
A comédia romântica Kate & Leopold (2001), que entrou no menu da Netflix neste domingo (20), é uma espécie de ponto da virada nas carreiras da atriz e do ator que encarnam os personagens do título.
Ela é Meg Ryan, hoje com 63 anos. Ele é Hugh Jackman, 56.
O filme é dirigido por James Mangold, que escreveu o roteiro com Steven Rogers. Foi o quarto dos 13 longas-metragens de Mangold, dono de cinco indicações ao Oscar: competiu pelo prêmio de melhor roteiro adaptado como um dos autores de Logan (2017), pelo troféu de melhor filme como um dos produtores de Ford vs. Ferrari (2019) e nas categorias de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro adaptado com Um Completo Desconhecido (2024).
Qual é a trama de "Kate & Leopold"?

Kate & Leopold requer que o público deixe passar certos lugares-comuns e alguns absurdos, como a viagem no tempo que o duque Leopold (interpretado por Hugh Jackman) faz, de 1876 para os dias de hoje.
Meg Ryan, no papel de Kate, encarna mais uma vez uma nova-iorquina focada no trabalho e azarada no amor. Sua vida muda quando o ex-namorado esquisitão (Liev Schreiber) traz o nobre para seu mundo.
Kate não acredita que Leopold seja mesmo um homem do século 19, daqueles que se levantam quando uma dama vai sentar-se ou deixar a mesa. O irmão dela (Breckin Meyer) acha que Leopold é um ator que não larga o personagem.
As diferenças culturais rendem cenas engraçadas, como quando o duque tenta falar ao telefone. Logo as barreiras são rompidas pelo amor, claro, de um modo surpreendentemente pouco açucarado. Mas o final da comédia romântica de James Mangold já era machista em 2001, que dirá quase 25 anos depois.
Meg Ryan: carreira em declínio

Nascida em Fairfield, no Connecticut, a estadunidense Meg Ryan havia recém completado 40 anos quando Kate & Leopold chegou aos cinemas nos Estados Unidos, no Natal de 2001. A atriz era uma das rainhas das comédias românticas em Hollywood. Estrelou três ícones do subgênero: Harry e Sally: Feitos Um para o Outro (1989), Sintonia de Amor (1993) e Mensagem para Você (1998). Pelos papéis nesses filmes, conquistou suas três indicações ao Globo de Ouro — no Oscar, nunca competiu.
A lista de comédias românticas dos anos 1990 com Meg Ryan inclui Joe Contra o Vulcão (1990), A Teoria do Amor (1994), Surpresas do Coração (1995) e A Lente do Amor (1997). A atriz também já tinha aparecido em sucessos de público, como Top Gun: Ases Indomáveis (1986), no neo-noir Morto ao Chegar (1988) — uma de suas parcerias com Dennis Quaid, com quem se casou em 1991 e teve um filho, o ator Jack Quaid —, na cinebiografia The Doors (1991), no drama histórico O Outro Lado da Nobreza (1995), que venceu o Oscar nas categorias de direção de arte e figurinos, nos thrillers Coragem sob Fogo (1996) e Prova de Vida (2000) e no drama romântico Cidade dos Anjos (1998), versão hollywoodiana de Asas do Desejo (1987), do alemão Wim Wenders.
Cinco meses antes do lançamento de Kate & Leopold, Meg Ryan e Dennis Quaid se divorciaram, completando legalmente a separação anunciada em junho de 2000, com alegações de infidelidade de ambos os lados.

Kate & Leopold foi a última comédia romântica estrelada por Meg Ryan que pelo menos gerou algum burburinho. Depois desse filme, Ryan deu uma guinada na carreira. Abandonou os tipos docinhos ou atrapalhadinhos para revelar outra faceta — e bastante do seu corpo — no suspense policial Em Carne Viva (2003), de Jane Campion.
Foi seu último filme relevante — e o único ponto fora da curva. De lá para cá, a atriz não fez nada memorável. A partir de 2010, seus trabalhos tornaram-se esporádicos — um episódio de série aqui, um curta ali, além do longa-metragem que ela mesma dirigiu, o drama de adolescência ambientado na época da Segunda Guerra Mundial Ithaca (2015).

Em 2023, após um longo hiato, Ryan voltou a dirigir e a atuar, na comédia romântica O que Acontece Depois, na qual contracena com David Duchovny. Segundo o site IMDb, em breve a atriz de 63 anos deve dividir com Natalie Portman, Mark Ruffalo, Rashida Jones e Tramell Tillman o elenco de Good Sex, comédia romântica escrita e dirigida por Lena Dunham.
Hugh Jackman: carreira em ascensão

Para Hugh Jackman, Kate & Leopold marcou a estreia no circuito das principais premiações. O australiano de Sydney concorreu ao Globo de Ouro como melhor ator em comédia ou musical. Depois, ele venceria essa categoria na pele — e na voz — do Jean Valjean de Os Miseráveis (2012), que também valeu ao artista de 56 anos sua única indicação ao Oscar. Disputou o mesmo prêmio por O Rei do Show (2017) e competiu como ator dramático por Um Filho (2022).
A comédia romântica também marcou a primeira parceria de Jackman com o cineasta James Mangold, que depois dirigiria o ator em Wolverine: Imortal (2013) e em Logan (2017), além de ser um dos produtores executivos do musical O Rei do Show. Os créditos ator incluem O Grande Truque (2006), de Christopher Nolan, Os Suspeitos (2013), de Denis Villeneuve, e Deadpool & Wolverine (2024), que faturou US$ 1,3 bilhão nas bilheterias.

Hugh Jackman não era desconhecido quando Kate & Leopold foi lançado. Já tinha estreado como Wolverine no primeiro filme X-Men (2000), já tinha contracenado com John Travolta e Halle Berry no thriller A Senha: Swordfish (2001) e já tinha feito até uma comédia romântica, Alguém como Você (2001), interpretando o produtor de TV mulherengo que abriga a personagem de Ashley Judd quando ela leva um fora do namorado.
Mas foi com Kate & Leopold que Jackman, com 1m90cm, uma beleza máscula à la Clint Eastwood e então com 33 anos, firmou-se na condição de novo galã de Hollywood. Em cena, ele prepara torradas com morangos e mascarpone no café da manhã, persegue, montado num cavalo branco, o bandido que assalta a amada e diz a um amigo que sinceridade é irresistível. O ator disse que teve aulas de etiqueta com a equipe do filme Razão e Sensibilidade (1995), baseado em romance de Jane Austen (1775-1817) — "O forte dos australianos não está nas boas maneiras", justificou.

Naquela época, Hugh Jackman já era casado com a atriz Deborra-Lee Furness, 13 anos mais velha, com quem adotou dois filhos: Oscar, em 2000, e Ava, em 2005. O casamento terminou em outubro de 2023. O pedido de divórcio só foi oficializado por Deborra-Lee em maio de 2025. Segundo a revista People, eles demoraram para formalizar a separação por causa de dificuldades envolvendo um acordo de divisão de bens. Com uma fortuna estimada em US$ 250 milhões, os dois atores teriam se casado sem acordo pré-nupcial, e com isso, todos os bens seriam divididos igualmente entre as partes.
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