
De olho no fim de semana, fiz uma lista que destaca séries da HBO Max, plataforma que costuma ser a campeã de conquistas no Emmy, a mais importante premiação dos Estados Unidos.
Selecionei apenas títulos que podem ser maratonados em apenas um dia, sem atrapalhar o sono ou o trabalho, pois têm poucos episódios (ou esses episódios são curtos), durando no máximo oito horas, com uma ou outra exceção.
Ficaram de fora da relação, portanto, séries longas ou com várias temporadas, como a maravilhosa Família Soprano (1999-2007), ganhadora de 21 troféus no Emmy, ou a recente The Pitt, que recebeu 11 indicações para a cerimônia que será realizada no dia 14 de setembro. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Band of Brothers (2001)

A minissérie se baseia no livro homônimo de Stephen E. Ambrose e tem entre os produtores Steven Spielberg e Tom Hanks (que dirigiu o quinto capítulo). É uma dramatização da história da Companhia Easy, desde o seu treinamento nos Estados Unidos para a invasão da Normandia até a capitulação da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.
Vencedora de seis Emmys, Band of Brothers encontra o equilíbrio entre a grande História e as pequenas vidas de um grupo de soldados. O herói é o tenente Winters (personagem de Damian Lewis), que enfrenta o horror e faz o que é preciso fazer sem perder a sua noção do que seja humano ou correto. (10 episódios)
2) Angels in America (2003)

Baseada em um espetáculo da Broadway escrito por Tony Kushner e dirigida pelo cineasta Mike Nichols (de A Primeira Noite de um Homem e Closer), faturou 11 prêmios no Emmy, incluindo os de melhor minissérie, ator (Al Pacino) e atriz (Meryl Streep). Aborda o início da propagação da Aids nos EUA, na metade dos anos 1980, quando a doença era tratada como um problema de gays e dependentes químicos e suas vítimas sofriam com o preconceito e o sentimento da morte inevitável.
Pacino faz o papel de um poderoso homem da política que é homofóbico e tem o vírus HIV. Através de sonhos e alucinações, vários personagens, reais e imaginários, interagem, como os anjos interpretados por Streep, Jeffrey Wright e Emma Thompson. (6 episódios)
3) Mildred Pierce (2011)

O cineasta Todd Haynes (de Longe do Paraíso, Carol e Segredos de um Escândalo) assina esta nova e marcante adaptação do romance lançado em 1941 por James M. Cain que deu origem ao filme Alma em Suplício (1945).
A história se passa durante a Grande Depressão nos EUA. Mildred (Kate Winslet, arrasadora como de hábito) é uma mulher jovem recém divorciada que abre seu próprio restaurante e se apaixona por outro homem, Monty Beragon (Guy Pearce), enquanto tenta ganhar o amor de sua filha mais velha, a mimada e narcisista Veda (Evan Rachel Wood). Conquistou cinco Emmys, incluindo melhor atriz e ator coadjuvante. (5 episódios)
4) Olive Kitteridge (2014)

Não apenas em sala de aula mas também no ambiente familiar, a professora Olive dá ordens e mantém um olhar amargurado, que afeta principalmente seu marido, um farmacêutico pacato, e o filho.
Essa é a protagonista de Olive Kitteridge, adaptação de um romance homônimo de Elizabeth Sprout dirigida pela cineasta Lisa Cholodenko, de Minhas Mães e Meu Pai (2010). Foi um arraso no Emmy, levando oito prêmios: melhor minissérie, direção, atriz (Frances McDormand), ator (Richard Jenkins), ator coadjuvante (Bill Murray), roteiro (Jane Anderson), elenco e edição. (8 episódios)
5) The Night Of (2016)

Filho de imigrantes paquistaneses em Nova York, o jovem universitário Nasir Khan, o Naz (Riz Ahmed), pega "emprestado" do pai o táxi para ir a uma festa. No meio do caminho, em duas ocasiões pessoas tentam embarcar no carro como passageiro. Mais tarde, uma infração de trânsito, um objeto levado da cena de um crime e uma testemunha ocular vão tornar Naz o suspeito número 1. É esse o resumo do primeiro e fabuloso episódio da minissérie criada pelo escritor Richard Price e pelo cineasta Steven Zaillian.
Trata-se de um retrato minucioso e muito humano das delegacias de polícia, do sistema judicial e dos presídios estadunidenses. A trama de suspense inclui conotações culturais, políticas e sociais, refletindo o estado de ânimo nova-iorquino para com os muçulmanos pós-11 de Setembro e mostrando penitenciárias como fábricas de bandidos. Ahmed ganhou o Emmy de melhor ator, categoria em que também competia John Turturro, no papel do advogado de porta de cadeia John Stone. Bill Camp concorreu a coadjuvante na pele do detetive Dennis Box, assim como Michael Kenneth Williams, que faz o presidiário Freddy Knight. Todos trazem uma série de nuances a seus personagens, aumentando o envolvimento do espectador com uma história por si só cheia de matizes sobre o certo e o errado, o bom e o mau, a justiça e a lei, as percepções e as evidências. (8 episódios)
6) Chernobyl (2019)

