
A Pixar é a maior campeã do Oscar de melhor longa-metragem de animação: foram 11 vitórias nas 24 edições do prêmio da Academia de Hollywood. Mas o estúdio digital da Disney já entrou no que podemos chamar de seca: o último triunfo foi em 2021, com Soul, filme que a Tela Quente da RBS TV exibe nesta segunda-feira (9), a partir das 22h25min.
Dirigido por Pete Docter e Kemp Powers, Soul também conquistou a estatueta dourada de melhor múica original, composta por Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste. E competiu ainda na categoria de som.
De lá para cá, a Pixar viu seus concorrentes serem superados por outro dos cinco indicados. Em 2022, Luca perdeu para Encanto. Em 2023, Red: Crescer É uma Fera foi batido por Pinóquio de Guillermo Del Toro. Em 2024, foi a vez de Elementos ser derrotado por O Menino e a Garça. Em 2025, o campeão de bilheteria Divertida Mente 2 não foi páreo para Flow: À Deriva.
Lançado diretamente no streaming, por causa da pandemia de covid-19, Soul surgiu no momento em que a Pixar estava procurando ampliar a diversidade em suas produções — tanto nas tramas quanto nos bastidores. Viva: A Vida É uma Festa (2017), por exemplo, celebrou a cultura e as tradições do México. O oscarizado curta Bao (2018) foi escrito e dirigido pela chinesa Domee Shi e aborda hábitos familiares e a culinária de seu país. Soul trouxe o primeiro protagonista negro do estúdio — embora caiba dizer que ele passa bastante tempo como uma alminha azul.
Trata-se de Joe Gardner, um professor de música nova-iorquino que sempre sonhou em seguir a carreira de pianista de jazz. No dia mais feliz de sua vida — faria sua primeira apresentação na banda da prestigiada saxofonista Dorothea Williams —, ele sofre um acidente na rua.

Joe, ou melhor, a alma de Joe acaba sendo transportada para o pós-vida. O músico se desespera: não quer partir justo quando teria a sua grande chance. Ao tentar fugir, ele vai parar na pré-vida, onde novas almas são moldadas antes de irem para a Terra, obtendo personalidade e interesses. Lá, conhece 22, uma alma que nunca se esforçou para descer até o plano terrestre.
O filme tem a fórmula quase infalível da Pixar: uma mistura de comédia, drama e aventura que costuma funcionar com crianças e também adultos. Um dos grandes trunfos do estúdio é sua capacidade de conceber mundos fantasiosos e coloridos nos quais reflete sobre temas reais e sérios, como crise existencial, morte, luto, esquecimento e obsolescência. Em Soul, o protagonista terá de fazer uma reflexão semelhante ao do personagem principal do clássico A Felicidade Não se Compra (1946), de Frank Capra: às vezes, as melhores partes da vida podem estar acontecendo quando você não está prestando atenção.
É assinante mas ainda não recebe a minha carta semanal exclusiva? Clique AQUI e se inscreva na minha newsletter.
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano



