo excêntrico que adora participar de reencenações da Guerra Civil e é encarnado por Paul Walter Hauser. A combinação de seu físico roliço com a voz estridente e as costeletas suíças do personagem transformam Larry em um sujeito ora bizarro, ora patético, ora perigoso — merecidamente, Hauser venceu o Globo de Ouro, o Critics' Choice e o Emmy de ator coadjuvante. Essas duas narrativas, a de Jimmy e a de Larry, são cruzadas pelo escritor policial Dennis Lehane. (Apple TV, 6 episódios)
2) A Cidade É Nossa (2022)

Não chega a ser uma continuação da cultuada The Wire (2002-2008). Mas esta minissérie também foi criada pelo ex-repórter policial David Simon (aqui, na companhia do escritor George Pelecanos); também se passa em Baltimore, cidade no Estado de Maryland que é, estatisticamente, uma das mais violentas no mundo; e também retrata a atuação da polícia local. Enquanto alguns tentam fazer alguma coisa contra o narcotráfico e o crime organizado, mesmo sabendo que suas chances estão entre mínimas e nenhuma, outros apostam na truculência e/ou enveredam para a corrupção.
A Cidade É Nossa tem uma estrutura narrativa que requer atenção, com vários núcleos de personagens e alternâncias não muito claras entre o passado e o presente. Mas a recompensa é alta para quem curte histórias sobre os meandros policiais. Jon Bernthal interpreta o sujo sargento Wayne Jenkins, figura central no força-tarefa do combate às armas. Wunmi Mosaku (indicada ao Oscar 2026 de atriz coadjuvante por Pecadores) é Nicole Steele, uma advogada designada pela Justiça federal para apurar casos de desrespeito aos direitos civis. Jamie Hector faz Sean Suiter, um detetive de Homicídios que acaba se envolvendo com Jenkins. Josh Charles encarna Daniel Hersl, sobre o qual pesam várias denúncias de maus-tratos. E Dagmara Dominczyk está no papel de Erika Jensen, uma agente do FBI que investiga as ações de Jenkins e companhia. O elenco inclui David Corenswet, o novo Superman. (HBO Max, 6 episódios)
3) Collateral (2018)

Indicada ao Oscar de melhor atriz por Educação (2009) e por Bela Vingança (2020), Carey Mulligan, por si só, justifica assistir à minissérie inglesa escrita pelo renomado dramaturgo David Hare — por sua vez, concorrente à estatueta dourada de roteiro adaptado por As Horas (2002) e O Leitor (2008).
Mulligan interpreta Kip Glaspie, uma detetive designada para investigar o assassinato de um entregador de pizza que é baleado em um subúrbio de Londres. A partir daí, Hare lança mão de uma teia de personagens para discutir a atuação da polícia, do serviço secreto e do exército, o papel da Igreja e dos partidos políticos, o sistema de imigração e o caldo que levou ao Brexit. (4 episódios, Netflix)
4) Cortina de Fumaça (2025)

As perguntas suscitadas por esta minissérie policial criada pelo escritor Dennis Lehane despertam mais curiosidade do que o habitual: quais são as motivações dos incendiários? Qual é o seu modus operandi? O que o fogo traz de recompensa? O que a fumaça pode estar encobrindo?
Em Cortina de Fumaça, Taron Egerton interpreta Dave Gudsen, um investigador de incêndios criminosos que tem pretensões literárias. A contragosto, Gudsen terá de formar uma dupla com a detetive Michelle Calderone (Jurnee Smollett), uma policial que carrega um pesadíssimo trauma familiar relacionado justamente a fogo. O objetivo é deter não apenas um, mas dois incendiários que vêm agindo na região, ora causando apenas danos materiais e prejuízos financeiros, ora provocando mortos e feridos. Não vou dar spoiler, mas preciso dizer: o final é antológico. (Apple TV, 9 episódios)
5) Criminal: Reino Unido (2019-2020)

