
O final de novembro foi extremamente generoso com quem prefere ver filmes no streaming — e dispõe não apenas de acesso a várias plataformas, mas de tempo.
Como o fim de semana chegou, resolvi fazer uma lista com os melhores títulos lançados recentemente por Amazon Prime Video (ou por serviços parceiros), HBO Max, MUBI, Netflix e Telecine.
Há clássicos e filmaços deste ano, há diretores da Austrália, do Brasil, da Coreia do Sul, da Grécia... A ordem é puramente alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Carrie, a Estranha (1976)

De Brian De Palma. O banho de sangue é uma imagem antológica deste que é um dos grandes filmes do diretor. Mas o tom é de um pujante thriller psicológico centrado no processo de amadurecimento de uma adolescente (Sissy Spacek, indicada ao Oscar de melhor atriz), entre a sufocante convivência com a mãe (Piper Laurie, que concorreu ao Oscar de coadjuvante), uma fanática religiosa, e o inferno que vive na escola — ela sofre bullying dos colegas vividos pelos então novatos John Travolta e Amy Irving. (Netflix)
2) Dente Canino (2009)

De Yorgos Lanthimos. Inspirado no estilo de Michael Haneke, o diretor grego assina um drama psicológico com elementos do absurdo. Na trama, marido e esposa (Christos Stergioglou e Michelle Valley) mantêm seus três jovens filhos (Angeliki Papoulia, Christos Passalis e Mary Tsoni) ignorantes sobre o mundo fora de suas propriedades — uma cerca alta delimita até onde eles podem brincar. Isso mesmo: apesar de adultos, o trio se envolve diariamente em jogos infantis. Mas um deles, o rapaz, pode fazer sexo. Aí, a curiosidade leva uma das irmãs a desafiar o estado das coisas. Além de ser indicado ao Oscar internacional, Dente Canino conquistou a mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes. (MUBI)
3) Depois da Caçada (2025)

De Luca Guadagnino. A atriz Julia Roberts interpreta Alma, uma professora de Filosofia da Universidade de Yale, nos EUA, casada com o psiquiatra Frederik (Michael Stuhlbarg, que rouba a cena). Os dois fazem parte da elite intelectual do país e costumam convidar amigos, colegas e estudantes para visitar sua enorme casa, onde taças e mais taças de vinho embalam conversas envaidecidas sobre Nietzsche, Heidegger, Hegel e Foucault. Um tique-taque alto e incessante que se ouve durante os primeiros minutos de Depois da Caçada alerta o público: há uma bomba-relógio por ser detonada. A crise explode no dia seguinte de uma festa. Maggie (Ayo Edebiri), aluna de Alma prestes a apresentar sua tese de PhD, procura a tutora e acusa o professor Hank (Andrew Garfield) de estupro. A partir daí, o diretor italiano discute o #MeToo, a cultura do cancelamento e a Geração Mimimi. (Amazon Prime Video)
4) Os Enforcados (2024)

De Fernando Coimbra. A Babilônia da era antes de Cristo se conecta à Escócia do século 11 e ao Rio de Janeiro dos anos 2020 na segunda parceria do cineasta com a atriz Leandra Leal. Como O Lobo Atrás da Porta (2013), Os Enforcados é outro ótimo suspense urbano ambientado no Rio com crime e paixão. Leandra interpreta Regina, que, como a Lady Macbeth de Shakespeare, vai incentivar o marido, Valério (Irandhir Santos), a matar o tio Linduarte (Stepan Nercessian) para assumir o trono no mundo do jogo do bicho. (Telecine)
5) Entre Quatro Paredes (2001)

De Todd Field. Tudo começa com a perseguição amorosa de um casal em uma paisagem campestre. Deitados sobre a grama, banhados pelo sol, os dois manifestam, com poucas palavras, toda a felicidade que pode haver nessa vida. O rapaz é Frank (Nick Stahl), filho único do médico Matt Fowler (Tom Wilkinson) com a professora de canto Ruth (Sissy Spacek), ambos cinquentões, com quem o calouro de Arquitetura passa as férias de verão. A paixão de Frank é Natalie (Marisa Tomei), mãe de dois meninos e ex-esposa do intrusivo Richard Strout (William Mapother). O começo idílico de Entre Quatro Paredes camufla a tempestade que está por vir neste drama que recebeu cinco indicações ao Oscar: melhor filme, atriz (Sissy Spacek), ator (Tom Wilkinson), atriz coadjuvante (Marisa Tomei) e roteiro adaptado. (Looke, que pode ser acessado via Amazon Prime Video, com 30 dias de teste grátis)
6) Faça Ela Voltar (2025)

