
A série Jack Ryan (2018-2023), disponível no Amazon Prime Video, previu o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. É o que dizem usuários das redes sociais que vêm compartilhando e comentando cenas da segunda temporada desde sábado (3), quando, a mando do presidente Donald Trump, militares invadiram o país sul-americano e capturaram o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Jack Ryan é um thriller político que adapta aventuras do personagem criado pelo escritor estadunidense Tom Clancy (1947-2013). Trata-se de um agente da CIA que estrelou também vários filmes, como Caçada ao Outubro Vermelho (1990), Jogos Patrióticos (1992), Perigo Real e Imediato (1994) e A Soma de Todos os Medos (2002). Crrega nos ombros os temores e os traumas dos EUA ligados, por exemplo, à Guerra Fria e ao 11 de Setembro.
No seriado desenvolvido por Carlton Cuse e Graham Roland, Ryan é interpretado por John Krasinski. A segunda temporada, lançada originalmente em outubro de 2019 — quando Trump estava no seu primeiro mandato na Casa Branca e Maduro já havia sido reeleito pela primeira vez para a presidência venezuelana —, é quase toda ambientada na Venezuela, que foi recriada em locações na Colômbia.

O protagonista quer investigar um suposto carregamento de armas nucleares russas por um navio escondido na Floresta Amazônica venezuelana. O presidente do país, o autoritário Nicolás Reyes (encarnado pelo ator espanhol Jordi Mollà), nega qualquer envolvimento, mas claro que ele é o vilão da história.
Como aconteceu na vida real, na ficção forças dos Estados Unidos usam uma aeronave — no caso, um helicóptero — para atacar o palácio presidencial em Caracas, a capital da Venezuela.
Vale destacar também o monólogo em que Jack Ryan explica por que, aos olhos dos Estados Unidos, a Venezuela representa uma "grande ameaça no cenário mundial".
A cena que especula sobre motivações para um ataque dos EUA se passa em um auditório na sede da CIA, em Langley, no Estado da Virgínia. Jack pergunta aos jovens da plateia: qual seria a maior ameaça no âmbito global? Uns respondem que é a Rússia, outros, a China, e também citam a Coreia do Norte.
— Alguém acha que é a Venezuela? Todos estão de boa com a Venezuela? Não é uma ameaça? — questiona o personagem de John Krasinski. — Qual desses países têm o maior depósito de petróleo do planeta? Mais do que a Arábia Saudita, mais do que o Irã. E que tal ouro? Mais do que todas as minas da África juntas. O fato é que a Venezuela é indiscutivelmente o maior recurso de petróleo e minerais do planeta. Então, por que este país está no meio de uma das maiores crises humanitárias na história moderna? Vamos conhecer o presidente Nicolás Reyes. Após subir ao poder em uma onda de orgulho nacionalista, em apenas seis anos ele reduziu a economia nacional pela metade. Aumentou a taxa de pobreza em quase 400%. Ele quer ser reeleito. Quem concorre contra ele? Esta é Gloria Bonalde, uma professora de História que virou ativista. As previsões de analistas são de que há grande risco de um colapso total na economia venezuelana: 87%. No noticiário, chamam de crise. Mas em geopolítica, podemos chamar de Estado fracassado. Nunca ouviram esse termo? Outros exemplos recentes são o Iêmen, o Iraque e a Síria. Se isso tudo não é ruim o bastante para vocês, saibam que a Venezuela é o único lugar que fica a 30 minutos de distância dos Estados Unidos a ter mísseis nucleares de última geração. Rússia e China nunca vão ser a maior ameaça, até que países como a Venezuela deixam a porta aberta para o nosso quintal.
Na época da estreia da segunda temporada de Jack Ryan, o ator John Krasinski concedeu entrevista à colunista Raquel Carneiro, da revista Veja:
— A série não incentiva uma invasão à Venezuela. Como nos livros de Tom Clancy, o momento histórico e político é o fundo da trama, e não a situação. Aqui, a Venezuela é o cenário para uma trama de vingança. Meu personagem sofre um atentado e perde um amigo. Então, ele tenta encontrar o responsável.
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