
Dizem que todo mundo adora séries policiais. Então, é possível que você já tenha assistido às dicas listadas abaixo.
Se ainda não viu, que tal aproveitar a chegada do fim de semana para maratonar pelo menos uma das cinco melhores minisséries de 2025 protagonizadas por homens e mulheres que caçam toda sorte de criminosos? Tem assassino, tem sequestrador, tem incendiário...
Importante frisar: embora estejam do lado da lei, os personagens principais não necessariamente são exemplares. Erram no trabalho, convivem com demônios interiores e podem até cometer crimes.
A ordem é apenas alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Os Assassinatos de Åre (2025)

Nas séries policiais nórdicas, como esta minissérie da Suécia, as condições climáticas e as paisagens geladas são personagens à parte. A neve tanto funciona como um símbolo de isolamento e opressão quanto sugere que há fatos e sentimentos ocultos. O figurino do elenco de carne e osso, com casacos, mantas e gorros, aumenta a carga de mistério. O frio não freia a violência, e o branco da neve intensifica o vermelho do sangue.
As histórias costumam reunir crimes bárbaros, pistas intrigantes, personagens ambíguos, múltiplos suspeitos, segredos do passado e policiais com problemas. Não raro, abordam também relações familiares, bastidores políticos e chagas sociais.
Os Assassinatos de Åre tem quase todos esses ingredientes. Com direção de Alain Darborg e Joakim Eliasson, os cinco episódios adaptam dois livros da escritora Viveca Sten.
No primeiro caso, a detetive Hanna Ahlander (papel de Carla Sehn) encerra suas férias forçadas após o aparecimento de um cadáver no teleférico da estação de esqui de uma cidadezinha turística. A segunda trama começa com a descoberta de uma cabeça enterrada na neve, perto dos trilhos de uma ferrovia. (Netflix, 5 episódios)
2) Cortina de Fumaça (2025)

Com um epílogo antológico, a minissérie em nove episódios investiga um tipo de crime mais raro nas produções do gênero: os incêndios criminosos. As perguntas levantadas despertam mais curiosidade do que o habitual: quais são as motivações dos incendiários? Qual é o seu modus operandi? O que o fogo traz de recompensa? O que a fumaça pode estar encobrindo?
Cortina de Fumaça é inspirada no podcast Firebug, sobre os crimes do incendiário John Leonard Orr, que atemorizou o sul da Califórnia, nos Estados Unidos, durante quase 10 anos (1984 a 1991). A série foi criada e escrita por Dennis Lehane, autor de romances policiais que costumam ser adaptados para o cinema (seus livros deram origem a filmes como Sobre Meninos e Lobos, Medo da Verdade e Ilha do Medo).
A trama se passa na fictícia cidade estadunidense chamada Umberland, localizada em um Estado inventado, Orrington. Taron Egerton interpreta Dave Gudsen, um investigador de incêndios criminosos que tem pretensões literárias.
A contragosto, Gudsen terá de formar uma dupla com a detetive Michelle Calderone (Jurnee Smollett), uma policial que carrega um pesadíssimo trauma familiar relacionado justamente a fogo. O objetivo é deter não apenas um, mas dois incendiários que vêm agindo na região, ora causando apenas danos materiais e prejuízos financeiros, ora provocando mortos e feridos. (Apple TV+, 9 episódios)
3) Dept. Q (2025)

Ambientada na Escócia, tem nove episódios, mas você vai querer ver todos em uma sentada. Tudo começa quando um detetive arrogante e sarcástico, Carl Morck (Matthew Goode), e seu parceiro, Hardy (James Sives), atendem ao chamado de um jovem policial para visitar a cena de um crime, onde há um homem morto com uma faca enfiada no crânio. Algo dá muito errado.
Três meses depois, Morck escamoteia seu trauma e sua culpa com impaciência e rabugice durante uma das consultas obrigatórias com a terapeuta da polícia (Kelly Macdonald). Ao voltar para o trabalho, ele é designado pela chefe para comandar um novo departamento, dedicado aos chamados cold cases, aqueles casos nunca solucionados. Entrementes, conhecemos a ambiciosa e implacável promotora Merritt Lingard (Chloe Pirrie). Ela surge atuando no tribunal, onde tenta convencer os jurados de que um rico e influente homem de negócios é o responsável pela morte brutal da sua esposa.
Cabe ao espectador da série desenvolvida por Scott Frank e Chandni Lakhani a partir de um romance policial dinamarquês descobrir como as duas histórias se conectam, porque desde o primeiro capítulo Dept. Q propõe enigmas a serem elucidados não só pelos agentes da lei, mas também pelo público.
Somos estimulados a investigar junto — e somos cobrados a prestar atenção. Volta e meia podemos sentir a vontade ou a necessidade de apertar o pause para relembrar um fato ou uma informação dado anteriormente e que agora é visto por um outro ângulo ou interpretado de outra maneira. (Netflix, 9 episódios)
4) Task (2025)

