
Demorou, mas o premiado filme chileno O Castigo (El Castigo), que estreou em 2022 no circuito dos festivais, finalmente chegou aos cinemas de Porto Alegre. O título dirigido por Matías Bize entra em cartaz nesta quinta-feira (11) no CineBancários e, a partir de sexta (12), também tem sessões na Sala Norberto Lubisco da Casa de Cultura Mario Quintana.
Bize é o mesmo diretor de A Vida dos Peixes (2010), vencedor do Goya, da Academia Espanhola, de melhor filme ibero-americano. O Castigo tem uma coleção de prêmios. No Festival de Pequim, na China, conquistou o Tiantan de melhor filme. No Festival de Málaga, na Espanha, recebeu o troféu de melhor direção. No Tallinn Black Nights, na Estônia, Antonia Zegers foi eleita a melhor atriz. No Cine Ceará, em Fortaleza, ganhou na categoria de fotografia, assinada por Gabriel Díaz, e na escolha da crítica.
A narrativa se desenrola em tempo real, ao longo de aproximadamente 85 minutos, e tem basicamente apenas dois atores em cena: Antonia Zegers, protagonista da série La Jauría (2019-2022), e Néstor Cantillana, coadjuvante em No Lugar da Outra (2024). Ambos já haviam trabalhado juntos em No (2012), filme chileno que concorreu ao Oscar internacional.

Zegers interpreta Ana, e Cantillana faz o papel de Mateo. Quando o filme começa, os dois estão dentro de um carro, com ela ao volante, dirigindo em meio a uma floresta. Trata-se de um casal que tem um filho de sete anos, Lucas. Logo descobrimos que, como castigo por um comportamento ruim do guri, a mãe decidiu deixá-lo à beira da estrada, sozinho.
O marido acha que o tempo transcorrido já foi suficiente e pede para voltarem. Ao retornarem, dois minutos depois de iniciado o castigo, Lucas não está mais no local onde os pais o deixaram. Sumiu. Será que se embrenhou na floresta? Será que embarcou em outro carro que possa ter aparecido? Será que está apenas escondido, "aprontando" mais uma vez, como desconfia a mãe?
Seja como for, não saber onde está seu filho é o pesadelo de qualquer pai. Talvez O Castigo seja um filme mais frio e cerebral do que a situação sugere, mas as emoções e as indagações expressadas são genuínas e incisivas. A busca desesperada de Ana e Mateo também revela sentimentos, ou melhor, ressentimentos que estavam submersos.
O diretor Matías Bize disse o seguinte sobre seu filme, que tem roteiro de Carol Cruz, coautora do ótimo terror espanhol Veronica (2017):
— O Castigo narra a crise de um casal após o desaparecimento do filho, vítima de um castigo impulsivo e desproporcional infligido pelos pais no meio de uma rodovia. O filme começa no meio do conflito e, assim, mantém um certo suspense sobre o motivo do castigo. Quero que o público se envolva emocionalmente e acompanhe os personagens enquanto descobrem seus próprios segredos. O suspense da narrativa se baseia em saber se eles encontrarão o menino antes da chegada da noite, mas o interesse também é despertado pela descoberta gradual da verdade mais oculta dos personagens. O público será cúmplice de suas mentiras, daquilo que tentam esconder, e isso permitirá que participe de suas contradições, seus medos e suas fraquezas.

Um dos principais temas é a maternidade — as expectativas e as cobranças, as diferentes perspectivas sobre conceber e criar uma criança que há se somos o pai ou a mãe. Ana descreve o processo como "exaustivo" e "assustador". Não sabe se o amor de um filho compensa todas as suas renúncias — não só as do âmbito profissional, mas as pessoais. "Deixar de desejar é como deixar de existir", ela diz.
Ana expõe uma visão nada edulcorada da maternidade e faz afirmações que chocam o marido. As angústias da personagem refletem as de muitas mulheres: uma decisão ruim torna uma mãe ruim? Podemos amar nossos filhos, mas odiar cuidar deles?
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter.
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano





