
Por apenas R$ 6,90, você pode alugar no Amazon Prime Video um filme que é do tipo um em um milhão. Raríssimas vezes eu vi uma história tão espantosa como a de Mesa Maldita (La Mesita del Comedor, 2022), do diretor espanhol Caye Casas, que foi exibido com o título A Mesa da Sala de Jantar no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre (Fantaspoa) de 2023.
Esse é o segundo longa-metragem de Casas, que antes dirigiu com Albert Pintó Matando Deus (2017), mistura de comédia com terror na qual as férias de uma grande família são interrompidas pelo aparecimento de uma pessoa com nanismo que, dizendo ser Deus, avisa que na manhã seguinte todos os seres humanos vão morrer — à exceção de dois. O filme venceu o prêmio do público no Festival de Sitges, na Catalunha (Espanha).
Mesa Maldita tem uma coleção de troféus em eventos dedicados ao cinema de horror: melhor filme no Festival de Bruxelas; prêmio do público no Macabro, na Cidade do México; melhor ator (David Pareja) e melhor roteiro (Caye Casas e Cristina Borobia) no Fantaspoa; melhor filme, ator, atriz (Estefanía de los Santos) e roteiro no A Night of Horror, mostra realizada em Sydney, na Austrália; melhor filme, ator e roteiro no Grimmfest, em Manchester, na Inglaterra.
O filme começa como uma comédia engraçadíssima: Jesús (papel de David Pareja) e María (Estefania de los Santos), pais do recém-nascido Cayetano, estão em uma loja de móveis, onde um vendedor picareta (Eduardo Antuña) tenta convencer o casal a comprar "la mesita del comedor" do título original. É a mesinha de centro Röret, uma peça de "design sueco, pintada em bronze, com vidro inquebrável, sobre uma estrutura com a imagem de duas belas garotas, feitas em marfim e banhadas numa perfeita imitação de ouro".
O marido quer levar, a esposa não. Mas como ela já escolheu as cores do apartamento, o dia do casamento, o terno que ele vai usar, o vestido da sogra, a hora de ter um filho e o nome do guri ("Um nome ruim, de toureiro fascista!", o pai reclama), Jesús pode curtir uma rara e pequena vitória no dia em que vão receber a visita de seu irmão, Carlos (Josep Maria Riera), e de sua namorada de 18 anos, Cris (Claudia Riera).

E mais não dá para dizer sobre este filme espanhol de baixíssimo orçamento (40 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 250 mil) que toma um caminho desnorteante, oferecendo uma trama absolutamente incomum e nos colocando em uma situação absurdamente aflitiva, na qual um dos personagens sabe de algo que os outros desconhecem. Enquanto o resto do elenco continua trabalhando como se estivesse em uma comédia, esse solitário personagem vive um legítimo filme de terror.
Prepare-se para suar frio, quem sabe até ficar nauseado, mas não perca. Você nunca viu nada igual.
E não sou só eu quem diz isso.
Um fã de Mesa Maldita é Stephen King, mestre do suspense e do horror. Na sua conta no X, o antigo Twitter, o escritor estadunidense recomendou: "Imagino que você nunca, nem uma vez na vida, viu um filme tão sombrio quanto este. É horrível e também terrivelmente engraçado. Pense no sonho mais sinistro dos irmãos Coen".
É assinante mas ainda não recebe a minha carta semanal exclusiva? Clique AQUI e se inscreva na minha newsletter.
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano





