
Quarenta anos depois de seu lançamento, A Marvada Carne (1985), de André Klotzel, volta às telas em versão remasterizada. Em Porto Alegre, a obra entra em cartaz nesta quinta-feira (4), na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana. Desde o último dia 28, o filme vem sendo exibido em outras 12 cidades brasileiras.
Sucesso de público nos anos 1980, o longa levou mais de um milhão de espectadores aos cinemas na época, esteve por anos entre as fitas de vídeo mais vendidas e foi exibido em países como Canadá, Japão, Alemanha, França, Espanha, Portugal e Cuba.
Para o diretor da obra, o relançamento vai além da celebração de um clássico: é também um convite à reflexão sobre os rumos do cinema nacional.
— Naquela época, havia um pouco mais de espaço para se fazer filmes originais, criativos e que ao mesmo tempo tinham a ambição de serem populares. Hoje, criou-se uma separação artificial entre o que é cinema cultural, autoral, e o que é comercial. Todo cinema é as duas coisas — afirma Klotzel.
O retorno do filme ao cinema também concretiza um projeto do produtor Cláudio Kahns, defensor da necessidade de restaurar títulos brasileiros com a melhor tecnologia disponível. Antes desta versão, a última matriz de A Marvada Carne datava de 1999.
Sobre a obra
A Marvada Carne conta a história de Nhô Quim (Adilson Barros), um homem que vive sozinho no mato e decide buscar dois grandes desejos: carne de boi e uma esposa que cuide dele. Carula (Fernanda Torres), por sua vez, sonha com um marido e desafia “Santo Antoninho” a tornar o sonho realidade. Entre santos de olhar zombeteiro, diabos sedutores e figuras do folclore, o filme trata das carências e desejos universais do ser humano.
O elenco conta com Fernanda Torres, então com 19 anos, além de Regina Casé, Adilson Barros, Dionísio Azevedo, Lucélia Machiavelli, Geni Prado e a dupla Tonico & Tinoco. A direção de arte é de Adrian Cooper, a cenografia de Beto Mainieri e a fotografia de Pedro Farkas.
Na estreia no Festival de Gramado de 1985, A Marvada Carne conquistou dez prêmios, entre eles Melhor Filme (júri oficial e popular), Melhor Direção, Melhor Atriz (Fernanda Torres) e o Prêmio da Crítica.
*Produção: Maria Clara Centeno
É assinante mas ainda não recebe a carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter.
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano


