
A Netflix adicionou neste sábado (26) a seu menu um filme de terror que eu achei terrível, mas muita gente adorou. Five Nights at Freddy's: O Pesadelo Sem Fim (2023) foi um sucesso de bilheteria — custou US$ 20 milhões e arrecadou US$ 291,4 milhões —, o que garantiu uma sequência, com estreia prevista para dezembro.
Five Nights at Freddy's é baseado no game lançado originalmente em 2014. O longa-metragem foi dirigido por Emma Tammi, a mesma de Terra Assombrada (2018), e coescrito por Scott Cawthon, o criador do jogo.
O filme tem uma hora e 49 minutos, mas parece durar muito mais. Em mim, não provocou nem um sustinho, que dirá alguma reflexão. Apenas arrependimento pelo grande tempo perdido quando fui assistir no cinema. Taí, apropriado o subtítulo brasileiro.

A trama é uma mistureba ruim e desconjuntada. Entre outros ingredientes, entram no liquidificador um trauma de infância, um drama familiar, bonecos animatrônicos com sanha assassina, pesadelos muito vívidos, um ator que tem a palavra "vilão" escrito na testa, uma atriz em uma atuação constrangedora e uma trilha sonora com pegada oitentista.
Ator do sensível drama infantojuvenil Ponte para Terabítia (2007) e da franquia Jogos Vorazes (2012-2015), Josh Hutcherson encarna o protagonista, Mike. É um segurança que, depois de cometer um grave erro de avaliação em um shopping, recorre a um consultor de emprego (papel de Matthew Lillard). Mike não pode trabalhar de noite, porque cuida da irmã caçula, Abby (Piper Rubio), mas acaba pegando a única vaga disponível, a de guarda noturno em uma pizzaria abandonada, a Freddy Fazbear.
Esse lugar, como antecipado pelo prólogo, é assombrado pelos tais bonecos animatrônicos, como o urso Freddy, a coelha Bonnie e a galinha Chica. Mas Mike também tem suas próprias assombrações: sempre sonha com o dia do desaparecimento de seu irmão mais novo, durante um piquenique. Obstinado em descobrir quem levou o guri, nos seus pesadelos depara com outras crianças sumidas.
Entrementes, surge a personagem de Elizabeth Lail, a Guinevere do seriado You (2018-2023). Trata-se da policial Vanessa, que tanto poderia estar num filme de comédia quanto num fuleiro thriller erótico — o registro de interpretação é péssimo, e tudo fica pior à medida que entendemos sua ligação com os monstrengos. Aliás, todo o filme só piora à medida que avança, com "soluções" que ou eram óbvias, ou são meio estapafúrdias — e o olhar atônito de Josh Hutcherson parece dizer subliminarmente: "Em que grande porcaria eu fui me meter!".
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