
Estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas de Porto Alegre Valor Sentimental (Affeksjonsverdi, 2025), filme dirigido pelo norueguês Joachim Trier que recebeu oito indicações ao Globo de Ouro. É um dos rivais do brasileiro O Agente Secreto na categoria de longa em língua não inglesa (e provavelmente vai concorrer também ao Oscar internacional). A premiação organizada pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood será realizada no dia 11 de janeiro.
No Globo de Ouro, Valor Sentimental também disputa os troféus de melhor filme de drama, direção, atriz em drama (Renate Reinsve), ator coadjuvante (Stellan Skarsgård), atriz coadjuvante (com Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleaas) e roteiro (assinado por Joachim Trier e Eskil Vogt). Entre outros prêmios, o título conquistou o Grand Prix do Festival de Cannes, o segundo mais importante na competição francesa.
Primo distante do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, Joachim Trier, 51 anos, é um dos mais prestigiados diretores escandinavos da atualidade. Seu currículo inclui Oslo, 31 de Agosto (2011) e A Pior Pessoa do Mundo (2021), que disputou o o Oscar nas categorias de filme internacional e roteiro original, além de valer a Renate Reinsve o troféu de melhor atriz em Cannes.

Valor Sentimental está ambientado em Oslo, onde Reinsve interpreta Nora, uma atriz de teatro bem-sucedida, mas com flagrante insegurança: na abertura do filme, ela tem uma crise instantes antes de entrar no palco para protagonizar uma peça. A protagonista é filha de Gustav Borg (personagem de Stellan Skarsgård), um ex-renomado cineasta norueguês que está planejando um grande retorno com um roteiro baseado em sua própria família, e irmã de Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), uma ex-atriz mirim que agora trabalha como historiadora, é casada e tem um filho de seis ou sete anos, Erik.
A morte de Sissel, a mãe de Nora e Agnes, promove um reencontro familiar. Gustav tinha se afastado havia muito tempo, desde o divórcio, por causa das constantes brigas com a esposa. Como indicam as fissuras na parede exibidas nas primeiras cenas de Valor Sentimental, a bonita casa dos Borg é marcada por esse clima belicoso do casal e por uma tragédia ocorrida no passado.
Como resumiu o crítico gaúcho Rodrigo de Oliveira na revista digital Almanaque 21, a história de Valor Sentimental não é inédita: "quantos filmes já vimos em que um pai de família obcecado por seu trabalho se desliga emocionalmente de sua prole e tenta uma reconexão?".
Ao rever Nora, com quem sua relação é pautada ora pelo silêncio, ora pela desavença, ora pelo menosprezo, Gustav oferece a ela o papel principal no seu novo filme. Diante da recusa da filha, o diretor procura uma jovem estrela de Hollywood, Rachel Kemp (vivida por Elle Fanning).

Com esse enredo e ancorado pelas atuações tão intensas quanto nuançadas de Reinsve e Skarsgård, Joachim Trier reflete sobre como muitas vezes usamos a arte para expressar aquilo que não conseguimos colocar em palavras, para nos comunicarmos com quem temos dificuldade de lidar e para, quem sabe, curar cicatrizes emocionais.
É um belo filme, mas não acho que seja uma "obra magistral", como definiu o crítico Inácio Araújo na Folha de S.Paulo. Para mim, disse bem menos do que Oslo, 31 de Agosto e A Pior Pessoa do Mundo e, na categoria do Globo de Ouro de longa-metragem em língua não inglesa, é bastante inferior aos três que já pude ver: Foi Apenas um Acidente, O Agente Secreto e Sirat.
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