
Desta quinta-feira (28) até 3 de setembro, ocorre a segunda edição do ano da Semana do Cinema: diversas redes oferecem ingressos por apenas R$ 10 em todo o Brasil.
Em Porto Alegre, participam da promoção quatro empresas: Cineflix (Shopping Total), Cinemark (Barra Shopping Sul, Bourbon Ipiranga e Bourbon Wallig), Cinépolis (Shopping João Pessoa) e GNC Cinemas (nos shoppings Iguatemi, Moinhos e Praia de Belas).
A ação visa incentivar o público a voltar às salas de cinema. Na primeira edição do ano, realizada de 6 a 12 de fevereiro, foram mais de 4,2 milhões de ingressos vendidos no país. Combos de pipoca e refrigerante também podem ter valores diferenciados.
Fiz uma lista com aqueles que considero os 10 melhores filmes para ver durante a promoção. A ordem é apenas alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Amores Materialistas (2025)

De Celine Song. O filme com Dakota Johnson, Pedro Pascal e Chris Evans não é a comédia romântica sugerida no trailer, mas por isso mesmo vale o ingresso (ainda mais a R$ 10). Na trama, Dakota encarna Lucy, uma casamenteira em Nova York. Seu trabalho é encontrar o par perfeito para homens e mulheres que priorizam critérios materiais, como a altura da pessoa, a sua idade ou o dinheiro que ela ganha.
Em um casamento, Lucy conhece Harry (Pedro Pascal). Solteiro, ele é o que, nas agências de namoro, chamam de unicórnio: bonito, rico, charmoso, inteligente, engraçado... Mas na mesma festa ela reencontra um ex-namorado, John (Chris Evans), um aspirante a ator que está trabalhando como garçom para pagar as contas. Como o longa anterior da diretora, Vidas Passadas (2023), que disputou o Oscar de melhor filme e de roteiro original, Amores Materialistas é sobre escolhas e renúncias. Também é sobre como equilibramos nossos desejos com a necessidade de segurança e de proteção.
2) Como Treinar o seu Dragão (2025)

De Dean DeBlois. A versão com atores da homônima animação de 2010 é o melhor live-action do ano. A combinação dos talentos dramáticos de Mason Thames, Gerard Butler e Nico Parker, entre outros, com os recursos da computação gráfica que dão vida a Banguela, um dragão do tipo Fúria da Noite, contribui para ressaltar os elementos de aventura, de drama e de comédia.
Apesar de ser ambientada na época dos vikings e de contar com criaturas mitológicas, a história aborda temas atemporais e muito humanos. Como Treinar o seu Dragão é um filme sobre filhos que querem provar seu valor para os pais e é um filme sobre tolerância e convivência em tempos de guerra e medo.
3) F1: O Filme (2025)

De Joseph Kosinski. O filme sobre Fórmula 1 que homenageia Ayrton Senna (1960-1994) e tem cenas com Lewis Hamilton retrata um tema mítico nos EUA: a segunda chance. Brad Pitt encarna piloto cinquentão chamado para ser o companheiro experiente de um jovem talentoso (Damson Idris) na pior equipe do campeonato. Se eles não conseguirem uma vitória nas nove corridas restantes, a escuderia pode fechar.
O diretor sabe a hora de acelerar (e não só nas cenas de ação, mas também na troca rápida de diálogos que ilustram ideais e temperamento dos personagens) e de pisar no freio, para intensificar os momentos de impacto, em vez de anestesiar o espectador. Também dar curvas nas expectativas do público — eu me surpreendi pelo menos duas vezes com o rumo tomado na trama de F1: O Filme. E preciso dizer que dei uma choradinha.
4) Faça Ela Voltar (2025)

De Danny Philippou e Michael Philippou. Os gêmeos australianos aprimoram as virtudes demonstradas no seu primeiro longa-metragem, Fale Comigo (2022), e fizeram o melhor filme de terror do ano. Após a morte do pai, Andy (Billy Barratt), 17 anos, e sua irmã mais nova, Piper (Sora Wong), que tem deficiência visual, são enviados para um lar adotivo, o da excêntrica Laura (Sally Hawkins, digna de indicação ao Oscar), que também acolhe um menino mudo chamado Oliver (Jonah Wren Phillips, assombroso).
Então, começam a acontecer coisas estranhas que não precisam nem devem ser explicitadas aqui — vale apenas um alerta aos espectadores mais sensíveis: Faça Ela Voltar é absolutamente perturbador. Prepare-se para se sentir mal e perceber o sofrimento de alguém na plateia, quem sabe até ouvir um grito pelo choque de uma cena.
5) A Hora do Mal (2025)

De Zach Cregger. Como no filme anterior do diretor, Noites Brutais (2022), o segredo é a alma do negócio. Então, serei econômico na descrição da trama de A Hora do Mal: na cidadezinha de Maybrook, 17 crianças da mesma sala de aula acordaram no meio da madrugada — às 2h17min, para ser preciso —, saíram da cama, desceram as escadas, abriram a porta de casa e, sem dizer uma palavra e com os braços estendidos como asas, caminharam em direção à escuridão para nunca mais voltarem.
O filme investiga o sumiço e o paradeiro dessas crianças por diferentes perspectivas, como a da professora da turma, Justine (Julia Garner), o menino Alex Lilly (Cary Christopher), único aluno que não desapareceu, o policial Paul Morgan (Alden Ehrenreich) e o pai de um garoto desaparecido, Archer Graff (Josh Brolin).
6) Interestelar (2014)

