
O diretor e roteirista nova-iorquino Rob Reiner, que foi encontrado morto neste domingo (14) em sua casa, aos 78 anos, junto da esposa, Michele Singer, ambos supostamente assassinados a facadas por um dos filhos, viveu o auge de sua carreira nas décadas de 1980 e 1990.
Nesse período, Reiner, que era filho de outro cineasta, Carl Reiner (1922-2020), e da atriz Estelle Reiner (1914-2008), dirigiu a melhor comédia romântica dos anos 1980 — Harry e Sally: Feitos Um para o Outro (1989) — e dois filmaços baseados em histórias do escritor Stephen King: Conta Comigo (1986) e Louca Obsessão (1990).
Também assinou o cultuado Isto É Spinal Tap (1984), um falso documentário sobre uma fictícia banda britânica de heavy metal, e o drama de tribunal Questão de Honra (1992), que rendeu sua única indicação ao Oscar, na categoria de melhor filme, como um dos produtores.

No Globo de Ouro, Rob Reiner concorreu cinco vezes como melhor ator coadjuvante, pela série Tudo em Família (1971-1979), e quatro vezes como melhor diretor: por Conta Comigo, Harry e Sally, Questão de Honra e Meu Querido Presidente (1995).
Disponível na plataforma de streaming MUBI, que tem sete dias de teste grátis via Amazon Prime Video, Harry e Sally foi escrito por Nora Ephron (1941-2012), a mesma roteirista de Sintonia de Amor (1993) e Mensagem para Você (1998). A trama parte da seguinte pergunta: "Será que homens e mulheres podem ser apenas amigos?". O filme que firmou Meg Ryan como o rosto preferido das comédias românticas descreve de forma saborosa uma história de amor em que os protagonistas buscam por anos a alma gêmea que sempre esteve ao seu lado.
O diretor Rob Reiner acompanha os personagens do título, interpretados por Billy Crystal e Meg Ryan, desde o momento em que se conhecem em Chicago e compartilham uma viagem de carro até Nova York, passando por 12 anos de encontros e desencontros. Há pelo menos uma cena antológica: aquela em que Sally faz corar Harry ao fingir um orgasmo em um restaurante.

Conta Comigo pode ser alugado em Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play e YouTube. Indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado, o filme conta a história de quatro amigos de 12 anos que saem à procura do corpo de um adolescente, em uma jornada que transformará suas vidas para sempre. No elenco, River Phoenix, o irmão mais velho de Joaquin Phoenix, morto aos 23 anos por excesso de cocaína e morfina, e Kiefer Sutherland.
Reza a lenda que Reiner, sabendo que o conto que deu origem ao filme, O Corpo, era um trabalho muito pessoal para Stephen King, Rob Reiner convidou o autor para assistir ao corte final. O diretor perguntou ao escritor o que havia achado da adaptação. Emocionalmente abalado, King pediu licença e deixou o cineasta sozinho.
Quando voltou, o escritor contou que aquela era parte de sua própria história, a começar pelo ponto de partida, levemente inspirado em um episódio de sua infância que a mãe sempre narrava. Os amigos, cuja relação eram bem semelhantes a que foi mostrada na tela, morreram. Ele mesmo tinha problemas com o pai, que deixou a família quando os filhos ainda eram crianças.

Louca Obsessão está no menu do Amazon Prime Video e da MUBI. Lembro como se fosse ontem de ver este aflitivo filme no saudoso Cine Avenida. James Caan interpreta um escritor de sucesso que sofre um acidente de carro e é salvo por uma ex-enfermeira que se revela sua fã número 1 (Kathy Bates, ganhadora do Oscar de melhor atriz). Mas ela não fica nada contente quando descobre os planos do autor para sua personagem preferida.
Trinta e cinco anos depois, Louca Obsessão tornou-se extremamente atual nestes tempos em que fãs se acham donos das obras e querem controlar os artistas.
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