
O Paramount+ adicionou recentemente ao seu menu O Bastardo (Bastarden, 2023), épico dinamarquês que quase concorreu ao Oscar de melhor filme internacional. O título dirigido por Nikolaj Arcel e protagonizado por Mads Mikkelsen ficou entre os 15 semifinalistas da premiação da Academia de Hollywood.
A Dinamarca é uma potência no Oscar internacional, com quatro vitórias e outras 11 indicações. O país foi laureado por A Festa de Babette (1987), de Gabriel Axel, Pelle, o Conquistador (1988), de Bille August, Em um Mundo Melhor (2010), de Susanne Bier, e Druk: Mais uma Rodada (2020), assinado por Thomas Vinterberg e estrelado pelo próprio Mikkelsen.
Nas últimas 20 edições do Oscar, os dinamarqueses estiveram presentes nove vezes. Além dos já citados Em um Mundo Melhor e Druk, competiram também com Depois do Casamento (2006), de Susanne Bier, O Amante da Rainha (2012), outra parceria de Nikolaj Arcel com Mads Mikkelsen, A Caça (2012), mais uma dobradinha de Thomas Vinterberg e Mikkelsen, Uma Guerra (2015), de Tobias Lindholm, Terra de Minas (2016), de Martin Zandvliet, Flee: Nenhum Lugar para Chamar de Lar (2021), de Jonas Poher Rasmussen, e A Garota da Agulha (2024), de Magnus von Horn.

O Bastardo ganhou oito estatuetas no Robert, a premiação da Academia Dinamarquesa, e conquistou três categorias no troféu da Academia Europeia: melhor ator (Mads Mikkelsen), fotografia (Rasmus Videbaek) e figurinos (Kicki Ilander).
A distinção do diretor de fotografia veio acompanhada pela seguinte justificativa: "A cinematografia poética mostra perfeitamente que Rasmus Videbaek sabe exatamente onde avançar e onde recuar. Visualmente poderoso, ele não chama muita atenção para a câmera, deixando à história e aos personagens o espaço que merecem, seja ao trabalhar nas duras charnecas dinamarquesas ou dentro dos alojamentos dos trabalhadores em torno do capitão Ludvig Kahlen e da impressionante mansão do soberano local".
Baseado no romance Kaptajnen og Ann Barbara (2020), de Ida Jessen, O Bastardo se passa na segunda metade do século 18. O protagonista é o capitão Ludvig Kahlen, um herói de guerra orgulhoso e ambicioso, mas empobrecido.
Logo no começo do filme, Kahlen embarca em uma missão quase solitária para domar uma vasta terra inóspita onde aparentemente nada pode ser cultivado: os urzais da Jutlândia, península que hoje compreende a maior parte do território da Dinamarca.

O objetivo dele é cultivar o terreno (o que ele quer plantar é tratado com segredo), construir uma colônia em nome do rei e obter um título nobre.
A hostilidade da natureza não será a única adversária de Kahlen: o jovem hedonista e impiedoso Frederik De Schinkel (Simon Bennebjerg) diz ser dono de toda aquela área.
Tudo conspira a favor nesta ficção histórica. À qualidade na reconstituição de época e no trabalho técnico, soma-se o desempenho do elenco, que inclui, entre os coadjuvantes, rostos conhecidos. Estão lá Gustav Lindh (de Rainha de Copas), que interpreta o padre Anton Eklund, Amanda Collin (da série House of the Dragon), que encarna uma fugitiva acolhida pelo capitão, e Kristine Kujath Thorp (de Doente de Mim Mesma), na pele de Edel, prima e noiva de De Schinkel.

Mads Mikkelsen empresta dignidade e turbulência a seu personagem, um sujeito que, por um lado, tem a obstinação dos homens íntegros; por outro, busca vaidosamente uma ascensão social.
E a duração do filme, pouco mais de 120 minutos, é suficiente para Nikolaj Arcel aplicar ao drama doses de romance, de violência e até de comentário político sobre questões do nosso tempo: a subtrama da menina cigana Anmai Mus (Melina Hagberg), por exemplo, ilustra o recrudescimento da xenofobia na Europa.
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