De Christopher Nolan. Voltou aos cinemas nesta quinta-feira (28) o filme em que o cineasta britânico estava mesmo entre estrelas: o elenco inclui Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Caine, Jessica Chastain, Matt Damon, Ellen Burstyn e Timothée Chalamet, que tinha apenas 17 anos na época da produção.
Talvez seja o título mais divisivo de Nolan: uns amam esta ficção científica que investe na vertente de 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, e Solaris (1972), de Andrei Tarkovski; outros, se não odeiam, pelo menos acham que está há anos-luz de distância dos grandes títulos do gênero. Fato é que Interestelar foi um tremendo sucesso de bilheteria (arrecadou US$ 758,7 milhões), ganhou o Oscar de efeitos visuais (além de ter competido nas categorias de design de produção, mixagem de som, edição de som e música original, por Hans Zimmer) e é discutido até hoje.
7) Ladrões (2025)

De Darren Aronofsky. Lançado nesta quinta-feira (28), este filme eu não vi ainda, mas recomendo porque o diretor tem no currículo títulos como Réquiem para um Sonho (2000), O Lutador (2008), Cisne Negro (2010) e Mãe! (2017). Seu nome é associado personagens atormentados, ambientes claustrofóbicos e tramas sombrias, mas consta que Ladrões é um típico filme de ação — estou muito curioso para ver no que deu essa mistura estrelada por Austin Butler, Zoë Kravitz, Matt Smith Bad Bunny e Regina King.
Diz a sinopse: "O ex-jogador de beisebol Hank Thompson inesperadamente se vê envolvido em uma luta pela sobrevivência no submundo criminoso da cidade de Nova York dos anos 1990. Ele é forçado a navegar por um mundo que nunca imaginou".
8) Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025)

De Matt Shakman. Tudo conspira a favor. O elenco principal — Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach — é bom e entrosado, o que faz os momentos de humor soarem mais naturais, e Ralph Ineson e Julia Garner também vão bem como Galactus e Surfista Prateada. O retrofuturismo da concepção visual, inspirada nos anos 1960, torna este filme um dos mais bonitos da Marvel.
Por estar ambientado em um mundo alternativo, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos também parece ser o título mais autocontido do MCU, ou seja, você não tem de saber nada do que aconteceu em trocentas aventuras anteriores nem assistir às fraquíssimas séries de TV. E o roteiro oferece um drama genuíno, que permite ensaiar, embora de forma tímida, até por causa da curta duração (são menos de duas horas), uma discussão sobre a relação da mídia e da sociedade com o Quarteto Fantástico — ou com os super-heróis em geral, ou com as celebridades e os ídolos em geral.
9) Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda (2025)

De Nisha Ganatra. Na continuação de Uma Sexta-Feira Muito Louca (2003), Tess (Jamie Lee Curtis) continua casada com Ryan (Mark Harmon), trabalhando como terapeuta — mas agora tem de lidar com uma inaptidão para a tecnologia — e "cuidando" de Anna (Lindsay Lohan). A filha, que segue compondo canções de rock, mas às escondidas (acha que seu tempo já passou), se tornou mãe solteira de Harper (Julia Butters), uma adolescente.
O conflito catalisador da nova troca de corpos — agora entre quatro personagens — é estabelecido logo de cara. Surfista e low-profile, Harper tem atritos no colégio com uma aluna recém chegada da Inglaterra, a fashionista Lily (Sophia Simmons). Anna e o pai dessa garota, o viúvo Eric (Manny Jacinto), se apaixonam fulminantemente e resolvem se casar. Não bastasse terem virado irmãs, Harper teme que sua mãe vá se mudar para Londres, pois Lily quer ir embora de Los Angeles. A reconfiguração do quarteto feminino rende ótimos momentos cômicos, Mas Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda acabou me pegando mais pelo drama do que pela comédia. Chorei mais do que ri — e quando digo chorei, foi de molhar o rosto.
10) O Último Azul (2025)

De Gabriel Mascaro. Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, é um filme distópico e em sintonia com as discussões sobre o envelhecimento da população mundial e sobre o etarismo (o preconceito, a discriminação ou a estereotipagem contra os mais velhos). Na trama, o governo do Brasil obriga ao exílio forçado os cidadãos que completarem 75 anos. A ideia da lei é liberar as famílias do "fardo" de cuidar de um idoso e dar aos mais jovens mais espaço no mercado de trabalho.
A protagonista de O Último Azul, Tereza (Denise Weinberg), funcionária de uma fábrica de frigoríficos na Amazônia, se recusa a sair de cena. Ainda tem muito a viver, ainda tem sonhos a realizar. Então, ela embarca em uma jornada pelos rios e afluentes da região, onde vai conhecer coadjuvantes como o barqueiro Cadu (Rodrigo Santoro) e descobrir as propriedades místicas dos caracóis e a ferocidade de peixinhos que travam uma luta mortal para o gáudio ou o desgosto dos apostadores de um bar fluvial.






