
Dezenas de filmes são adicionados ao menu da Netflix a cada semana. Os lançamentos geralmente se tornam os mais vistos na plataforma, como aconteceu com Até a Última Gota (2025), mais um dramalhão apelativo do diretor Tyler Perry, a animação Guerreiras do K-Pop (2025) Homem com H (2025), cinebiografia do cantor Ney Matogrosso, e o documentário Desastre Total: Cruzeiro do Cocô (2025) — que, além do título altamente clicável, tem uma sinopse genial: "Essa não foi a viagem de férias número 1 da vida deles. Foi a número 2".
Mas nos últimos dias há um "intruso" no top 10, um filme que já tem mais de 20 anos de vida. Trata-se de A Soma de Todos os Medos (The Sum of All Fears, 2002), sexto lugar na quarta-feira (25) e nesta quinta (26).
A condição não pode ser explicada apenas pela popularidade dos atores Ben Affleck e Morgan Freeman, nem só pelo fator novidade — esse título foi adicionado ao catálogo da Netflix no dia 16 de junho. Acho que pesou a favor de A Soma de Todos os Medos o timing.
Sua chegada à plataforma ocorreu no meio da "guerra de 12 dias" entre Israel e Irã, que foi intensificada no sábado (21), quando os Estados Unidos, em uma operação sigilosa, bombardearam instalações iranianas de enriquecimento de urânio. Ainda que os dois países tenham anunciado um cessar-fogo, o mundo teme a escalada do conflito no Oriente Médio e voltou a ter medo de uma guerra nuclear.
Pois é exatamente sobre um ataque nuclear que gira a trama de A Soma de Todos os Medos.
O filme dirigido por Phil Alden Robinson é baseado em um best-seller do escritor estadunidense Tom Clancy (1947-2013), o criador do personagem Jack Ryan, um agente da CIA que já estrelou longas-metragens como Caçada ao Outubro Vermelho (1990), Jogos Patrióticos (1992), Perigo Real e Imediato (1994) e Jack Ryan: Operação Sombra (2014), além do seriado homônimo estrelado por John Krasinski.
Apesar de o livro ter sido publicado por Clancy em 1991 e de as filmagens terem sido realizadas no primeiro semestre de 2001, A Soma de Todos os Medos acabou refletindo o clima dos Estados Unidos após o 11 de Setembro. À época da estreia nos cinemas, em maio de 2002, o ator Ben Affleck comentou:
— O filme mudou sem que nenhuma cena fosse alterada. Rodamos um thriller político totalmente escapista e terminamos lançando um drama.
Eis a história: uma bomba nuclear israelense que caiu na Síria em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur, é encontrada por traficantes de armas e vendida para um austríaco, Dressler (Alan Bates), que lidera um grupo neonazista — outra ameaça dos dias de hoje. No livro, os vilões eram árabes, mas, vale repetir, a mudança foi feita pelos roteiristas Paul Attanasio e Daniel Pyne antes dos atentados terroristas cometidos pela Al-Qaeda.
A ideia de Dressler é explodir uma bomba na cidade de Baltimore, nos EUA, para colocar novamente os estadunidenses em guerra com os russos. Os fascistas agiriam como hienas, esperando a devastação para dominar a Europa.

Paralelamente, um jovem líder sobe ao poder na Rússia, Nemerov (Ciarán Hinds). Dele, a CIA sabe pouco. Para complicar, um conflito na Chechênia — poderia ser a Ucrânia de hoje — é resolvido com armas nucleares. Então, o agente Jack Ryan (Ben Affleck) e seu mentor, William Cabot (Morgan Freeman) são enviados a Moscou para checar o arsenal russo.
Para o presidente dos EUA (vivido por James Cromwell), o ataque contra Baltimore é culpa dos russos, e a reação deve ser fulminante. Está armado o literalmente explosivo tabuleiro de A Soma de Todos os Medos.
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