
Na esteira do Dia Internacional da Mulher, comemorado neste domingo (8), uma mostra de cinema dedicada a homenagear e valorizar diretoras gaúchas vai ocorrer entre 12 e 15 de março na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre.
Intitulada A Leoa Vai à Caça, a seleção reúne obra de 15 artistas, como Ana Luiza Azevedo, de Antes que o Mundo Acabe (2010) e do curta 3 Minutos (1999), Liliana Sulzbach, de O Cárcere e a Rua (2004), e Camila de Moraes, de O Caso do Homem Errado (2017). (Confira a lista completa mais abaixo.)
A homenageada da mostra é a atriz, escritora e diretora Ítala Nandi, que dirigiu In Vino Veritas (1981), primeiro longa-metragem assinado por uma mulher no RS. Nascida em Caxias do Sul, é uma das fundadoras do Teatro Oficina e foi homenageada na 50ª edição do Festival de Gramado, em 2022.
O projeto é uma idealização da cineasta Betânia Furtado e da atriz Renata de Lélis e vinha sendo pensado há dois anos.
Segundo Renata, esse é um esforço inicial para valorizar as produções femininas no Estado. Por isso, o objetivo foi destacar mulheres pioneiras ou que estivessem entre as primeiras em diferentes formatos e recortes.
— São as primeiras mulheres que fizeram cinema aqui no Rio Grande do Sul. A primeira animação, primeira ficção, longa, curta, 35mm — pontua.

O nome da mostra também tem um simbolismo especial para a dupla. A Leoa Vai à Caça é o título de um documentário nunca finalizado de Ítala.
— A gente achou que o nome tinha muito significado. Todas nós mulheres sentimos essa necessidade de ir à caça para sustentarmos, para realizarmos a nossa profissão e nossos objetivos, até no cinema — comenta Renata.
As diretoras selecionadas neste ano são Adalgisa Luz, Ana Luiza Azevedo, Britney Federline, Camila de Moraes, Cristiane Oliveira, Flavia Seligman, Flávia Moraes, Ítala Nandi, Juliana Balhego, Liliana Sulzbach, Lisiane Cohen, Mariani Ferreira, Martha Biavaschi, Mirela Kruel e Patrícia Ferreira Yxapy.
Programação e sinopses dos filmes
12 de março (quinta-feira)

19h
- O Brinco (1989), de Flávia Moraes
Uma joia presenteada a alguém vai parar na orelha errada, provocando uma série de revelações surpreendentes.
- In Vino Veritas (1981), de Ítala Nandi
Ítala Nandi retorna à sua cidade natal, Caxias do Sul, para revisitar suas origens e a história da imigração italiana na região. Entre memórias pessoais e investigação documental, o filme percorre a formação cultural, social e econômica da Serra Gaúcha, tendo a uva e o vinho como fios condutores.
13 de março (sexta)

17h
- Bola de Fogo (1997), de Marta Biavaschi
Um casal passa o feriado de carnaval numa praia paradisíaca onde vive uma pequena comunidade de pescadores em via de transformação com a chegada de veranistas.
- O Último Poema (2015), de Mirela Kruel
Helena Maria se correspondeu com Carlos Drummond de Andrade durante 25 anos. Que belezas da existência essa correspondência revela?
19h
- LÉO (2015), de Mariani Ferreira
Rodrigo não aceita a homossexualidade do irmão caçula. Por conta disso, terá que sofrer as consequências de seus atos.
- Mulher do Pai (2015), de Cristiane Oliveira
Ruben e Nalu moram no campo, perto da fronteira do Brasil com o Uruguai. Quando ele percebe que a filha, aos 16 anos, já é uma mulher, uma nova proximidade surge entre os dois. O estranhamento inicial dá lugar ao ciúmes quando Rosario, uma atraente uruguaia, ganha espaço na vida de ambos.
14 de março (sábado)

17h
- Hoje tem Felicidade (2005), de Lisiane Cohen
Rui queria muito ser feliz. Mesmo que fosse ao extremo.
- A Noite do Sr. Lanari (2002), de Flavia Seligman
Baseado no conto Cabecita Negra, do escritor argentino German Rozenmacher, o filme aborda a autoridade presente nos anos das ditaduras, na América Latina.
- A Invenção da Infância (2000), de Liliana Sulzbach
Ser criança não significa ter infância. Uma reflexão sobre o que é ser criança no mundo contemporâneo.
- As Bicicletas de Nhanderu (2011), de Patrícia Ferreira Yxapy
Documentário imersivo, produzido pelo Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema e Vídeo nas Aldeias, que retrata a vida, espiritualidade e conflitos da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões (RS). O filme aborda o impacto da cultura branca sobre os Mbyá-Guarani e a necessidade de fortalecer as tradições, focando na construção de uma nova casa de reza.

19h
- Quero Ir para Los Angeles (2019), de Juliana Balhego
Maria é uma menina negra universitária que decide fazer sua primeira viagem internacional, o destino escolhido é Los Angeles. Entretanto, o que se revela é que o esforço próprio não é o único propulsor para o alcance desse objetivo.
- Antes que o Mundo Acabe (2009), de Ana Luiza Azevedo
Daniel é um adolescente crescendo em seu pequeno mundo com problemas que lhe parecem insolúveis: como lidar com uma namorada que não sabe o que quer, como ajudar um amigo que está sendo acusado de roubo e como sair da pequena cidade onde vive. Tudo começa a mudar quando ele recebe uma carta do pai que ele nunca conheceu.
15 de março (domingo)

17h
- Logos (2025), de Britney Federline
Após uma internação hospitalar, Britney segue numa viagem de carro onde o tempo se embaralha. Ao longo do trajeto, ela tenta compreender sua relação com as pessoas, com o afeto e com a própria corporalidade.
- Debate: "Políticas públicas para mulheres no audiovisual", com todas as diretoras presentes e a convidada Sofia Ferreira
19h
- Café Paris (2004), de Adalgisa Luz
Com estética inspirada na Pop Art, A narrativa segue Magnólia, uma jovem introspectiva que circula pelos pequenos cafés de Porto Alegre enquanto elabora questionamentos existenciais em um fluxo de pensamento que mistura sensibilidade, cotidiano e inquietação sobre o tempo em que vive.
- O Caso do Homem Errado (2017), de Camila de Morais
O documentário conta a história do jovem operário negro Júlio César de Melo Pinto, que foi executado pela Brigada Militar, nos anos 1980, em Porto Alegre. O crime ganhou notoriedade após a imprensa divulgar fotos de Júlio César sendo colocado com vida na viatura e chegar, 37 minutos depois, morto a tiros no hospital. O filme traz o depoimento de Ronaldo Bernardi, o fotógrafo de Zero Hora que fez as imagens que tornaram o caso conhecido, da viúva do operário, Juçara Pinto, e de nomes respeitados da luta pelos direitos humanos e do movimento negro no Brasil.
Colaborou: Guilherme Freling




