
Um dos mais belos filmes da temporada já está disponível no canal Filmelier+ do Amazon Prime Video, que oferece teste grátis por sete dias: Vermiglio: A Noiva da Montanha (Vermiglio, 2024), da diretora e roteirista italiana Maura Delpero.
O filme recebeu o Grande Prêmio do Júri (o segundo mais importante) no Festival de Veneza do ano passado e concorreu ao Globo de Ouro de melhor longa estrangeiro em 2025.
No troféu David di Donatello, da Academia Italiana, conquistou sete categorias, incluindo melhor filme, direção, roteiro original e fotografia (Mikhail Krichman), além de ter disputado mais sete — entre elas, melhor ator (Tommaso Ragno) e melhor atriz (Martina Scrinzi).

Vermiglio aposta bastante no poder de suas imagens. Para tanto, a parceria de Maura Delpero com o diretor de fotografia Mikhail Krichman e o editor Luca Mattei. Enquanto o segundo não tem pressa para abandonar a ação dos personagens — por mais comezinha que seja, está sempre comunicando algo —, o primeiro investe em cores neutras e frias (branco, cinza, azul) para salientar a austeridade do ambiente. E a imensidão da paisagem realça, por contraste, a limitação dos horizontes femininos.
Ambientada no norte da Itália, em uma vila alpina chamada Vermiglio, a trama se passa em 1944. A chegada de Pietro (Giuseppe De Domenico), um soldado desertor da Segunda Guerra Mundial, transforma a numerosa família do professor local, Cesare Graziadei (Tommaso Ragno). São sete filhos, como as sete conchas de leite quente da cena de abertura revelam. E mais um está na barriga da esposa, Adele (Roberta Rovelli).

Nessa mesma sequência, Maura Delpero evidencia o racionamento da comida, o rigor do inverno naquela região montanhosa, o senso de ordem e organização característico das famílias conservadoras.
Cesare exerce um tipo diferente de patriarcado: não é violento nem chega a ser abusivo, mas prioriza seus prazeres culturais quando a esposa aponta a escassez do dinheiro para as coisas básicas da casa, rotula os próprios filhos e determina seus destinos. Dino (Patrick Gardner), o mais velho, é tratado pelo pai como uma decepção. Ada (Rachele Potrich), a filha do meio, tem um "limite" na vida escolar _ nessa área, o futuro pertence à caçula dos Graziadei, Flavia (Anna Thaler), dona de uma sensibilidade ímpar.

Com olhar atento a cada um dos personagens — em especial, às atuações cativantes de Scrinzi, Potrich e Thaler —, a diretora acompanha, sem atropelos, os dramas que se desenvolvem ao longo das quatro estações. Não por acaso, o homônimo concerto para violino de Vivaldi pontua a trilha sonora.
O conflito central é o que surge a partir da atração entre a filha mais velha do professor, Lucia (Martina Scrinzi), e o soldado desertor. Delpero jamais cede à tentação do exagero melodramático. Prefere trabalhar com a contenção, com os silêncios. Opta pela insinuação e pelas meias palavras.
Coerentemente, a cineasta italiana também exibe um notável talento para mostrar acontecimentos e transmitir sentimentos pelas bordas da cena. Os primeiros beijos da moça com Pietro, por exemplo, são vistos pelo olhar de Ada, em um misto de ciúme e desejo.
Aliás, o desejo de Ada é fonte de outro conflito retratado em Vermiglio, o do corpo com o espírito, ou o das pulsões sexuais da adolescência com as restrições da religião.
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