
A primeira sessão em Porto Alegre de Futuro Futuro (2025), filme gaúcho que venceu o 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em setembro, ocorre neste sábado (15), às 19h. A exibição será na Cinemateca Capitólio, com entrada franca e por ordem de chegada. O título abre a programação da Mostra Mundificação, realizada pelo Cine Esquema Novo em conjunto com o Kino Beat Festival.
Escrito e dirigido por Davi Pretto, Futuro Futuro ganhou os troféus Candango de melhor longa-metragem, melhor roteiro e melhor montagem (de Bruno Carboni). Também recebeu uma menção honrosa, para o ator Zé Maria Pescador.
Futuro Futuro é o quarto longa de Pretto, realizador de Castanha (2014), Rifle (2016) e Continente (2024). Sua primeira exibição ocorreu em julho, no 59º Festival de Karlovy Vary, na República Tcheca, a quinta competição mais antiga da Europa — começou em 1946, mas ocorria ano sim, ano não entre 1959 e 1993.
Trata-se de uma produção da Vulcana Cinema, a mesma dos títulos anteriores de Davi Preto e também dos documentários 5 Casas (2020), de Bruno Gularte Barreto, e Memórias de um Esclerosado (2024), de Thais Fernandes e Rafael Corrêa, e das ficções Tinta Bruta (2018) e Ato Noturno (2025), de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, e O Acidente (2022), de Bruno Carboni.
— Futuro Futuro é uma ficção científica nada convencional e de baixíssimo orçamento sobre uma distopia IA em um futuro próximo no Brasil, onde uma nova síndrome neurológica afeta parte da população — contou em entrevista para mim, em julho, Paola Wink, uma das sócias da Vulcana. — O filme reflete sobre os perigos cognitivos e políticos dos avanços da inteligência artificial, tecnologia que tem mudado o mundo do trabalho, das relações sociais e alterado a nossa percepção do que é real e o que não é. Ao mesmo tempo, o filme se debruça sobre os desafios e limitações do próprio fazer cinema independente em um mundo transformado por catástrofes climáticas constantes e por imagens artificiais que redefinem radicalmente nosso olhar e nosso imaginário.

Jessica Luz, a outra sócia da Vulcana, acrescentou, dando contexto:
— Futuro Futuro foi criado e desenvolvido durante a pandemia, durante a crise do governo de Jair Bolsonaro, quando o nosso país estava dividido em dois. Foi essa a motivação principal do Davi Pretto para criar esse filme, um projeto com orçamento reduzidíssimo desenvolvido em um momento em que a indústria do cinema estava completamente devastada. O Davi trouxe essa ideia e aí fomos contemplados com um edital do FAC do Rio Grande do Sul, em parceria com o Fundo Setorial. A gente estava com esse projeto financiado há um bom tempo, mas impossibilitados de gravar, por causa da pandemia. Naquele momento, o mundo já era outro: ainda dividido, mas com questões de inteligência artificial muito fortes que também dividem a gente, algo que o Davi trouxe com ainda mais peso pro filme. E como se não bastasse a pandemia, a gente teve a enchente em Porto Alegre que foi devastadora para as pessoas, para a nossa indústria, para o nosso trabalho. Durante as filmagens de Futuro Futuro, fomos diretamente impactados, pois estávamos filmando no centro de Porto Alegre quando a água subiu. Tivemos que interromper as filmagens, o que nos abalou profundamente, tanto emocionalmente quanto financeiramente.
Segundo sinopses divulgadas de Futuro Futuro, um homem de 40 anos chamado K, sem memória, é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos, na parte empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira. Após usar um viciante dispositivo de IA em um curso para pessoas com a estranha síndrome neurológica citada por Paola Wink, "K embarca em uma jornada trágica e absurda em busca de seu lugar no mundo".
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