Com um convidado especial a cada episódio — Kit Harington (o Jon Snow de Game of Thrones), Hayley Atwell (a Peggy Carter do Universo Cinematográfico Marvel), Kunal Nayyar (o Raj de The Big Bang Theory), David Tennant (protagonista de Doctor Who durante muitos anos), Sophi Okonedo (indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por Hotel Ruanda)... —, esta é uma série sobre crimes que não mostra crimes. O roteirista George Kay e o diretor Jim Field Smith ambientam todas as histórias dentro de uma delegacia, principalmente na sala onde policiais interrogam o suspeito da vez, como um médico acusado de ter estuprado e assassinado sua enteada adolescente, ou uma mulher que teria envenenado o namorado violento da sua colega de apartamento. Portanto, os diálogos são a força motora, mas isso não significa que a série seja parada.
Os personagens de Criminal: Reino Unido podem estar sentados, na maior parte das cenas, só que o corpo fala: a câmera flagra suas reações — o desconforto, o descaso, o descontrole, o desespero. Se os interrogados são ou não culpados é praticamente um mero detalhe. O que conta é o como os detetives chegam ao desfecho: as indagações, as deduções, as interações, as provocações e as revelações acabam por suscitar debates acalorados sobre temas explosivos — da violência doméstica que pode nunca vir a público ao drama dos imigrantes ilegais na Europa. (Netflix, 7 episódios)
6) Depois da Cabana (2023)

É o nome horrível dado para a minissérie alemã Liebes Kind (2023) — uma tradução mais apropriada seria "querida filha". Além de não se justificar ao longo da adaptação do romance policial lançado em 2019 por Romy Hausmann, o título nacional também cria uma confusão desnecessária com A Cabana, livro de 2007 voltado ao público religioso. O curioso é há mesmo alguns pontos de contato. Em Depois da Cabana, também há uma menina no centro da trama (escrita e dirigida por Isabel Kleefeld e Julian Pörksen) e também há uma série de perguntas a serem respondidas. Mas o que se encontra em uma casa no meio da floresta está mais perto do inferno do que do céu, e tampouco há elementos sobrenaturais.
Tudo começa com a fuga de uma mulher, Lena (Kim Riedle), e sua filha de 12 anos, Hannah (Naila Schuberth, em atuação assombrosa), de um cativeiro sem janelas onde o suposto pai impõe uma série de regras e punições. Desde as primeiríssimas cenas, dúvidas assaltam a mente da policial Aida Kurt (Haley Louise Jones) e do espectador: por que a mãe e as duas crianças precisam mostrar a palma e o dorso da mão? Aliás, por que o outro filho, o menino Jonathan, não fugiu junto? Qual é a identidade do homem? Muitas outras questões aparecem à medida em que entram em cena mais personagens, como o detetive Gerd Bühling (Hans Löw), comprometido em tentar resolver um caso do passado que pode estar relacionado a esse de agora. A cada vez que achamos estar diante de uma resposta, surge um novo enigma; a cada passo à frente, há um desvio ou mesmo um beco sem saída. (Netflix, 6 episódios)
7) Dept. Q (2025)

Algo dá muito errado quando um detetive arrogante e sarcástico, Carl Morck (Matthew Goode), e seu parceiro atendem ao chamado de um jovem policial de Edimburgo, na Escócia, para visitar a cena de um crime, onde há um homem morto com uma faca enfiada no crânio. Três meses depois, Morck escamoteia seu trauma e sua culpa com impaciência e rabugice durante uma das consultas obrigatórias com a terapeuta da polícia (Kelly Macdonald). Ao voltar para o trabalho, ele é designado pela chefe para comandar um novo departamento, dedicado aos chamados cold cases, aqueles casos nunca solucionados.
Entrementes, conhecemos a ambiciosa e implacável promotora Merritt Lingard (Chloe Pirrie). Ela surge atuando no tribunal, onde tenta convencer os jurados de que um rico e influente homem de negócios é o responsável pela morte brutal da sua esposa. Cabe ao espectador da série desenvolvida por Scott Frank e Chandni Lakhani a partir de um romance policial dinamarquês descobrir como as duas histórias se conectam, porque desde o primeiro capítulo Dept. Q propõe enigmas a serem elucidados não só pelos agentes da lei, mas também pelo público. E quando pensamos ter achado peças que completam o quebra-cabeça, percebemos que havia outras pecinhas escondidas debaixo da caixa. (Netflix, 9 episódios)
8) O Homem das Castanhas (2021)

