
Como março é o mês das mulheres, a minha lista de filmes de terror para ver nesta sexta-feira 13 é dedicada a diretoras.
Os 13 títulos estão disponíveis no streaming e convidam a uma pequena volta ao mundo.
As cineastas escolhidas representam oito países: Austrália, Áustria, Brasil, Estados Unidos, França, México, Noruega e Reino Unido. E há uma trama ambientada no Irã.
1) O Babadook (2014)

De Jennifer Kent. Amelia (interpretada por Essie Davis), uma mãe solo atormentada pela violenta morte do marido, tenta lidar com o medo irracional do filho (papel de Noah Wiseman) de que há um monstro à espreita na casa. É terror real, ou apenas reflexo dos sentimentos de luto, medo e depressão pelos quais os personagens estão passando? O sentimento de medo e presença da criatura estranha é permanente, e as atuações de Davis e de Wiseman são muito convincentes. (MUBI)
2) Boa Noite, Mamãe (2014)

De Veronika Franz e Severin Fiala. A dupla austríaca conta a história de dois irmãos gêmeos de nove anos, Lukas e Elias (interpretados por Lukas Schwarz e Elias Schwarz), desconfiados de que a mulher (Susanne Wuest) que retornou do hospital com o rosto coberto por ataduras não é sua mãe. Em seus primeiros movimentos, a trama lança o espectador no ambiente bucólico que os guris exploram, correndo pelo campo, adentrando cavernas escuras, aventurando-se pelo ossário de um cemitério e nadando no lago próximo. Dentro da casa, porém, o ambiente mostra-se instável, tenso e claustrofóbico. (Aluguel em Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play e YouTube)
3) A Cabeleireira (2020)

De Jill Sixx Gevargizian. A cena de abertura do filme mostra a perturbada personagem com quem estamos lidando: de dia, Claire corta cabelos; à noite, cabeças. A Cabeleireira é uma afinada parceria entre a cineasta estadunidense e a atriz Najarra Towsend. As duas conseguem andar com elegância numa delicada e arriscada corda bamba: não endossam a assassina serial, não justificam seus atos, mas permitem que Claire seja uma personagem com mais camadas. E, com toda calma do mundo, mas jamais cansando o espectador, Gevargizian conduz a trama para um final arrasador. Daqueles que grudam na cabeça. (Aluguel em Apple TV)
4) Fantasmas do Passado (2022)

De Mariama Diallo. O título original de Fantasmas do Passado vem de um cargo que existiu em universidades como Harvard até poucos anos atrás: Master é uma espécie de bedel. Mas master também é a palavra utilizada para designar os donos de escravos. No filme, a cineasta imagina como seria se o cargo na fictícia Ancaster College fosse ocupado por uma mulher negra: Gail Bishop (personagem de Regina Hall). Cabe a ela receber os novos alunos, incluindo uma garota negra, Jasmine Moore (Zoe Renee), que vai dividir o quarto com uma estudante branca, Amelia (Talia Ryder). Essa relação começa de forma amistosa, mas paulatinamente Jasmine se torna alvo de comentários maldosos e piadas racistas. Ao mesmo tempo, a caloura lida com assombrações que se conectam com o episódio histórico das bruxas de Salem, no final do século 17. (Amazon Prime Video)
5) Garota Sombria Caminha pela Noite (2014)

De Ana Lily Amirpour. A sucinta sinopse no Google é suficiente para justificar a presença nesta lista: "Uma vampira skatista ataca homens que desrespeitam mulheres em uma cidade iraniana". Escrito e dirigido pela britânica Amirpour e estrelado por Sheila Vand, o filme recebeu três prêmios no Festival de Sitges, na Catalunha, um dos principais do cinema fantástico. (Reserva Imovision)
6) Huesera (2022)

De Michelle Garza Cervera. A diretora mexicana mistura terror corporal com terror psicológico e ainda terror social. Natalia Solián interpreta Valeria, uma mulher grávida pela primeira vez que se vê ameaçada por forças ocultas. Os flashbacks que apresentam o passado da protagonista ajudam a construir o olhar crítico da diretora para as pesadas expectativas que recaem sobre os papéis femininos na sociedade. (Amazon Prime Video)
7) A Lenda de Candyman (2021)

De Nia DaCosta. Na refilmagem de O Mistério de Candyman (1992), a diretora resolveu usar os códigos do terror para falar da brutalidade policial contra corpos negros, de traumas geracionais e de gentrificação. A trama se passa em Chicago, onde um jovem artista (Yahya Abdul-Mateen II) mora com a namorada, a curadora Brianna Cartwright (Teyonah Parris). Empacado na carreira, ele resolve pesquisar a lenda de Candyman na comunidade de Cabrini-Green, um bairro negro cujos moradores foram sendo forçados a abandonar. É um lugar cheio de fantasmas, portanto, e não apenas porque costumava agir por ali a criatura maligna que, segundo as lendas, pode ser invocada diante de um espelho. O passado vive no presente, reforça o filme. (Amazon Prime Video)
8) Medusa (2021)

