
Para comemorar os 45 anos da estreia de O Iluminado (The Shining, 1980), que foram completados em maio, a Warner Bros. vai relançar nos cinemas nesta quinta-feira (11) o clássico do terror baseado em um romance do escritor Stephen King e dirigido pelo genial Stanley Kubrick (1928-1999).
O Iluminado é um dos marcos da história do cinema, um filme a ser visto e revisto. E é também um dos mais notórios casos no debate sobre adaptações de obras literárias.
Basicamente, King, hoje com 78 anos, reclama da falta de fidelidade por parte de Kubrick, especialmente em relação ao protagonista. No livro, o aspirante a escritor Jack Torrance é um bom pai que, aos poucos, vai sucumbindo ao alcoolismo e ao isolamento no Overlook, um hotel assombrado nas montanhas do Colorado, nos EUA, onde ele vai trabalhar como zelador durante os cinco meses em que o lugar fica fechado por causa da neve.
No filme, a bebida mal aparece, e desde os primeiros minutos o personagem interpretado por Jack Nicholson é detestável. Mas um detestável adorável, né? Somos capazes de decorar e repetir todas as suas falas e seus trejeitos enquanto começa a surtar e a ameaçar sua esposa e seu filho pequeno e sensitivo (daí o "iluminado" do título) — Wendy (Shelley Duvall, excelente no papel) e Danny (Danny Lloyd, em seu único trabalho de ator).

Conhecido por seu rigoroso perfeccionismo, o cineasta de 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) e Laranja Mecânica (1971) imprimiu em O Iluminado um clima de progressiva tensão psicológica que vai embaralhando realidade e alucinação. A tela grande permite também apreciar elementos com os quais o diretor tinha um esmero de artesão, da cenografia à precisão dos movimentos de câmera, da trilha sonora às expressões dos atores, submetidos a repetições de tomadas por vezes excruciantes até obterem a aprovação de Kubrick. Ao Hollywood Reporter, a atriz Shelley Duvall (1949-2024) reclamou que o cineasta "não estava satisfeito com nada até, pelo menos, o 35º take".
Com o tempo, a mitologia dos fãs em torno de O Iluminado ganhou dedicação religiosa (ao mesmo passo em que o filme era reverenciado, copiado ou parodiado). Tanto que rendeu o curioso documentário O Labirinto de Kubrick (Room 237, 2012, indisponível no streaming), no qual o diretor Rodney Ascher compila as mais intrigantes e malucas teorias que procuram no clássico significados diversos e mensagens subliminares. Ascher coloca o filme em perspectiva com a obra de Kubrick, exibe bastidores das filmagens, destaca as brilhantes inovações técnicas e segue as "pistas" que o mestre teria deixado sobre temas tão distintos como o genocídio dos indígenas nos EUA e "farsa" da chegada do homem à Lua, em 1969.
Crítico de primeira hora da versão de seu livro — publicado originalmente em 1977 —, Stephen King escreveu em 2013 uma continuação, Doutor Sono. O romance também foi levado ao cinema, desta vez com aprovação do mestre do suspense. Sob direção de Mike Flanagan (das minisséries A Maldição da Residência Hill e Missa da Meia-Noite), Doutor Sono (2019) começa mais ou menos de onde O Iluminado parou. Logo depois, Ewan McGregor encarna um Danny adulto, lidando com os traumas dos eventos ocorridos no Overlook e encarando novos perigos.
Fica a dica: veja O Iluminado no cinema e depois assista a Doutor Sono na HBO Max ou na Netflix.
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