De Danny Philippou e Michael Philippou. Depois da morte do pai, os irmãos Andy (Billy Barratt), 17 anos, e a sua irmã mais nova, Piper (Sora Wong), que tem deficiência visual, são enviados para um lar adotivo, o da excêntrica Laura (Sally Hawkins, digna de indicação ao Oscar), que também acolhe um menino mudo chamado Oliver (Jonah Wren Phillips, assombroso). Ambientado na Austrália, Faça Ela Voltar é o melhor filme de terror deste ano. Vale avisar que pode ser perturbador: prepare-se para se sentir mal e quem sabe até soltar um grito pelo choque de uma cena. (HBO Max)
7) Parasita (2019)

De Bong Joon-ho. Primeira produção não falada em inglês a conquistar o Oscar de melhor filme, Parasita se passa em Seul, capital da Coreia do Sul. O diretor acompanha uma família de desempregados que enxerga uma chance de ascensão quando o filho, Ki Woo (papel de Choi Woo-sik), ganha a oportunidade de se passar por professor de inglês para a filha adolescente de um casal abastado. Ao retratar o fosso que separa os ricos e os pobres, o filme vai da comédia farsesca ao drama com crítica social, passando pelo thriller policial e flertando com o terror urbano. (Netflix)
8) Pequenas Coisas Como Estas (2024)

De Tim Mielants. Depois de ganhar o Oscar de melhor ator por Oppenheimer (2023), uma superprodução que custou US$ 100 milhões, traz cerca de 80 nomes no elenco e tem três horas de duração, Cillian Murphy resolveu protagonizar um drama de orçamento modestíssimo — US$ 3 milhões —, que empregou pouco mais de 30 atores e atrizes e dura menos do que cem minutos. Pequenas Coisas Como Estas é um pequeno grande filme que retrata um terrível pecado da Igreja Católica irlandesa. (Reserva Imovision, que pode ser acessada via Amazon Prime Video com 30 dias de teste grátis)
9) Sonhos de Trem (2025)

De Clint Bentley. Bem cotado para receber indicações ao Oscar, o filme tem uma pegada de Terrence Malick, diretor de Além da Linha Vermelha (1998), O Novo Mundo (2005) e A Árvore da Vida (2011). Há, por exemplo, muitas cenas em meio à natureza (com um belíssimo trabalho do diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso) e uma narração em off com reflexões filosóficas. Baseado no romance homônimo de Denis Johnson, conta a história de um homem comum e introspectivo, encarnado com a autenticidade e a dramaticidade habituais de Joel Edgerton. Trata-se de Robert Granier, que trabalhava como lenhador e ajudou na construção de pontes e expansão de ferrovias. Quase por acaso, ele acaba conhecendo uma mulher, Gladys (Felicity Jones), e formando uma família. A felicidade será golpeada neste filme poético sobre o que constitui o que chamamos de vida e as marcas que podemos deixar. (Netflix)
10) Veludo Azul (1986)

De David Lynch. Uma orelha cortada em decomposição sobre a grama; os lábios vermelhos de uma cantora de cabaré interpretada por Isabella Rossellini; um sinistro homem com nanismo; Dennis Hopper no papel de um psicopata; a inebriante trilha sonora de Angelo Badalamenti. Com Veludo Azul, o cineasta David Lynch (1946-2025) firmou no imaginário do espectador seu mundo surrealista e foi indicado ao Oscar de melhor direção. (Netflix)
Bônus: coleção Jason Bourne (2002-2016)

Sem alarde, a Netflix adicionou ao seu menu os cinco filmes de um personagem que exerceu grande influência nos gêneros da ação e da espionagem: Jason Bourne. O desmemoriado assassino de elite da CIA foi interpretado por Matt Damon em A Identidade Bourne (2002), de Doug Liman, A Supremacia Bourne (2004), O Ultimato Bourne (2007) e Jason Bourne (2016), todos de Paul Greengrass. Também entrou no catálogo O Legado Bourne (2012), dirigido por Tony Gilroy e protagonizado por Jeremy Renner, sem impacto algum na trama que encerrou a franquia.
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