
Após o recesso em janeiro, o CineBancários, no Centro Histórico de Porto Alegre, reabre nesta quinta-feira (5) com a estreia de três filmes: A Queda do Céu, nas sessões das 15h, Living the Land, às 17h, e Dois Procuradores, às 19h20min.
Dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, A Queda do Céu (2024) é um documentário que, a partir do testemunho do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa, acompanha o ritual Reahu. Esse ritual mobiliza a comunidade de Watoriki, na Amazônia, em um esforço coletivo para "segurar o céu".
O filme critica aqueles chamados por Davi de "povo da mercadoria", além de abordar o garimpo ilegal e a mistura mortal de epidemias trazidas por forasteiros. A Queda do Céu também destaca a cosmologia Yanomami e os espíritos xapiri.

Apesar de lançado no Brasil com um título em inglês, Living the Land (Sheng Xi Zhi Di, 2025) é um filme chinês, que valeu a Huo Meng o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim do ano passado.
Bastante contemplativo, Living the Land se passa em 1991, na China rural. Enquanto os moradores migram para as cidades em busca de melhores oportunidades, Chuang, de 10 anos, permanece em sua cidade natal. O terceiro filho de sua família enfrenta os desafios da vida em um período de profundas transformações nacionais.
"O filme explora o profundo impacto deste momento histórico nas tradições, emoções e relacionamentos do povo chinês. Como um vento imparável, essas mudanças varreram todos os aspectos da vida", comentou o diretor. "Eu queria retratar como, quando políticas sociais coletivistas colidiram com tradições moldadas ao longo de milênios, as pessoas foram forçadas a se adaptar de maneiras que desafiaram seu próprio modo de vida. Também senti que era importante mostrar as imensas pressões que as mulheres enfrentaram, tanto social quanto fisicamente, que deixaram danos duradouros e irreversíveis."

Lançado no Festival de Cannes de 2025, Dois Procuradores (Zwei Staatsanwälte no título original, em alemão) é o mais recente longa-metragem do diretor ucraniano Sergei Loznitsa, o mesmo de Donbass (2018).
A trama se passa em 1937, no "apogeu" do regime totalitário de Stalin na União Soviética (URSS), como diz um letreiro. Na abertura, milhares de cartas de detentos falsamente acusados pelo regime são queimadas em uma cela de prisão. É uma cena que dialoga com a discussão sobre o apagamento da memória de O Agente Secreto (2025).
Contra todas as probabilidades, uma dessas cartas chega a um recém-nomeado promotor local, Alexander Kornyev. Em uma magnetizante interpretação de Aleksandr Kuznetsov, o jovem Kornyev tenta abrir uma investigação contra um centro de detenção em Bryansk, na Rússia, ao descobrir que um antigo membro do Partido Comunista foi submetido a tortura por agente da polícia secreta.
O filme foi inspirado no romance homônimo de Georgy Demidov, físico que passou 14 anos de sua vida preso em campos de concentração soviéticos. Em entrevista para a Variety, Loznitsa afirmou: "Parece que estamos retornando ao período anterior à Segunda Guerra Mundial, e isso é muito triste. Parece que nenhuma lição foi aprendida com os eventos que ocorreram há 80, 90 anos. É por isso que estou retomando esse assunto e mostrando apenas uma pequena parte desse regime totalitário que parece estar voltando, cuja sombra se aproxima no horizonte".
Na mesma conversa, o cineasta confirmou que Dois Procuradores terá uma sequência, chamada O Abajur Laranja, que vai partir do mesmo cenário de repressão, mas através da perspectiva dos prisioneiros.




