
O título brasileiro não é muito charmoso, mas se você é fã de Fogo Contra Fogo (1995), talvez o melhor filme de polícia e ladrão de todos os tempos, tem um compromisso imperdível nos cinemas de Porto Alegre. Desde quinta-feira (12), está em cartaz Caminhos do Crime (Crime 101, 2026), uma homenagem assumida do diretor Bart Layton ao clássico assinado por Michael Mann.
O cenário é Los Angeles, onde a direção de fotografia comandada por Erik Wilson retrata a paisagem urbana com sobriedade, mas sem deixar de estender um olhar algo poético. Vide quando a edição de Julian Hart e Jacob Secher Schulsinger permite ao espectador acompanhar a procissão motorizada nas largas e compridas avenidas da cidade. Os faróis acesos nas cenas noturnas produzem um efeito quase hipnótico, ao mesmo tempo em que remetem aos olhos de uma fera felina à espreita de sua presa.
A história gira em torno de um meticuloso ladrão de luxo que vive uma vida espartana — seu amplo mas vazio apartamento com vista para o mar lembra o do personagem de Robert De Niro em Fogo Contra Fogo. Como no filme de Michael Mann, ele busca o que em Hollywood se chama de one last job, o último trabalho antes de se aposentar do mundo do crime.
No seu encalço, está um policial obsessivo e íntegro moldado no detetive encarnado por Al Pacino no clássico de 1995: sua dedicação ao trabalho torna impossível sua vida familiar. E como em Fogo Contra Fogo, na trajetória do ladrão de Caminhos do Crime também surgirão uma mulher que desperta o desejo por um relacionamento verdadeiro para aplacar sua solidão e um outro bandido que vira um elemento do caos.

Com roteiro escrito pelo próprio diretor Bart Layton, Caminhos do Crime é baseado em um livro publicado em 2020 por Don Winslow. Afora as similaridades na trama e na estética, a primeira coisa que chama atenção no filme é o elenco repleto de astros e estrelas de Hollywood, incluindo veteranos e talentos em ascensão.
O protagonista é Chris Hemsworth, 42 anos, que já encarnou Thor, o Deus do Trovão, em oito aventuras do Universo Cinematográfico Marvel. Ao seu redor, gravitam seis nomes que já ganharam ou disputaram o Oscar.

Nick Nolte, 85, concorreu como melhor ator por O Príncipe das Marés (1991) e Temporada de Caça (1998) e como coadjuvante por Guerreiro (2011).
Barry Keoghan, 33, foi indicado como ator coadjuvante por Os Banshees de Inisherin (2022).

Parceiro de Hemsworth na Marvel, no papel do Hulk, Mark Ruffalo, 58, já soma quatro indicações à estatueta dourada de ator coadjuvante: por Minhas Mães e Meu Pai (2010), por Foxcatcher (2014), por Spotlight: Segredos Revelados (2015) e por Pobres Criaturas (2023).
Jennifer Jason Leigh, 64, foi candidata ao Oscar de atriz coadjuvante por Os Oito Odiados (2015).

Monica Barbaro, 35, competiu na mesma categoria por Um Completo Desconhecido (2024).
E Halle Berry, 59, é a única artista negra a ser premiada com o Oscar de melhor atriz, por A Última Ceia (2001).

Chris Hemsworth interpreta Mike, um exímio ladrão de joias que só comete seus crimes no entorno da rodovia 101, uma das principais artérias do intenso tráfego da Califórnia. É um bandido romantizado: além de bonito, evita o uso da violência e rouba apenas de quem tem mais dinheiro do que jamais conseguiria gastar. Poderia ser confundido com um vingador contra o sistema capitalista, se sua motivação não fosse justamente a ambição financeira.
Nick Nolte é Money, o receptador de Mike, e Barry Keoghan vive Ormon, um bandido motoqueiro que, com o perdão do trocadilho infame, rouba a cena por causa da sua mistura de imprevisibilidade, vulnerabilidade e inescrupulosidade.

Mark Ruffalo encarna o detetive Lou Lubesnick, casado com Angie (Jennifer Jason Leigh). Monica Barbaro faz o papel de Maya, o interesse romântico que aparece na vida de Mike. E a personagem de Halle Berry é Sharon, uma corretora de seguros para milionários.
Logo na abertura, Caminhos do Crime enreda os passos de Mike, Lou e Sharon. Sua movimentação é embalada pela narração de um aplicativo de meditação e bem-estar: todos estão à procura de serenidade e controle. Ao longo do filme, a proximidade entre os três personagens será reforçada não só pela trama, mas também por recursos de montagem: os cortes ora espelham cenas, ora sugerem continuidade.
A tensão é crescente do início ao fim, com contribuição fundamental da trilha sonora assinada por Blanck Mass — o nome do projeto solo de música eletrônica do compositor e produtor britânico Benjamin John Power.
Podem faltar a Caminhos do Crime a magnitude do diálogo entre Robert De Niro e Al Pacino na cena do restaurante de Fogo Contra Fogo e uma sequência antológica como a do tiroteio de 10 minutos pelas ruas de Los Angeles na saída de um assalto a banco. Mas este é um cosplay de alto nível.
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