Criada por Craig Mazin, apresenta uma versão ficcional do pior acidente nuclear da história, o da usina de Chernobyl, ocorrido entre 25 e 26 de abril de 1986 perto da cidade de Pripyat, na Ucrânia. Ao reconstituir suas consequências imediatas e as primeiras ações tomadas pelo governo soviético, a obra ganhou assustadora atualidade durante a pandemia: cenas e falas parecem refletir o que vimos e ouvimos desde o surgimento do coronavírus.
Chernobyl arrebatou 10 prêmios Emmy, incluindo melhor minissérie, e concorria a outros nove, entre eles ator (Jared Harris, no papel do renomado químico Valery Legasov), atriz coadjuvante (Emily Watson, como a fictícia cientista Ulana Khomyuk) e ator coadjuvante (Stellan Skarsgård, que interpretou Boris Shcherbina, vice-presidente do Conselho de Ministros da URSS de 1984 a 1989, designado para supervisionar a gestão da crise). O elenco multifacetado — que inclui Jessie Buckley como a esposa grávida de um bombeiro e Paul Ritter como o engenheiro que comandou o fatídico teste na usina — permite enxergarmos as dimensões científica, política e humana do desastre. (5 episódios)
7) Watchmen (2019)

Damon Lindelof pega elementos da clássica HQ de Alan Moore e Dave Gibbons (a chuva de lula, personagens como Ozymandias e Dr. Manhattan) e cria uma trama central totalmente nova e absolutamente atual. Os novos heróis, como a Sister Night (Regina King) e o Looking Glass (Tim Blake Nelson), lidam com a violência contra negros nos EUA. O inimigo é uma organização racista, a Sétima Kavalaria.
Desde a abertura, que reencena o Massacre de Tulsa, em 1921, durante anos apagado da história oficial, Watchmen mostra como os traumas da escravidão passam de geração a geração. Foram 11 troféus no Emmy, incluindo melhor minissérie, atriz (Regina King), ator coadjuvante (Yahya Abdul-Mateen II) e trilha sonora (Trent Reznor e Atticus Ross). (9 episódios)
8) I May Destroy You (2020)

A atriz e roteirista inglesa de pais ganeses Michaela Coel transforma-se em Arabella nesta autoficção (premiada com o Emmy de melhor roteiro) que, apesar de lidar com um assunto doloroso, encontra espaço para o humor, o afeto e a diversão. Escritora de um livro de sucesso, ela corre contra o prazo e contra uma crise criativa para entregar o segundo romance a uma grande editora de Londres. Para espairecer, resolve sair para a balada com uns amigos.
No dia seguinte, já de volta ao trabalho, Arabella vê sua memória assaltada por imagens de um estupro praticado por um homem desconhecido. A partir daí, I May Destroy You mostra como a violência sexual pode paralisar o presente, alterar o futuro e ressignificar o passado das vítimas. (12 episódios)
9) Mare of Easttown (2021)

Fascinada com o "quem foi" da minissérie criada por Brad Inglesby, a atriz Kate Winslet ressaltou que embarcou no projeto porque "não é só a história de um crime". De fato, o crime descoberto no primeiro capítulo é chocante e misterioso, mas serve sobretudo como catalisador dos dramas pessoais e familiares em cidadezinha dos EUA. A morte traz à tona relações e segredos guardados em vida, imagem reforçada pela ambientação numa estação fria, que obriga os personagens a se esconderem atrás de casacos, mantas e gorros. E — até o final — todos têm o que ocultar ou algo do que não gostam de falar.
Praticamente perfeita, Mare of Easttown venceu os Emmys de melhor atriz (Winslet, também premiada no Globo de Ouro), ator coadjuvante (Evan Peters), atriz coadjuvante (Julianne Nicholson) e design de produção. (7 episódios)
10) Scenes From a Marriage (2021)

O diretor e roteirista israelense Hagai Levi encarou o desafio de modernizar a célebre série de televisão criada pelo cineasta sueco Ingmar Bergman. Na nova versão de Cenas de um Casamento (1973), Oscar Isaac e Jessica Chastain interpretam Jonathan e Mira, que estão juntos há 10 anos e têm uma filhinha. Ele é professor de filosofia e passa a maior parte do tempo em casa. Ela trabalha na área de tecnologia e responde pela maior parte do orçamento familiar.
Como no original, Jonathan e Mira são procurados para dar uma entrevista na condição de um casal considerado exemplar. Mas logo nos primeiros minutos da conversa, começam a aparecer fissuras e ressentimentos. Não é à toa que cada um dos episódios mostra, no início, bastidores da produção: é como se o realizador quisesse reforçar o caráter de personagem assumido pelos integrantes de um relacionamento. (5 episódios)
11) Time (2021-2023)

