
Pela atuação em Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria (If I Had Legs, I'd Kick You, 2025), que entrou no menu do Telecine na terça-feira (3), Rose Byrne recebeu mil elogios e prêmios como o Urso de Prata no Festival de Berlim, o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical e o troféu do Film Independent Spirit Awards.
Na corrida pelo Oscar de melhor atriz, porém, a australiana de 46 anos deu azar. Tem pela frente o furacão irlandês chamado Jessie Buckley, 36 anos, favoritaça na premiação da Academia de Hollywood após conquistar, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, o Critics Choice, o Globo de Ouro de atriz em drama, o Bafta, da Academia Britânica, e o The Actor, do Sindicato dos Atores dos EUA.
Pesa contra Rose Byrne também a falta de visibilidade de Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria, que só concorre nessa categoria, enquanto Hamnet soma oito indicações, incluindo melhor filme e direção, com Chloé Zhao. Completam a lista de indicadas Kate Hudson (Song Sung Blue), Renate Reinsve (Valor Sentimental) e Emma Stone (Bugonia).

Esta é a primeira indicação ao Oscar de Byrne, que despontou no seriado Damages (2007-2012), pelo qual competiu duas vezes ao Emmy e ao Globo de Ouro de melhor coadjuvante. Outros papéis de destaque foram na comédia Missão Madrinha de Casamento (2011) e nos filmes da franquia de terror Sobrenatural (2010-2023).
Aparentado da série All Her Fault (2025) e do filme brasileiro (Des)controle (2025), Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria foi escrito e dirigido pela atriz nova-iorquina Mary Bronstein, que também faz um pequeno papel no longa-metragem. Ela mescla comédia amarga, toques de terror e clima sufocante.
Sentimos claustrofobia desde a primeira cena, que consiste em um close no rosto da protagonista, uma psicóloga chamada Linda. A câmera fica mais de dois minutos concentrada nas expressões de Rose Byrne. Bronstein quer que o público sinta literalmente na pele a rotina infernal de Linda, uma mulher e uma mãe que está sempre exausta, sempre frustrada, sempre no limite, sempre à beira de um colapso.
Ora ela precisa lidar com o tratamento do raro e complicado transtorno alimentar que a sua filha tem; ora ela sente a ausência do marido (voz de Christian Slater), que fica muitos dias longe de casa por causa do trabalho; ora o problema é um enorme vazamento que fez desabar o teto do apartamento onde moram; ora Linda se vê na obrigação de procurar uma paciente que desapareceu.
Todos esses problemas vão se acumulando, mas Linda, mesmo sem o marido por perto, sem muita ajuda do próprio psiquiatra (interpretado por Conan O'Brien) e sendo cobrada o tempo todo, precisa dar conta de tudo. Nem sempre, ou talvez quase nunca, ela vai conseguir, mas Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria nunca cai no dramalhão.
Há sempre um elemento de comédia, mesmo que bizarra ou mórbida. E Rose Byrne nunca resvala para o melodramático. Com o rosto sempre vigiado pela câmera, a atriz equilibra nervosismo, impulsividade, impaciência, vulnerabilidade. Vale ressaltar: este não é um filme sobre a mãe perfeita que enfrenta toda sorte de adversidades.
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