Não se deixe enganar pelo nome simpático: com direção de Mikkel Serup e Kasper Barfoed, a adaptação do romance homônimo escrito pelo dinamarquês Soren Sveistrup é um típico exemplar do noir nórdico, ambientado em cenários cinzentos e paisagens gélidas, lidando com assuntos difíceis e sendo cru e violento quando necessário. A história começa em 1987, com a descoberta de um crime chocante em uma propriedade rural. Então, a trama pula para a Copenhague dos dias de hoje, onde uma jovem mãe é brutalmente assassinada. Seu corpo é encontrado em um parque, sem uma das mãos. Próximo do cadáver, há um pequeno boneco feito de castanhas.
Essa é a principal pista para a investigadora Naia Thulin (Danica Curcic), uma mãe solteira que agora conta com um novo parceiro policial, o instável Mark Hess (Mikkel Boe Folsgaard). Paralelamente, acompanhamos o difícil recomeço no trabalho da ministra Rosa Hartung (Iben Dorner) — um ano antes, sua filha desapareceu. Qual será a conexão entre as três coisas? (Netflix, 6 episódios)
9) Mare of Easttown (2021)

Fascinada com o "quem foi" da minissérie criada por Brad Inglesby, a atriz Kate Winslet ressaltou que embarcou no projeto porque "não é só a história de um crime". De fato, o crime descoberto no primeiro capítulo é chocante e misterioso, mas serve sobretudo como catalisador dos dramas pessoais e familiares em cidadezinha dos EUA.
A morte traz à tona relações e segredos guardados em vida, imagem reforçada pela ambientação numa estação fria, que obriga os personagens a se esconderem atrás de casacos, mantas e gorros. E — até o final de Mare of Easttown — todos têm o que ocultar ou algo do que não gostam de falar. A detetive Mare Sheehan, por exemplo, viveu um episódio traumático na família. Sua amiga Beth (Chinasa Ogbuagu) já não sabe como lidar com o irmão viciado em drogas. O diácono Mark Burton (James McArdle) foi transferido de paróquia em circunstâncias mal esclarecidas. (HBO Max, sete episódios)
10) The Night Of (2016)

Filho de imigrantes paquistaneses em Nova York, o jovem universitário Nasir Khan, o Naz (Riz Ahmed), pega "emprestado" do pai o táxi para ir a uma festa. No meio do caminho, em duas ocasiões pessoas tentam embarcar no carro como passageiro. Mais tarde, uma infração de trânsito, um objeto levado da cena de um crime e uma testemunha ocular vão tornar Naz o suspeito número 1. É esse o resumo do primeiro e fabuloso episódio da minissérie criada pelo escritor Richard Price e pelo cineasta Steven Zaillian.
Trata-se de um retrato minucioso e muito humano das delegacias de polícia, do sistema judicial e dos presídios estadunidenses. A trama de suspense inclui conotações culturais, políticas e sociais, refletindo o estado de ânimo nova-iorquino para com os muçulmanos pós-11 de Setembro e mostrando penitenciárias como fábricas de bandidos. Ahmed ganhou o Emmy de melhor ator, categoria em que também competia John Turturro, no papel do advogado de porta de cadeia John Stone. Bill Camp concorreu a coadjuvante na pele do detetive Dennis Box, assim como Michael Kenneth Williams, que faz o presidiário Freddy Knight. Todos trazem uma série de nuances a seus personagens, aumentando o envolvimento do espectador com uma história por si só cheia de matizes sobre o certo e o errado, o bom e o mau, a justiça e a lei, as percepções e as evidências. (HBO Max, 8 episódios)
11) Task (2025)

