
A Sala Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, exibe às 19h30min desta sexta-feira (24) um filme obrigatório no mês do Halloween, que é celebrado em 31 de outubro.
Trata-se de Halloween (1978), de John Carpenter, que no Brasil ganhou o subtítulo A Noite do Terror. Depois da sessão, haverá debate com o crítico Waldemar Dalenogare Neto, que soma mais de 300 mil seguidores no seu canal do YouTube, o Dalenogare Críticas. Os ingressos custam R$ 20.
O filme começa em uma noite de Halloween, em 1963, quando o menino Michael Myers mata sua irmã adolescente a facadas. Quinze anos depois, ele escapa do hospital psiquiátrico e retorna à pequena e fictícia cidade de Haddonfield para matar novamente.

— Halloween definiu o subgênero slasher no cinema de maneira permanente — diz o porto-alegrense Dalenogare, 34 anos, que também é historiador e professor universitário. — O filme estabeleceu uma fórmula que seria alvo de inúmeras inspirações e cópias envolvendo um assassino sobrenatural padrão Michael Myers e também a final girl. Com um orçamento extremamente enxuto, John Carpenter e a sua equipe apostaram na economia narrativa, usando suspense, sombras e sugestão ao invés de gore explícito. Isso tudo com uma trilha inesquecível que até hoje é uma das mais lembradas e influentes do terror.
Criado por Carpenter com a roteirista e produtora Debra Hill, Michael Myers foi um dos pioneiros entre os maníacos homicidas que marcam o subgênero slasher — veio depois do Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica (1974) e antes do Jason Voorhees de Sexta-Feira 13 (1980).
O personagem mascarado e sempre calado já nasceu como algo quase sobrenatural, essencialmente maligno e virtualmente imparável — uma força da natureza a assombrar a cidadezinha de Haddonfield e a adolescente Laurie Strode (interpretada por Jamie Lee Curtis). Em Halloween Kills: O Terror Mata (2021), penúltimo filme da franquia até aqui, o policial Hawkins (papel de Will Patton) descreveu Michael Myers assim:
— É uma criança de seis anos em um corpo de homem e com a mente de uma fera.
O filme original suscitou muitas leituras críticas. Uns analisaram como condenação dos prazeres juvenis (sobretudo o sexo). Outros reclamaram do incentivo à identificação do espectador com um personagem sádico (uma vez que a câmera assume o ponto de vista de Michael Myers). E houve quem visse uma zombaria da ilusão de segurança proporcionada pelos típicos subúrbios estadunidenses (como se nesses ambientes os pais pudessem proteger os filhos das influências negativas).
John Carpenter, hoje com 77 anos, costuma rejeitar essas leituras, dizendo que só queria fazer "um bom e velho filme de casa assombrada".
Fato é que Michael Myers incrustou-se no imaginário popular e já apareceu em 13 filmes. Oficialmente, no entanto, só existem quatro: o Halloween original e a trilogia dirigida por David Gordon Green — Halloween (2018), Halloween Kills e Halloween Ends (2022).

Estes três títulos são continuações diretas do filme de 1978, com Jamie Lee Curtis retomando o papel de Laurie Strode, que novamente se vê ameaçada pelo Michael Myers encarnado pelo ator e dublê James Jude Courtney, 1m91cm — e "dublado" por Nick Castle, que viveu o personagem na primeira vez, nos momentos em que ofega.
Em que pesem o nítido aperto orçamentário e uma certa lentidão característica de sua época, o Halloween de 1978 revela um mestre na carpintaria do suspense e do mal: Carpenter constrói uma atmosfera absolutamente perturbadora, que é potencializada por sua música aflitiva e sinistra, composta pelo próprio diretor.
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