
A Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, realiza às 19h15min desta terça-feira (23) uma sessão de pré-estreia da cópia restaurada do clássico São Paulo S.A. (1965).
Dirigido por Luiz Sérgio Person, o filme traz no elenco Walmor Chagas, Darlene Glória, Ana Esmeralda e Eva Wilma e entra em cartaz na quinta (26).
A restauração em 4K é uma iniciativa da Sessão Vitrine Petrobras, projeto da Vitrine Filmes. Foi um trabalho conjunto de Lauper Films, Cinemateca Brasileira e Cineteca di Bologna que, segundo o material de divulgação, "homenageia o rigor da fotografia de Ricardo Aronovich e o olhar inquieto de Person sobre uma cidade que cresce e engole seus habitantes, mantendo-se como espelho das contradições urbanas".
O filme é reconhecido como um dos marcos do cinema moderno brasileiro, principalmente pela linguagem narrativa, que era muito original à época: Person mistura documentário e ficção usando cortes repentinos. Enquanto os demais cineastas daqueles tempos se voltavam para a temática nordestina, Luiz Sérgio Person (1936-1976) fez uma crítica ao crescimento desordenado de uma São Paulo que experimentava o boom da industrialização.
O diretor paulistano teve uma carreira profissional errática, cuja filmografia, construída em menos de 40 anos de vida, totaliza cinco longas e cinco curtas. Person foi publicitário, jornalista, ator, diretor e autor de teatro, dono de distribuidora cinematográfica e de sala de exibição, realizador de filmes de gênero como o faroeste paródico Panca de Valente (1968) e a comédia erótica Cassy Jones, o Magnífico Sedutor (1972). Ganhou notoriedade por causa de São Paulo S.A. e O Caso dos Irmãos Naves (1967).

"Entre as muitas qualidades de São Paulo S.A.", escreveu o crítico Roger Lerina em Zero Hora quando o filme foi lançado em DVD, em 2010, "estão sua narrativa fragmentada e pendular, marcada por idas e vindas na história, a riqueza de planos e sequências poeticamente fotografados em preto e branco por Ricardo Aronovich e a constante tensão dramática da interpretação de Walmor Chagas".
Mas o grande mérito "reside na sensibilidade com que capta ainda no calor da hora as consequências sociais e pessoais do desenvolvimentismo industrial no Brasil do final da década de 1950".

Walmor Chagas interpreta o protagonista e narrador, Carlos, um jovem de classe média que tem carreira ascendente na emergente indústria automobilística nacional. Ele tenta adaptar-se tanto ao mundo profissional, representado pelo ganancioso chefe (papel de Otelo Zeloni), a quem despreza, quanto ao sentimental. Mas o vácuo existencial leva o protagonista a abandonar o trabalho, o filho pequeno e a esposa (Eva Wilma).
São Paulo S.A. começa mostrando esse rompimento, para depois seguir a perambulação de Carlos pelo centro da metrópole, relembrando episódios passados e relacionamentos como os casos com Ana (Darlene Glória) e Hilda (Ana Esmeralda).
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter.
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano


