
A Netflix adicionou neste sábado (19) a seu menu o filme mais controverso entre os 12 já lançados pelo diretor Christopher Nolan: Interestelar (Interstellar, 2014). O cineasta britânico estava mesmo entre estrelas: o elenco inclui Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Caine, Jessica Chastain, Matt Damon, Ellen Burstyn e Timothée Chalamet, que tinha apenas 17 anos na época da produção.
Disponível também no Amazon Prime Video e na HBO Max, esta ficção científica divide opiniões. Uns amam Interestelar, que é um dos cinco longas-metragens de Nolan presentes na lista dos 100 melhores do século 21 elaborada pelo jornal The New York Times. Outros, se não odeiam, pelo menos acham que está há anos-luz de distância dos grandes títulos do gênero.
Fato é que o filme foi um tremendo sucesso de bilheteria (arrecadou US$ 758,7 milhões, incluindo o montante do relançamento no aniversário de 10 anos), ganhou o Oscar de efeitos visuais (além de ter competido nas categorias de design de produção, com Nathan Crowley e Gary Fettis, mixagem de som, edição de som e música original, por Hans Zimmer) e é discutido até hoje.
Entre os pontos elogiados, está o compromisso de Nolan com o embasamento científico, ainda que tenha empregado liberdades artísticas. Com a consultoria do físico estadunidense Kip Thorne, que depois escreveu o livro A Ciência de Interestelar (lançado no Brasil pela editora gaúcha Belas Letras), o diretor procurou tornar acessíveis ao grande público conceitos complexos — como teoria da relatividade, buraco de minhoca (uma deformação do espaço-tempo que permitiria viagens intergalácticas), gravidade quântica e quinta dimensão.
Por outro lado, há quem entenda que Nolan acaba se contradizendo: derruba toda a base científica em prol de mostrar como o amor é a resposta para tudo. O sentimentalismo é exacerbado pela imponente trilha sonora de Hans Zimmer e tem seu ápice no célebre discurso melodramático da personagem de Anne Hathaway. Para o bem ou para o mal, virou meme a cena em que o protagonista encarnado por Matthew McConaughey chora compulsivamente.
Qual é a trama de "Interestelar"?

Escrita pelo diretor Christopher Nolan com seu irmão, Jonathan Nolan, a trama de Interestelar investe na vertente de 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, e Solaris (1972), de Andrei Tarkovski: a viagem rumo ao universo desconhecido e seu efeito psicológico e existencial sobre o explorador. Em atuação magnetizante e nuançada, Matthew McConaughey interpreta Cooper, engenheiro espacial e ex-piloto da Nasa que agora toca a vida como fazendeiro em um lugarejo açoitado por tempestades de areia.
O protagonista voltará à ativa atendendo à convocação do cientista (Michael Caine) encarregado de um programa secreto da agência espacial dos EUA, que corre contra o relógio para encontrar um planeta habitável. A missão, além do grande risco e do longo tempo, exige que Cooper deixe os dois filhos, Tom (Timothée Chalamet quando jovem, Casey Affleck na fase adulta) e a pequena Murph (Mackenzie Foy e depois Jessica Chastain).

"A poeira é um elemento recorrente em Interestelar", escreveu em ZH o jornalista Marcelo Perrone quando o longa-metragem entrou em cartaz nos cinemas. "Ilustra no filme a desintegração progressiva e inexorável da humanidade em um futuro próximo. Quem sobreviver à fome não escapará do sufocamento, posto que Terra entrou em colapso pelo esgotamento de suas reservas naturais e de oxigênio. Christopher Nolan também parece fazer uso da poeira para embaralhar aos olhos do espectador a percepção de que sua ambiciosa realização é mais complexa e profunda do que, descascada a pretensão do diretor, mostra ser."
É isso: se por um lado há momentos de alto impacto dramático e de alta imaginação visual, por outro há diálogos muito açucarados e uma virada na trama cuja maior consequência é aumentar a duração do filme — são duas horas e 49 minutos.
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