
A Figura Editora realiza um duplo lançamento em Porto Alegre na quinta-feira (21), às 19h, no Auditório Araucária do Centro Cultural da UFRGS (Rua Eng. Luiz Englert, 333).
Rodrigo Rosa, um dos sócios da Figura, vai autografar Mestre Mottini, um art book que recupera a vida e obra de João Batista Mottini (1923-1990), artista gaúcho que foi dos primeiros a ter uma carreira internacional nos quadrinhos.
E o desenhista italiano Ivo Milazzo representa a parceria firmada com o cineasta Ettore Scola (1931-2016), seu compatriota, que assina o roteiro da novela gráfica Um Dragão em Forma de Nuvem (clique aqui para saber mais dessa HQ).
Porto-alegrense nascido em 1972, Rodrigo Rosa é artista gráfico, editor e jornalista formado na PUCRS. Como quadrinista, trabalhou na adaptação de clássicos da literatura como Grande Sertão: Veredas, Dom Casmurro, Os Sertões: A Luta e Macunaíma. Como cartunista, ganhou mais de 30 prêmios em salões nacionais e internacionais. Em 2016, abriu com Ivette Giraldo a Figura Editora, dedicada a editar livros ilustrados e histórias em quadrinhos.
Rosa foi amigo e pupilo de Mottini, gaúcho de Santana do Livramento que iniciou sua carreira na antiga Livraria e Editora Globo, em Porto Alegre, à época em que essa era uma das maiores editoras do Brasil. Ali, ilustrou clássicos da literatura, como Dom Quixote e Os Três Mosqueteiros.

Em 1946, Mottini partiu para a Argentina, onde participou da chamada Era de Ouro dos quadrinhos portenhos, tornando-se uma estrela em revistas que vendiam centenas de milhares de exemplares por semana. "Seu estilo cheio de dinamismo e energia, cuja marca eram os seus magníficos cavalos, chamou a atenção de uma grande editora inglesa, que o contratou para desenhar quadrinhos de personagens como Billy, the Kid e Buck Jones", diz o material de divulgação.
No início dos anos 1960, Mottini voltou ao Brasil apenas de passagem, mas acontecimentos pessoais acabaram fazendo-o permanecer no país. A partir daí, dedicou-se à ilustração publicitária e às artes plásticas, tornando-se uma referência.

Resultado de uma pesquisa que levou cerca de 20 anos, o livro Mestre Mottini é um art book de capa dura, formato 23 cm x 30 cm e 172 páginas (preço: R$ 135). Divide-se em quatro capítulos.
O primeiro é dedicado aos anos de formação na Globo, e o segundo, aos melhores anos de sua trajetória, na Argentina. O terceiro é uma coletânea de suas histórias em quadrinhos, muitas delas inéditas no Brasil. E o quarto capítulo aborda sua carreira desde sua volta ao Brasil até o seu falecimento.
Depoimentos de artistas nacionais e estrangeiros ajudam a pintar o retrato do homenageado.
— Ele, sim, sabia desenhar — afirmou o argentino Alberto Breccia (1919-1993), parceiro de H.G. Oesterheld em clássicos como Mort Cinder e O Eternauta 1969.
— Foi ele que me fez parar de sentir inveja dos desenhistas argentinos — disse Ziraldo (1932-2024), o autor da Turma do Pererê, dos Zeróis, do Menino Maluquinho e de Flicts.
— Foi um dos artistas de referência para mim e ainda hoje figura entre meus favoritos — elogiou o espanhol Jordi Bernet, desenhista de séries como Kraken e Torpedo 1936.

— Para mim, ele estará sempre imortalizado pelos lindos cavalos que desenhava — apontou Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica.
— Todo o meu esqueleto (no desenho) veio do Mottini. Depois vieram outros artistas, mas a base é Mottini — declarou o artista sérvio R.M. Guéra, parceiro do roteirista estadunidense Jason Aaron na HQ Escalpo.
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