A minissérie foi criada por Brad Ingelsby, o mesmo da maravilhosa Mare of Easttown (2021). Task também se passa nos subúrbios da Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, nos EUA, e de novo foca a classe trabalhadora. Outra vez, o protagonista é um policial com problemas familiares. Mas a série anterior era sobre mães, e esta é sobre pais.
Tom Brandis (papel de Mark Ruffalo) é um ex-padre católico que virou agente do FBI e que agora atua como recrutador nas universidades — ele se afastou do trabalho de campo após uma tragédia em seu lar. Um dia, porém, Tom é convocado para chefiar uma força-tarefa que investiga uma série de assaltos a casas de drogas comandadas pela gangue de motoqueiros Dark Hearts.
Quatro vezes indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante — por Minhas Mães e Meu Pai (2010), Foxcatcher (2014), Spotlight: Segredos Revelados (2015) e Pobres Criaturas (2023) —, Ruffalo é o astro da série. Mas quem rouba a cena é o bem menos famoso Tom Pelphrey, na pele de Robbie Prendergrast. Robbie mora na casa de seu falecido irmão com seus dois filhos pequenos e sua sobrinha, Maeve (Emilia Jones). Aproveitando o emprego de coletores de lixo, ele e o amigo Cliff mapeiam os endereços dos Dark Hearts que podem ser assaltados. Certa noite, a ação vira um desastre, e Robbie acaba sequestrando o menino Sam, tanto para evitar que haja uma testemunha quanto para impedir que o guri saiba da morte dos seus pais.
A relação carinhosa que Robbie estabelece com Sam remete à de um belíssimo filme de Clint Eastwood, Um Mundo Perfeito (1993). Torcemos para que o personagem se salve em meio ao fogo cruzado que vai se armando entre as forças da lei, a gangue de Jayson Wilkes e Perry Dorazo (Jamie McShane, que só precisa firmar o olhar para amedrontar) e outros traficantes. (HBO Max, sete episódios)
5) A Última Fronteira (2025)

É uma série perfeita para fãs dos filmes de ação e suspense dos anos 1990, como Caçadores de Emoção (1991), O Fugitivo (1993), A Rocha (1996), Con Air: A Rota da Fuga (1996) e Inimigo do Estado (1998).
A série foi criada por Jon Bokenkamp, o autor de Lista Negra (2013-2023), e Richard D'Ovidio. O cenário é o Alasca, o maior Estado dos EUA em extensão territorial e o mais escassamente povoado. Situado no noroeste do Canadá e isolado do resto do seu país, tem invernos longos e frios que cobrem de neve suas montanhas e planícies.
O personagem principal é o policial federal Frank Remnick (Jason Clarke), que mora em Fairbanks, cidade com 31 mil habitantes, e está pensando em mudar de vida: quer transformar cabanas em uma estalagem a ser administrada por sua esposa, a enfermeira Sarah, com quem tem um filho adolescente. Seu cotidiano tranquilo — consta que só disparou duas vezes seu revólver nos últimos três anos — é virado de ponta-cabeça quando um avião transportando prisioneiros cai na natureza selvagem, deixando livres dezenas de criminosos violentos.
Dedicado a cumprir a promessa de manter a cidade segura, Frank começa a desconfiar que o desastre não foi um acidente. A suspeita é alimentada pela chegada ao Alasca da agente da CIA Sidney Scofield (Haley Bennett). Ela procura um suposto traidor da pátria conhecido pelo codinome Havlock (Dominic Cooper), um dos passageiros da aeronave. A partir daí, A Última Fronteira adiciona uma trama de espionagem, com segredos e reviravoltas, às eletrizantes cenas de ação. (Apple TV+, 10 episódios; o 5º capítulo estreia no dia 31/10)
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