
Acabou de aparecer no menu do Amazon Prime Video um filmaço de ação que recebeu três indicações ao Oscar: Apocalypto (2006), de Mel Gibson.
É uma aventura épica ambientada nos tempos da civilização maia, que se desenvolveu e prosperou entre a Antiguidade e o começo da Idade Moderna, em uma área que hoje compreende o sudeste do México, toda a Guatemala e o Belize e as porções ocidentais de Honduras e El Salvador. Escrito por Gibson com o iraniano Farhad Safinia, o filme se passa no período de declínio dos maias, mas antes da chegada dos invasores espanhóis, no século 16. A propósito, não espere uma acurada reconstituição da época: especialistas em cultura pré-colombiana apontaram alguns equívocos históricos.
Trata-se de mais um título em que Mel Gibson, um notório aficionado pelo martírio cristão, aposta no flagelo do herói, como demonstrou no oscarizado Coração Valente (1995) e no polêmico A Paixão de Cristo (2004). Mas em Apocalypto o diretor dosa de modo admirável a força bruta com uma insuspeitada sensibilidade.
Vale destacar os diálogos em iucateque, uma língua ancestral falada por cerca de 700 mil habitantes da América Central, que dão uma sonoridade poética ao filme. E ainda há o espantoso trabalho de direção de arte, figurinos e maquiagem — esta, merecidamente indicada ao Oscar (as outras duas categorias disputadas foram mixagem de som e edição de som).
Orçado em cerca de US$ 40 milhões, Apocalypto faturou US$ 120 milhões nas bilheterias. Concorreu também ao Globo de Ouro e ao Critics Choice, como longa em idioma estrangeiro, e virou obra de referência. A atriz Viola Davis, por exemplo, citou como uma das inspirações para o épico sobre guerreiras africanas A Mulher Rei (2022). O filme também foi modelo para a série sobre a unificação do Havaí Chefe de Guerra (2025), protagonizada e cocriada por Jason Momoa.

O personagem principal é o jovem caçador Pata de Jaguar, interpretado pelo carismático Rudy Youngblood, um ator mexicano descendente de indígenas comanches. Sua vida idílica com o pai, o filho pequeno e a esposa grávida é bruscamente interrompida pelo ataque de maias urbanos — porém mais selvagens do que aqueles que habitam a floresta.
Eles buscam prisioneiros para serem sacrificados em troca de dádivas no alto de um templo, em uma cerimônia tão apavorante quanto exagerada. Pata de Jaguar, contudo, tem outro destino.
Ao longo da suada e sofrida jornada do herói, Mel Gibson mostra grande domínio da arte de combinar ação e emoção. Há um punhado de cenas de tirar o fôlego — mérito também da retumbante trilha sonora de James Horner —, e o diretor ainda encontra uma maneira surpreendente e eficaz de justificar o nome do filme, palavra grega que pode ser entendida como "desvelamento" ou "um novo começo".
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