De Anita Rocha da Silveira. É o filme de terror da bela, recatada e do lar. Mari Oliveira interpreta a enfermeira Mariana, participante de um grupo de música e dança (com figurinos e passos comportados, é claro) chamado de Preciosas do Altar. A líder é Michele (Lara Tremouroux), estrela nos cultos evangélicos do pastor Guilherme (Thiago Fragoso), que comanda uma milícia de extrema-direita e busca se eleger deputado. No palco, elas cantam versos sobre mulheres "devotas e submissas ao Senhor". Nas ruas, atacam mulheres consideradas promíscuas ou "bonitas demais". Quando uma das vítimas das blitze moralistas revida, machucando o rosto de Mariana, a protagonista de Medusa se vê rejeitada e precisa lutar para se recolocar no ambiente social. Também passa a se interessar mais e mais pelo rumoroso caso de uma mulher desfigurada, Melissa (Bruna Linzmeyer). (Telecine)
9) A Meia-Irmã Feia (2025)

De Emilie Blichfeldt. A diretora e roteirista norueguesa reconta a fábula de Cinderela pelos olhos de uma de suas irmãs malvadas neste título indicado ao Oscar apenas na categoria de maquiagem e cabelos. Elvira (papel de Lea Myren), é mesquinha, invejosa e até sádica. Mas essa garota também sofre. Em um mundo obcecado pela beleza, ela se acha feia e acima do peso que a sua mãe considera ideal. Para ter chance de atrair o príncipe, a protagonista de A Meia-Irmã Feia se submete a cirurgias dolorosas e dietas muito excêntricas. Vale avisar: o filme não tem pudor de mostrar cenas grotescas. (MUBI)
10) A Primeira Profecia (2024)

De Arkasha Stevenson. O prelúdio do clássico A Profecia (1976) parte de uma ótima ideia: contar a história da mãe de Damien, o Anticristo, mulher que não havia recebido atenção nos cinco filmes e no seriado anteriores. Um dos trunfos é a atuação de Nell Tiger Free: ela estabelece um vínculo conosco ao equilibrar o amor a Deus e os impulsos carnais da juventude na pele da noviça que depara com mistérios e eventos sinistros no orfanato comandado pela rígida Irmã Silva (Sônia Braga). A trama de A Primeira Profecia, a época (os anos 1970) e o cenário (Roma) convidam a diretora a citar clássicos como O Bebê de Rosemary (1968) e O Exorcista (1973), a emular o clima da trilogia da paranoia de Alan J. Pakula e a pegar emprestado elementos do giallo. .(Disney+)
11) Santa Maud (2019)

De Rose Glass. Em uma cidadezinha litorânea da Inglaterra, uma jovem enfermeira (papel de Morfydd Clark) acredita falar com Deus, se flagela nas horas vagas e encara como missão religiosa cuidar de uma coreógrafa com câncer (Jennifer Ehle). Em Santa Maud, a diretora e roteirista inglesa Rose Glass mistura a dor física com a dor psicológica e explora a relação entre sanidade mental e devoção religiosa. Ela não tem pudores para lançar mão da violência gráfica quando necessária neste filme que acerta em tudo — da duração enxuta à nervosa trilha sonora. (Aluguel em Amazon Prime Video, Apple TV e Google Play)
12) Suaves e Discretas (2022)

De Beth de Araújo. A diretora estadunidense que tem pai brasileiro retrata a primeira reunião de um grupo de mulheres neonazistas arregimentado pela professora Emily (papel de Stefanie Estes) na Califórnia. Suaves e Discretas ilustra como a teoria vira prática, como uma "brincadeira" pode descambar para algo muito sério. Basta uma fagulha para provocar um incêndio sufocante, e essa sensação é reforçada pela narrativa em tempo real que simula ser em um único plano-sequência, ou seja, sem cortes entre uma cena e outra. (BOOH!, que tem sete dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
13) A Substância (2024)

De Coralie Fargeat. A diretora francesa ofereceu uma experiência cinematográfica inesquecível, até para quem odiou. Apaixonadamente, Fargeat assumiu riscos ao empregar o body horror e um senso de humor grotesco para mostrar como os corpos das mulheres são objetificados e vendidos antes de serem descartados. Na trama vencedora do prêmio de roteiro no Festival de Cannes, Demi Moore interpreta a apresentadora de um popular programa de ginástica na TV que é demitida no dia do seu 50º aniversário. Para tentar recuperar o estrelato, ela compra uma substância milagrosa que promete criar uma nova e melhorada versão de si mesma. A Substância concorreu em cinco categorias do Oscar: melhor filme, direção, atriz, roteiro original e maquiagem e cabelos (a única que conquistou). (HBO Max e MUBI)
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