É possível que o espectador brasileiro calejado pelo noticiário a respeito da violência, da precariedade, da corrupção e da desesperança nos presídios não se impressione com esta série britânica da BBC. Mas esse conhecimento não deve dessensibilizar o público perante os dramas vividos pelos personagens principais — interpretados por Sean Bean e Stephen Graham— e pelos coadjuvantes ao longo dos três episódios escritos por Jimmy McGovern e dirigidos por Lewis Arnold.
Bean encarna um professor que atropelou e matou um homem, e agora precisa encarar um ambiente marcado pela privação e pela intimidação. Graham faz um guarda que enfrenta um drama pessoal que não cabe ser revelado aqui. Assista à série e se ponha no lugar dele: o que você faria? Em 2023, houve uma segunda temporada, agora em uma penitenciária feminina, trazendo no elenco Bella Ramsey, de The Last of Us. (3 episódios em cada temporada)
12) A Cidade É Nossa (2022)

Não chega a ser uma continuação de The Wire. Mas esta minissérie também foi criada pelo ex-repórter policial David Simon (aqui, na companhia do escritor George Pelecanos); também se passa em Baltimore, cidade no Estado de Maryland que é, estatisticamente, uma das mais violentas no mundo; e também retrata a atuação da polícia local. Enquanto alguns tentam fazer alguma coisa contra o narcotráfico e o crime organizado, mesmo sabendo que suas chances estão entre mínimas e nenhuma, outros apostam na truculência e/ou enveredam para a corrupção.
Dirigida por Reinaldo Marcus Green, dos filmes King Richard (2021) e Bob Marley: One Love (2024), A Cidade É Nossa tem uma estrutura narrativa que requer atenção, com vários núcleos de personagens e alternâncias não muito claras entre o passado e o presente. Mas a recompensa é alta para quem curte histórias sobre os meandros policiais. O elenco, que inclui David Corenswet, o novo Superman, é uma atração à parte: Jon Bernthal interpreta o sujo sargento Wayne Jenkins, figura central no força-tarefa do combate às armas. Wunmi Mosaku é Nicole Steele, uma advogada designada pela Justiça federal para apurar casos de desrespeito aos direitos civis. Jamie Hector faz Sean Suiter, um detetive de Homicídios que acaba se envolvendo com Jenkins. Josh Charles encarna Daniel Hersl, sobre o qual pesam várias denúncias de maus-tratos. E Dagmara Dominczyk está no papel de Erika Jensen, uma agente do FBI que investiga as ações de Jenkins e companhia. (6 episódios)
13) A Escada (2022)

Dirigida pelo nova-iorquino Antonio Campos, filho do jornalista brasileiro Lucas Mendes e realizador do filme O Diabo de Cada Dia (2020), A Escada (The Staircase no original) é a versão ficcional de um rumoroso caso policial dos Estados Unidos. No dia 9 de dezembro de 2001, o escritor Michael Peterson (interpretado por Colin Firth, indicado ao Emmy) liga para a emergência. Sua esposa, Kathleen (papel de Toni Collette, que concorreu ao Emmy), está morrendo, deitada sobre uma poça de sangue aos pés da escada da mansão do casal na Carolina do Norte.
Foi um acidente, segundo o marido, que terá de contratar um advogado caríssimo, David Rudolf (Michael Stuhlbarg), já que os promotores Jim Hardin (Cullen Moss) e Freda Black (Parker Posey) estão dispostos a provar que foi um assassinato. A família se divide: os filhos de Michael acreditam (ou fingem para si mesmos que acreditam) na inocência do pai, a filha de Kathleen se junta às tias no lado da acusação. (8 episódios)
14) A Inglesa (2020)

Faroeste revisionista escrito e dirigido por Hugo Blick, com um esplêndido trabalho de direção de fotografia, edição, design de produção e música. Indicada ao prêmio do Sindicato dos Atores dos EUA, Emily Blunt encarna a inglesa do título, Lady Cornelia Locke, que, em 1890, viaja aos Estados Unidos em busca de vingança contra o homem que ela vê como responsável pela morte de seu filho.
Nas terras áridas, por circunstâncias terríveis, ela conhece Eli Whipp (Shaske Spencer), indígena pawnee e ex-batedor da Cavalaria, que está a caminho do Nebraska para reivindicar as terras que lhe são devidas por seu serviço no exército. (6 episódios)
15) Pinguim (2024)

Criação de Lauren LeFranc, a minissérie começa exatamente de onde termina o filme Batman (2022). Sob um trabalho incrível de maquiagem, Colin Farrell dá vida a Oz Cobb, o Pinguim, que tenta aproveitar qualquer brecha para ascender no submundo do crime de Gotham City após a morte do mafioso Carmine Falcone.
Nesse processo, ele acaba coagindo um jovem infrator, Victor (Rhenzy Feliz), a ser seu comparsa. Uma peça-chave é a filha de Carmine, Sofia Falcone (a comediante Cristin Milioti, em uma interpretação nuançada e cativante). Alguns episódios estão entre os melhores de 2024 no universo das séries. E o epílogo tem um dos momentos mais marcantes do ano passado. (8 episódios)
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