
A Academia de Hollywood divulgou nesta terça-feira (16) os semifinalistas de 12 categorias da 98ª edição do Oscar, que terá seus concorrentes anunciados no dia 22 de janeiro — a cerimônia de premiação está marcada para 15 de março. O Brasil aparece em cinco listas.
O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, entrou na chamada short list dos prêmios de melhor filme internacional e melhor elenco (uma novidade no Oscar). Indicado em três categorias do Globo de Ouro, o título segue em cartaz nos cinemas, onde já ultrapassou a marca de 1 milhão de espectadores.
O curta-metragem Amarela (2024), de André Hayato Saito, foi pré-selecionado para tentar uma vaga nas indicações de melhor curta de ficção. O filme se passa no dia da final da Copa do Mundo de 1998, entre Brasil e França. Interpretada por Melissa Uehara, Erika Oguihara é uma adolescente nipo-brasileira que rejeita as tradições familiares e, segundo a sinopse, "vivencia uma violência que parece invisível e mergulha em um mar doloroso de emoções".
O diretor de fotografia Adolpho Velloso teve reconhecido seu belíssimo trabalho no filme estadunidense Sonhos de Trem (2025), de Clint Bentley, disponível na Netflix.
Na categoria de melhor documentário, dois filmes representam o Brasil entre os 15 semifinalistas.
Um deles é Apocalipse nos Trópicos (2024), de Petra Costa, que examina o papel do movimento evangélico na ascensão de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil. O fio condutor é o pastor Silas Malafaia. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, também tem protagonismo.

Na corrida rumo ao Oscar, Apocalipse nos Trópicos ganhou recentemente dois troféus importantes: melhor produção e melhor roteiro na premiação da International Documentary Association (IDA). O filme pode ser visto na Netflix.
O outro documentário que pode ser indicado ao Oscar é Yanuni (2025), uma coprodução entre Brasil, Alemanha, Austrália, Canadá e EUA dirigida pelo austríaco Richard Ladkani, o mesmo de O Extermínio do Marfim (2016), feito com Kief Davidson, sobre a luta contra os caçadores ilegais de elefantes na África, e Perseguição em Alto Mar: Espécies em Risco (2019), coassinado com Sean Bogle e Matthew Podolsky.
Yanuni tem entre os produtores o ator Leonardo DiCaprio e a cacica Juma Xipaia. Em 2016, quando tinha 24 anos, Juma tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo de cacique do Povo Xipaia na região do Médio Xingu. Agora, é cacica da aldeia Kaarimã, na Terra Indigena (TI) Xipaya, no município de Altamira, no Pará.

O filme retrata a trajetória de Juma Xipaia e de seu marido, o agente do Ibama Hugo Loss, na linha de frente do combate ao garimpo e da preservação da Amazônia e das terras indígenas. Em meio a constantes ameaças, ela ainda vive uma maternidade.
O documentário é uma produção da Malaika Pictures, com produção executiva de Eric Terena, e conta com participações das artistas indígenas Katu Mirim e Djuena Tikuna, na construção da trilha sonora. Yanuni recebeu o prêmio de melhor longa-metragem documental no Jackson Wild Media Awards, considerado o Oscar do cinema de natureza, e venceu a categoria de documentário no Red Nation, maior festival de cinema de povos originários e indígenas. No Brasil, foi eleito pelo público o melhor doc da Mostra Internacional de São Paulo.
A data de estreia (no cinema ou no streaming) ainda não foi divulgada.
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