
A atriz Daryl Hannah, 65 anos, publicou na sexta-feira (6) no jornal The New York Times um forte desabafo sobre sua caracterização na série História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette (Love Story, 2026), um sucesso de audiência no Disney+.
Com nove episódios, a produção criada por Connor Hines reconstitui o trágico romance entre John F. Kennedy Jr., filho de John F. Kennedy, que era presidente dos Estados Unidos quando foi assassinado no Texas, em 22 de novembro de 1963, e Carolyn Bessette, jovem que foi de vendedora a executiva da renomada grife Calvin Klein.
Os dois se casaram em 21 de setembro de 1996 e morreram em 16 de julho de 1999, quando o avião de pequeno porte que ele estava pilotando caiu no Oceano Atlântico, na costa da ilha Martha's Vineyard.

Na ficção, John é interpretado pelo ator estreante Paul Anthony Kelly, e Sarah Pidgeon, atriz da série The Wilds: Vidas Selvagens (2020-2022) e do filme de terror Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025), faz o papel de Carolyn.
Antes de viver sua paixão com Carolyn, John-John — como era apelidado pela imprensa — namorou a modelo Cindy Crawford e as atrizes Sarah Jessica Parker e Daryl Hannah. Com Hannah, o namoro durou cerca de cinco anos, entre 1988 e 1994, quando a atriz estava no auge da fama, graças a filmes como Blade Runner: O Caçador de Androides (1982), Splash: Uma Sereia em Minha Vida (1984), Wall Street: Poder e Cobiça (1987) e Flores de Aço (1989).
JFK Jr. conheceu Carolyn em 1992, portanto, enquanto ainda namorava Daryl Hannah, que na série é encarnada por Dree Hemingway.

No texto publicado no New York Times, Hannah diz que não costuma se manifestar sobre o que dizem a respeito dela na mídia — "Sempre acreditei que confrontar distorções muitas vezes apenas as amplifica", justifica. Mas a atriz diz que não poderia ficar calada diante de sua personagem em História de Amor, retratada como "irritante, egocêntrica, chorosa e inadequada".
Ela lembra uma declaração de um dos produtores da série: "Dado o quanto estamos torcendo por John e Carolyn, Daryl Hannah ocupa um espaço em que ela é uma adversária daquilo que você deseja que aconteça na história".

Então, Hannah comenta: "Contar histórias exige tensão. Muitas vezes exige um obstáculo. Mas uma pessoa real e viva não é um dispositivo narrativo. Há também uma dimensão de gênero nesse modo de pensar. A cultura popular há muito tempo eleva certas mulheres retratando outras como rivais, obstáculos ou vilãs. Não é misoginia clássica derrubar uma mulher para construir outra?".
Ela acrescenta: "A personagem Daryl Hannah não é sequer uma representação remotamente precisa da minha vida, da minha conduta ou do meu relacionamento com John. As ações e comportamentos atribuídos a mim são falsos. Eu nunca usei cocaína na vida nem dei festas regadas a cocaína. Nunca pressionei ninguém a se casar. Nunca profanei qualquer relíquia de família nem invadi qualquer memorial privado. Nunca plantei qualquer história na imprensa. Nunca comparei a morte de Jacqueline Onassis (a mãe de JFK) à de um cachorro".
As queixas e as reflexões de Daryl Hannah levantam questões importantes sobre liberdade artística e sobre a percepção do público: "Quando tantas pessoas assistem a uma dramatização que usa um nome real, as consequências na vida real aparecem. Nas semanas desde que a série foi ao ar, recebi muitas mensagens hostis e até ameaçadoras de espectadores que parecem acreditar que o retrato é factual. Quando o entretenimento toma emprestado o nome de uma pessoa real, pode afetar permanentemente a sua reputação.
"Durante décadas, meu trabalho tem se concentrado na defesa do meio ambiente, na realização de documentários e na terapia assistida por animais para idosos que vivem com demência e Alzheimer. Minha vida profissional é construída sobre compaixão e responsabilidade. Reputação não é sobre ego; é sobre a capacidade de continuar fazendo o trabalho significativo que amo. Como em qualquer carreira, fazer um bom trabalho exige uma reputação íntegra. É por isso que estou escolhendo me posicionar agora.
"Muitas pessoas acreditam no que veem na TV e não distinguem entre dramatização e fato documentado — e o impacto não é abstrato. Em uma era digital, o entretenimento muitas vezes se torna memória coletiva. Nomes reais não são ferramentas fictícias. Eles pertencem a vidas reais".
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