
Ao anunciar O Agente Secreto (2025) como o concorrente do país a uma vaga no Oscar 2026 de melhor filme internacional, a Academia Brasileira de Cinema confirmou o enorme prestígio do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho.
Em maio, Kleber recebeu o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes por esse thriller político ambientado em Recife, em 1977, durante a ditadura militar. O Agente Secreto também valeu a Wagner Moura o troféu de melhor ator e foi eleito o melhor filme do evento pela Federação Internacional dos Críticos de Cinema (Fipresci).
A estreia nos cinemas do Brasil será no dia 6 de novembro. Enquanto O Agente Secreto não chega, dá para maratonar no streaming os cinco longas-metragens anteriores de Kleber. Clique nos links se quiser saber mais.
Crítico (2008)

É um documentário que discute o cinema a partir da fricção ou mesmo conflito entre o artista e o observador. Reúne depoimentos de diversos cineastas e críticos que Kleber entrevistou entre 1998 e 2007, na época em que também trabalhava na imprensa.
Os diretores entrevistados incluem o iraniano Jafar Panahi (que foi premiado com a Palma de Ouro em 2025 por Foi Apenas um Acidente), o grego Costa-Gavras, o francês Bertrand Bonello, o estadunidense Richard Linklater, o alemão Tom Tykwer, o finlandês Aki Kaurismäki e os brasileiros Walter Salles, Carlos Reichenbach, Eduardo Coutinho, Karim Aïnouz, Jorge Furtado e Cláudio Assis. Ele também ouviu colegas de ofício como a francesa Sophie Avon, Pedro Butcher e Ruy Gardnier. (MUBI e para aluguel em Apple TV, Google Play e YouTube)
O Som Ao Redor (2012)

Mesclando drama, suspense e crítica social, coloca uma lupa sobre um bairro de classe média de Recife, onde boa parte dos imóveis pertence à família de um oligarca da cana de açúcar. Os moradores aceitam a vigilância oferecida por uma milícia. Alguns comemoram a tranquilidade trazida pelos seguranças particulares, mas outros vivem momentos de muita tensão.
Estrelado por Maeve Jinkings, Irandhir Santos e Gustavo Jahn, O Som ao Redor ganhou quatro Kikitos no Festival de Gramado — melhor filme, direção, som e prêmio do público — e foi escolhido como um dos melhores do ano pelo jornal The New York Times. (Netflix e Telecine)
Aquarius (2016)

Sônia Braga faz o papel de Clara, a última moradora de um prédio na praia de Boa Viagem, em Recife. Ela vive sendo assediada por uma imobiliária para vender o apartamento — a ideia é derrubar o edifício e construir no local um empreendimento maior e "mais moderno".
O elenco inclui Maeve Jinkings, Irandhir Santos e Humberto Carrão, e a trilha sonora vai de Another One Bites the Dust (Queen) a Pai e Mãe (Gilberto Gil), de Hoje (Taiguara) a Recife Minha Cidade (Reginaldo Rossi). Aquarius foi o primeiro filme de Kleber Mendonça Filho a disputar a Palma de Ouro em Cannes. No tapete vermelho, o diretor e o elenco protestaram contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), que transcorria àqueles tempos. (Netflix e Telecine)
Bacurau (2019)

Kleber Mendonça Filho dirigiu com Juliano Dornelles esta vibrante mistura de faroeste, ficção científica, terror e filme policial que se passa no futuro próximo de uma cidadezinha fictícia do sertão pernambucano. Lá, a população local precisa enfrentar um bando de estrangeiros que chega para fazer uma caçada humana.
Estrelado por Barbara Colen, Sônia Braga, Thomás Aquino, o alemão Udo Kier, Carlos Francisco e Silvero Pereira — que tornou antológico o personagem Lunga —, Bacurau dividiu com o filme francês Os Miseráveis o prêmio do júri no Festival de Cannes. (Telecine)
Retratos Fantasmas (2023)

Exibido fora de competição em Cannes e escolhido para representar o Brasil na briga por vaga no Oscar internacional (foi eliminado antes da shortlist), é um documentário bastante pessoal e bastante livre sobre um mundo fantasma: o dos cinemas de rua. Antes, os cinemas de calçada eram o ponto de encontro da sociedade, formando filas quilométricas; com o tempo, foram dando lugar a estacionamentos, igrejas e farmácias.
Neste belo e surpreendente filme, Kleber Mendonça Filho parte do apartamento onde morava em Recife para falar sobre memória, sobre a experiência de ir ao cinema, sobre as transformações urbanas, sobre sua própria carreira e sobre o Brasil como um todo. (Netflix)
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