
A abertura oficial do 53º Festival de Cinema de Gramado, nesta sexta-feira (15), teve dose tripla de Rodrigo Santoro.
Primeiro, em uma das estações do Tapete Vermelho — que excepcionalmente hoje era Tapete Azul, em alusão ao filme de abertura, O Último Azul —, na Rua Coberta, o ator que completa 50 anos no dia 22 de agosto deixou as marcas de suas mãos e seu autógrafo na placa que será colocada na Calçada da Fama.

Depois, já dentro do Palácio dos Festivais, foi a vez de Santoro receber uma das três principais homenagens do evento, o Kikito de Cristal — as outras são o Oscarito, que será entregue para a atriz Marcélia Cartaxo na terça-feira (19), e o Troféu Eduardo Abelin, que vai para a produtora Mariza Leão, na segunda (18).
O Kikito de Cristal foi instituído em 2007 para prestigiar expoentes do cinema latino-americano. Entre os premiados, estão os atores argentinos Leonardo Sbaraglia, Cecilia Roth e Soledad Villamil, o uruguaio César Troncoso, a chilena Paulina Garcia, a atriz Alice Braga e o documentarista Eduardo Coutinho (1933-2014).
Nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, Rodrigo Santoro é um dos artistas brasileiros que conseguiram fazer carreira no país e no Exterior. Seus créditos incluem Bicho de Sete Cabeças (2000), pelo qual ganhou o Candango de melhor ator no Festival de Brasília, Abril Despedaçado (2001), Carandiru (2003), Simplesmente Amor (2003), 300 (2006), o díptico Che (2008), Heleno: O Príncipe Maldito (2011), que rendeu prêmio de atuação no Festival de Havana, Ben-Hur (2016), Turma da Mônica: Laços (2019), 7 Prisioneiros (2021) e as séries Lost, Westworld, Bom Dia, Verônica, Sem Limites e Wolf Pack. É um ator "multifacetado", conforme destacou um dos curadores do Festival de Gramado, o crítico Marcos Santuario:
— Faz filmes que vão muito além de As Panteras: Detonando. É um artista de filmes viscerais, autorais, que leva o nome do país pelo mundo.

Premiado
Antes de entrar no Palácio dos Festivais, Rodrigo Santoro foi entrevistado pela atriz Catharina Conte, mais uma vez escalada pela organização do festival para conversar ao vivo com os artistas na Rua Coberta — o bate-papo é exibido em telão, para o público do lado de fora e para os espectadores dentro do cinema. Ela perguntou o que teria sido decisivo para Santoro atingir o status alcançado. Ele respondeu:
— Talvez a coisa mais importante que eu tenha feito foi me escutar, saber o que eu queria e não desistir.
Após receber o Kikito de Cristal, o ator, no palco, leu um discurso de agradecimento:
— Foram mais de 30 anos desde que comecei. É uma honra receber esse reconhecimento aqui em Gramado, pela importância que este festival tem no Brasil e na América Latina. Me disseram que estou sendo homenageado pela minha trajetória internacional. Na verdade, nunca separei a minha carreira daqui com a do Exterior. É a mesma coisa pra mim. Fronteiras são mais concretas na geografia. As emoções, as nossas dores, são universais. Procurei nos personagens uma verdade, mas sempre conectado com o meu DNA, com o meu coração, que é absolutamente brasileiro. É uma responsabilidade e uma honra representar o Brasil.
A certa altura, Santoro chorou, e as palavras ficaram menos firmes:
— Este Kikito não celebra apenas o meu trabalho, mas todos que caminharam comigo nessa jornada.
Por fim, fechando a dose tripla de Rodrigo Santoro, o Festival de Gramado exibiu fora de competição o filme O Último Azul (2025), do diretor pernambucano Gabriel Mascaro, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, a segunda maior honraria do evento alemão.

A história se passa na Amazônia, em um futuro próximo, onde um governo transfere idosos para uma colônia habitacional destinada a seus últimos anos de vida. No entanto, Tereza (Denise Weinberg), 77 anos, decide embarcar em uma jornada pessoal antes de aceitar seu destino imposto.
Santoro e Adanilo estão no elenco do longa, que na Berlinale foi um dos mais aplaudidos (13 minutos de ovação) e também ganhou o prêmio do Júri Ecumênico, destinado a produções que abordam questões sociais e espirituais, e o troféu do Júri de Leitores do jornal Berliner Morgenpost. A estreia nos cinemas está prevista para 28 de agosto.
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