
A HBO Max lança nesta sexta-feira (13) no Brasil os três primeiros episódios de Rivalidade Ardente (Heated Rivalry, 2025), série gay — e com fartas e picantes cenas de sexo — que virou um fenômeno de audiência nos Estados Unidos. Por lá, a história sobre o romance secreto de dois jogadores de hóquei no gelo ultrapassou a marca de 10,6 milhões de espectadores, tornando-se recordista de público entre produções não originais da plataforma de streaming, que comprou de outro serviço, o Crave, do Canadá, seus direitos de exibição.
As curvas ascendentes chamam atenção. Segundo a HBO Max, o sexto e último capítulo da primeira temporada teve um público quatro vezes superior ao do episódio de estreia.
Antes de ingressarem no elenco de Rivalidade Ardente, os dois atores principais precisavam trabalhar como garçons para pagar as contas. Com o sucesso da série, o canadense Hudson Williams, que comemora 25 anos nesta sexta-feira, e o estadunidense Connor Storrie, que completa 26 anos no dia 22 de fevereiro, registraram um salto estratosférico nas redes sociais. Ambos tinham cerca de 10 mil seguidores no Instagram; agora, cada um soma 3,3 milhões.
Criada e dirigida por Jacob Tierney, Rivalidade Ardente é baseada na série de livros da escritora Rachel Reid batizada, no original, de Game Changers. A saga começou em 2018, com a intenção de discutir a cultura tóxica e a homofobia dos esportes coletivos. O selo Alt, da editora Globo Livros, acaba de publicar no Brasil o segundo volume da coleção, que dá título ao seriado.
Contraste, conflito, contenção e consumação são palavras-chave em Rivalidade Ardente.
De um lado, há o geladíssimo ambiente do hóquei no gelo, um esporte associado a machismo e virilidade; do outro, as quentíssimas cenas de sexo entre dois homens.

Parceiros na cama — ou onde puderem se encontrar —, os protagonistas são rivais no rinque. Um é o canadense de ascendência asiática Shane Hollander (papel de Hudson Williams), o outro é o russo Ilya Rozanov (o texano Connor Storrie, que aprendeu o idioma do seu personagem e emula o sotaque).
Os dois duelam pela primeira vez em dezembro de 2008, em uma partida entre as seleções do Canadá e da Rússia. Seis meses depois, os jovens craques serão recrutados para uma versão fictícia da NHL, a liga de hóquei no gelo que reúne times canadenses e estadunidenses.
O doce Shane e o arrogante Ilya passam a competir ferozmente por vitórias, títulos e prêmios. O primeiro joga pelo Montreal Metros, e o segundo defende o Boston Raiders — as equipes de mentirinha reproduzem a rivalidade real que existe entre o Canadiens de Montreal e o Boston Bruins na NHL.

No âmbito esportivo, Shane e Ilya cultivam a rixa — em entrevistas, por exemplo, não perdem a oportunidade de alfinetar um ao outro. Precisam manter suas imagens, portanto, também precisam ocultar sua sexualidade.
Às escondidas e em raras ocasiões, como em um quarto de hotel às vésperas de um jogo entre as duas equipes, os dois podem, enfim, consumar os desejos que nutrem em sucessivas trocas de mensagem via celular.
Constância é outra palavra-chave: há 14 cenas de sexo ao longo dos seis episódios de Rivalidade Ardente, que compreendem um período de quase 10 anos. Tem transa, masturbação, sexo oral. As cenas nunca são totalmente explícitas, mas os diálogos são suficientemente descritivos.

O conteúdo sexual certamente ajuda a explicar o sucesso de audiência, mas Rivalidade Ardente não se ancora apenas no corpo de seus personagens. Há uma preocupação genuína com os aspectos psicológicos e sociais. A série retrata as dúvidas de Shane com sua própria sexualidade, acompanha as complicadas relações de Ilya com sua família e aborda questões como vulnerabilidade emocional e o peso de uma vida em segredo — uma vida na solidão.
Nesse ponto, há um coadjuvante muito importante: o veterano Scott Hunter (encarnado por François Arnaud), capitão do New York Admirals e jogador da seleção dos EUA. Sua história é contada no terno terceiro episódio, que à primeira vista pode parecer um pouco deslocado no conjunto da série, sobretudo por tirar de cena Shane e Ilya e recuar um pouco no tempo. Mas tudo se amarra à narrativa central, e o desenvolvimento dessa subtrama se reflete no romance dos dois personagens principais.
Consciente ou inconscientemente, Shane Hollander, Ilya Rozanov e Scott Hunter praticam um esporte que permite extravasarem sua revolta (as brigas são toleradas como parte da cultura e da estratégia do jogo) e convida à repressão dos seus sentimentos e da sua sexualidade. O gelo, obviamente, remete à frieza, ao sufocamento das emoções. O hóquei requer uma armadura, que, simultaneamente, deixa os jogadores com uma aparência mais forte, mais máscula, e protege o seu peito — o seu íntimo. O uniforme simboliza a vontade ou a autocobrança de ser como os outros. E o capacete costuma vir com, literalmente, uma máscara de segurança.
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