
Perfeitos Desconhecidos (2025), que estreou nos cinemas nesta quinta-feira (11), é a versão brasileira da homônima comédia dramática italiana lançada em 2016 pelo diretor Paolo Genovese. O título detém o recorde de refilmagens: já houve 24 adaptações, para países como Alemanha, China, Coreia do Sul, Espanha, França, Grécia, Índia, Japão, Líbano, México, República Tcheca e Vietnã.
O filme brasileiro tem roteiro de Patrícia Corso e Clara Peltier, com direção de Júlia Jordão, que assinou episódios de séries como O Negócio, Cidade Invisível e O Rei da TV. O elenco é encabeçado pela atriz porto-alegrense radicada no Rio Sheron Menezzes e por Danton Mello.
A trama se passa durante um churrasco organizado pelo casal Carla (Sheron Menezzes) e Gabriel (Danton Mello), que recebem em casa um grupo de amigos próximos. Carla é psicóloga e tem uma personalidade controladora, o que seguidamente cria conflito com a filha adolescente, Alice (Madu Almeida), influenciadora digital. Gabriel, um cirurgião plástico, é visto como o mais sensato e bem-sucedido da turma.
Os convidados são João (Fabrício Boliveira), solteiro, vaidoso e conhecido pela fama de "pegador", e o casal formado pela jornalista Paula (Débora Lamm) e a professora Luciana (Giselle Itié). Aparece também o namorado de Alice, Renato (Luigi Montez), fã de cultura nerd e inseguro diante da personalidade forte e da presença online cada vez maior da garota.
Durante o churrasco, essas sete pessoas concordam em participar de um jogo perigoso: eles deixam os celulares desbloqueados na mesa, expondo-se ao risco de ligações e mensagens revelarem segredos, mentiras, traições e quetais. Assim, Perfeitos Desconhecidos faz um retrato do carinho e da hipocrisia que podem coexistir nos relacionamentos românticos e de amizade.
Entrevista com Sheron Menezzes

Nascida em Porto Alegre, Sheron Menezzes, 42 anos, mora no Rio desde os 18. Por isso, se considera uma "cariúcha". Em entrevista por e-mail, ela falou sobre a versão brasileira do filme italiano Perfeitos Desconhecidos.
Na sua opinião, o que a adaptação brasileira tem de mais diferente em relação às outras que já foram feitas de Perfeitos Desconhecidos? Qual é o tempero nacional que se destaca?
O que a gente tem é o "molho" brasileiro, sabe? É aquela coisa deliciosa de domingo em família que se destaca em um churrasco. Imagina! Estamos fazendo um churrasco em família e amigos, aqueles amigos que se conhecem desde criança e no caso deles desde a faculdade, e temos aquela coisa que todo brasileiro tem de humor. Então a história vai te conquistando do início ao fim.
Perfeitos Desconhecidos mostra como nossa relação com o celular pode ser nociva: fazemos do aparelho uma extensão do nosso corpo, dependemos demais dele, depositamos ali tanto uma vida secreta quanto uma vida fantasiosa (vide o Instagram). Você pode falar sobre como é a sua relação com o celular e as redes sociais?
Bom! Eu trabalho com isso, né? Uso as redes como trabalho e, claro, às vezes como lazer, mas tenho muito cuidado para que isso não passe do ponto. E o que seria passar do ponto? É a gente deixar de ter relações para ficar no celular, então, prezo muito pelas minhas relações, gosto muito de ligar, gosto de conversar, gosto de estar com as pessoas, gosto de estar por inteira. Quando estou com amigos e família eu não mexo no celular. Eu posto? Posto! Mas mostro minha vida do jeito que quero mostrar. Acho que todo mundo é assim. É a vida real? É! Mas é um pedacinho dela, sabe? Até porque não mostro minha vida em tempo real. Mas mostro como ela é e mostro aquilo que quero mostrar. Temos que ter cuidado para não deixar o celular e as mídias em um proporção maior do que as relações pessoais.

Será que na vida real um grupo de amigos toparia participar do jogo encenado na ficção?
Ah! Não sei (risos). Não sei como é as relações desses amigos, mas o que posso falar por exemplo é que hoje numa situação da minha vida não teria nenhum problema (risos), mas a gente, sei lá, não sei se seria muita intimidade, não sei se quero saber da vida do outro. Eu acho que é bom ter um pouquinho de mistério e segredo, né? (risos) Não sei se faria essa brincadeira, não...
No filme, o celular é o catalisador de revelações que trazem à tona histórias de traição e de hipocrisia. Você acha que nos relacionamentos, sejam os amorosos ou os de amizade, todo mundo trai e mente, mesmo que seja um pouquinho?
Tudo depende das relações que você constrói. Como você alimenta essas relações.
Como foi a experiência de filmar na mesma locação e em ordem cronológica?
Eu achei incrível! O mesmo figurino, sabe? A mesma locação. E a ordem cronológica foi essencial porque a gente vai construído e as vezes é muito difícil a gente construir: como é que estou nesse momento? E agora? E volta, e vai. Então, quando você vai no cronológico, você vai no crescente. E todo o elenco foi nesse crescente tanto na amizade, no conhecimento, na diversão, tanto no pessoal como na ficção. Foi muito gostoso, e a gente viu que nós somos outros colegas do início ao fim do filme, criamos aquela intimidade junto com os personagens.
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