
Nem sempre dá para escapar das bombas que caem no streaming ou no cinema, como O Som da Morte (Whistle, 2025), terror adolescente lançado nas salas de Porto Alegre na quinta-feira (9).
O filme foi escrito por Owen Egerton, cineasta de Festival Sangrento (2018), e dirigido por Corin Hardy, o mesmo de A Freira (2018). A dupla cita sete títulos como inspiração: Dia dos Namorados Macabro (1981), A Hora do Pesadelo (1984), Clube dos Cinco (1985), Os Garotos Perdidos (1987), A Bolha Assassina (1988), Donnie Darko (2001) e Premonição 3 (2006).
Daria para incluir na lista O Chamado (2002) e mesmo o recente Fale Comigo (2022). Todos são melhores ou pelo menos mais marcantes do que O Som da Morte. Mas verdade seja dita: na tela, vê-se a "inspiração".
As filmagens foram feitas em Hamilton, cidade onde estão localizadas as principais usinas siderúrgicas do Canadá. O cenário inicial é um colégio de Ensino Médio, e a personagem principal é uma nova aluna, Chrysanthemum, a Chrys, interpretada por Dafne Keen, a Laura de Logan (2017) e Deadpool & Wolverine (2024).
Obviamente, já que esta é uma colcha de clichês, Chrys tem um trauma familiar e logo vai ficar de castigo depois da aula com quatro colegas, como acontece em Clube dos Cinco. Encarnada por Sophie Nélisse (a versão jovem de Tauna na série Yellowjackets), Nellie é uma futura médica. A bonita e popular Grace (Ali Skovbye) namora um jogador de basquete, Dean (Jhaleil Swaby), e é a paixão platônica do primo da protagonista, o nerd Rel (Sky Yang, visto nos filmes Rebel Moon).
Vivido pelo inglês Nick Frost, ator de Tá Todo Mundo Quase Morto (2004), o professor que comanda a detenção é uma referência ambulante: se chama Sr. Craven, em alusão ao cineasta Wes Craven (1939-2015), criador da franquia A Hora do Pesadelo.

Ainda na escola, o grupo de estudantes depara com um antigo artefato supostamente asteca. Trata-se de um apito maldito: ao soprá-lo, você apressará a sua própria morte. Será caçado, assombrado e assassinado por sua versão defunta.
Vale mencionar que os dois homens brancos que assinam O Som da Morte fizeram uma salada exótica ao praticar a apropriação cultural. O filme é sobre um apito asteca, mas os personagens falam sobre rituais e costumes dos maias.

Como qualquer imitação da saga Premonição, O Som da Morte investe na mistura de espetacularização e banalização da morte. Seu objetivo maior é providenciar cenas supostamente perturbadoras, vertendo sangue, incinerando corpos ou decepando membros de modo bizarro ou, vá lá, "criativo".
Mas não há choque que derrote o tédio e a indiferença provocados pelo filme. Como de praxe no terror do tipo slasher, os adolescentes são apenas bucha de canhão. Estão ali para o sacrifício, em nome do sadismo e do prazer mórbido do público. E ninguém deve sentir falta dos personagens de O Som da Morte, porque são todos insossos, superficiais ou mesmo antipáticos. O elenco não ajuda: a ausência de carisma e de vivacidade é total. É como se os atores já estivessem mortos antes mesmo de entrarem em cena.
É assinante mas ainda não recebe a minha carta semanal exclusiva? Clique AQUI e se inscreva na minha newsletter.
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano



