
O júri da Mostra de Longas Gaúchos do 53º Festival de Cinema de Gramado tem um pepino para resolver até a noite desta sexta-feira (22), quando ocorre a cerimônia de entrega dos Kikitos no Palácio dos Festivais.
Tem a ver com a qualidade dos filmes na disputa, mas não é o que costumamos chamar de problema bom.
Em vez de abundância, faltam candidatos para duas das principais categorias: melhor ator e melhor atriz (não há troféus para coadjuvantes).
Os três jurados que estão nessa enrascada são o jornalista Daniel Rodrigues, atual presidente da Associação de Críticos de Cinema do RS (ACCIRS), a atriz e produtora Gabrielle Fleck e a produtora Keyti Souza.
A questão da qualidade começa pela questão da quantidade.
Cinco filmes competem na Mostra de Longas Gaúchos, realizada pelo Festival de Gramado em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura por meio do Instituto Estadual de Cinema (Iecine). Formada pelo programador Leonardo Bomfim, pela jornalista Mônica Kanitz e pela cineasta Sabrina Fidalgo, a comissão de seleção escolheu três documentários (Uma em Mil, de Jonatas Rubert e Tiago Rubert, Quando a Gente Menina Cresce, de Neli Mombelli, e Rua do Pescador Nº 6, de Bárbara Paz) e apenas duas ficções: Bicho Monstro, de Germano de Oliveira, e Passaporte Memória, de Decio Antunes.
Ou seja, de partida o júri encara uma limitação de concorrentes ao Kikito. Mas, além da escassez, há a insuficiência artística de pelo menos um desses dois filmes ficcionais.
Na minha opinião, ninguém do elenco de Bicho Monstro, exibido na tarde desta quarta-feira (20), mereceria ganhar um Kikito. As atuações são muito acanhadas, os personagens são mal desenvolvidos, parecem figuras de papel e estáticas. Essa impressão é reforçada pelo ritmo extremamente arrastado que faz os 75 minutos demorarem a passar.

Se os atores e as atrizes de Passaporte Memória, que tem sessão às 14h de sexta-feira, se mostrarem brilhantes em seu trabalho, o problema do júri está resolvido. Mas se essas atuações também decepcionarem?
Daí, os três jurados teriam de indicar não os melhores, mas os menos piores.
Faz sentido premiar assim, por condescendência?
Ao meu ver, não.
Então, faço uma proposta para o Daniel Rodrigues, a Gabrielle Fleck e a Keyti Souza: se acontecer de o elenco de Passaporte Memória também ser opaco, subvertam um pouco as regras. Pensem fora da caixinha. Olhem para os filmes que são melhores e que merecem ganhar troféus.
Eu tenho uma solução: em vez de eleger um melhor ator, daria um Kikito de melhor elenco masculino para os irmãos Jonatas Rubert e Tiago Rubert e um parente deles, Cleber Puntel, o Tio Cleber, que estrelam o documentário sobre síndrome de Down Uma em Mil.

E em vez de premiar a melhor atriz, repartiria um Kikito de melhor elenco feminino com as gurias acompanhadas no documentário Quando a Gente Menina Cresce, que tem como tema central a primeira menstruação e seus tabus: Alana Matias Quevedo, Ana Julia Freitas Bortolotto, Emilly Louizzi Quevedo de Britto, Isadora de Freitas Nunes, Taiane Noronha da Rosa e Thaila Matias Quevedo.

Não faltam "desenvolvimento dramático", "construção de personagem", expressividade artística (vide a dança de Tiago) e desenvoltura à frente das câmeras (as meninas arrasam!).
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