A minissérie foi criada por Brad Ingelsby, o mesmo de Mare of Easttown (2021), também se passa nos subúrbios da Pensilvânia, nos EUA, e de novo foca a classe trabalhadora. Outra vez, o protagonista é um policial com problemas familiares. Mas a série anterior era sobre mães, e esta é sobre pais.
Tom Brandis (papel de Mark Ruffalo) é um ex-padre católico que virou agente do FBI e que agora atua como recrutador nas universidades — ele se afastou do trabalho de campo após uma tragédia em seu lar. Um dia, porém, Tom é convocado para chefiar uma força-tarefa que investiga uma série de assaltos a casas de drogas comandadas pela gangue de motoqueiros Dark Hearts. Quem está por trás dos crimes é Robbie Prendergrast (Tom Pelphrey), que mora na casa de seu falecido irmão com seus dois filhos pequenos e sua sobrinha, Maeve (Emilia Jones). Aproveitando o emprego de coletores de lixo, ele e o amigo Cliff mapeiam os endereços que podem ser roubados. Certa noite, a ação vira um desastre, e Robbie acaba sequestrando um menino. (HBO Max, 7 episódios)
12) True Detective (1ª temporada, 2014)

Na primeira temporada da série criada por Nic Pizzolatto, Matthew McConaughey e Woody Harrelson vivem, respectivamente, o enigmático Rustin Cohle e o vulcânico Martin Hart, detetives que solucionaram um crime em 1995 e que estão, em 2012, dando explicações a dois policiais da região de Nova Orleans.
Algo saiu dos trilhos nestes 17 anos, arrastando as vidas de Cohle e Hart por caminhos tortos, e um serial killer está nas ruas indicando que o caso supostamente resolvido pela dupla pode ter ficado com muitas pontas soltas. A trama ferve em ritmo lento influências da literatura do gênero e do fantástico, como Robert W. Chambers, de O Rei de Amarelo, temas como pedofilia e bruxaria e referências a Twin Peaks. (HBO Max, 8 episódios)
Bônus: Cold Case (2003-2010)

Com sete temporadas, obviamente não pode ser maratonada em um único fim de semana. Mas Cold Case é o que se chama de série procedural: cada episódio tem uma trama autoconclusiva, ou seja, você pode escolher quais e quantos assistir. Kathryn Morris interpreta a detetive Lilly Rush, especializada em investigar casos nunca resolvidos pela polícia da Filadélfia e inexorável no campo afetivo — só tem como companheiros um gato com três pernas e outro com apenas um olho, mas resiste ao interesse de um promotor. Cada história segue uma estrutura básica: a abertura mostra os momentos que antecedem um crime do passado, por vezes em preto e branco, e sempre com canções da época — as letras costumam pontuar a própria trama. No presente, os policiais se encarregam de reexaminar evidências, visitar antigas testemunhas e acertar as contas com os mortos, como se vê nos catárticos epílogos.
Com as doses de mistério, suspense e humor necessárias, Cold Case se distinguia dos programas do gênero por enfatizar a emoção. Talvez porque, além de ser criada por uma mulher, Meredith Stiem, e contar com uma protagonista feminina e uma mulher criadora, tenha recorrido a várias diretoras, como Holly Dale (nove episódios), Roxann Dawson (oito) e as cineastas Agnieszka Holland (quatro), Nicole Kassell (dois) e Rachel Talalay (um). E a roteirista Veena Sud escreveu uma das histórias mais marcantes, a 13º da primeira temporada, intitulada The Letter, que reabre o caso de uma mulher negra assassinada em 1939 depois que sua neta apareceu com cartas escritas pela vítima. (Amazon Prime Video e HBO Max, sete temporadas e 156 episódios)
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