
Finalmente saiu da geladeira o documentário A Marcha dos Pinguins (La Marche de l'Empereur, 2005), filme vencedor do Oscar da categoria que estava havia muito tempo indisponível no streaming. Agora, o título dirigido pelo francês Luc Jacquet pode ser visto na plataforma Reserva Imovision, que tem sete dias de teste grátis via Amazon Prime Video.
Além de conquistar o Oscar, A Marcha dos Pinguins conquistou o público. É um dos cinco documentários com a maior bilheteria na história: entre US$ 127 milhões e US$ 133 milhões (os números divergem). Foi um tremendo sucesso financeiro, já que custou cerca de US$ 8 milhões.
Ambientado na Antártica, o filme é o fruto da obstinação de seu diretor, que 12 anos depois realizou uma continuação, A Marcha dos Pinguins 2: O Próximo Passo (2017). Biólogo por formação, Luc Jacquet acompanhou como cinegrafista diversas expedições ao Polo Sul, que resultaram em documentários sobre a vida selvagem da região exibidos na televisão francesa.
Jacquet planejou o filme em 2000, mas foi difícil arranjar financiamento porque poucos investidores acreditavam no potencial comercial da produção. Em janeiro de 2003, o diretor e três assistentes partiram para a Antártica e lá ficaram por 13 meses.
O cineasta havia ficado particularmente impressionado com a dramática e extenuante jornada que o pinguim-imperador, o maior da espécie, faz para se reproduzir. Em um ciclo que tem início no final do verão, as aves marinhas, em fila indiana, andam e escorregam de barriga no gelo da costa rumo ao deserto antártico.
Vinte dias e 90 quilômetros depois, milhares delas dão início à busca pelo parceiro. Os casais formados esperam pela chegada de um único e precioso ovo, que após uma precisa manobra é transferido aos cuidados do pai, responsável por chocá-lo enquanto a mãe faz a viagem de volta para buscar comida.

O macho enfrenta o rigoroso inverno antártico, açoitado por tempestades e ventos superiores a 100 km/h e exposto a temperaturas de até 65ºC abaixo de zero. Será que a fêmea retorna antes que ele e o filhote morram de fome?
Eis o que torna A Marcha dos Pinguins diferente da infinidade de belos documentários sobre a natureza já produzidos pela National Geographic ou pelo Animal Planet. Para tornar seu filme uma atração cinematográfica, Jacquet combinou sua habilidade de documentarista com elementos-chaves da ficção.
Criou um drama comovente sobre perseverança e luta pela vida, com cenas de amor, sexo, tensão, humor e morte. Amarrou a narrativa visual com vozes que traduzem os sentimentos dos pinguins e uma trilha sonora pop, composta pela francesa Émilie Simon, que, pelo timbre e pelas melodias, lembra a cantora islandesa Björk.
Por coincidência ou não, um ano depois Hollywood lançou o longa-metragem de animação Happy Feet: O Pinguim (2006), de George Miller, que também ganhou o Oscar da categoria, também foi um sucesso de bilheteria e também retrata o pinguim-imperador. Mas, a exemplo de Luc Jacquet, seu diretor também vai além: por trás do que prometia ser só uma versão comédia musical de A Marcha dos Pinguins, está um filme que se permite abordar temas como a tolerância e a pesca predatória.
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