
F1: O Filme (F1: The Movie, 2025), que estreia nesta quinta-feira (26) nos cinemas, tem carro, piloto, torcida e combustível para alcançar a marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias.
Para começar, o diretor de equipe já conhece o caminho. Joseph Kosinski comandou Top Gun: Maverick (2022), que faturou quase US$ 1,5 bilhão. Novamente, sua engenharia mistura com muita competência drama, ação e humor, fazendo as duas horas e 35 minutos voarem — mas, agora, no chão.
No cockpit, em vez de Tom Cruise há outro astro de Hollywood: Brad Pitt, que traz no currículo sucessos comerciais como a trilogia iniciada por Onze Homens e um Segredo (2001), que somou US$ 1,1 bilhão, Troia (2004), que arrecadou US$ 497 milhões, e Guerra Mundial Z (2013), que fez US$ 540 milhões.

E Pitt tem algo que Cruise não tem: um Oscar, o de melhor ator coadjuvante, conquistado por Era uma Vez em... Hollywood (2019). Ele recebeu outras três indicações: como melhor ator por O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e O Homem que Mudou o Jogo (2011) e como coadjuvante por Os 12 Macacos (1995).
O número de espectadores potenciais é imenso e vem crescendo. Não à toa, a Netflix já lançou sete temporadas da série documental F1: Dirigir para Viver, que acompanha os bastidores do Mundial de Fórmula 1, e a minissérie Senna (2024) foi uma campeã de audiência global na mesma plataforma. Segundo o site Statista, houve aumento de 12% na quantidade de fãs da principal categoria do automobilismo: pulou de 737 milhões, em 2023, para 826,5 milhões, em 2024. O público nos autódromos também está em curva ascendente: 5,7 milhões em 2022, 6 milhões em 2023 e 6,5 milhões no campeonato do ano passado.
A pista em que o filme corre não está nada desgastada: são pouquinhas as ficções cinematográficas sobre a F1, e já faz mais de 10 anos do último título a realmente cruzar a linha de chegada: Rush: No Limite da Emoção (2013), de Ron Howard, que reconstitui a rivalidade na década de 1970 entre Niki Lauda (1949-2019) e James Hunt (1947-1993).
E F1 tem um apelo especial no Brasil, onde a Fórmula 1 ganhou popularidade por causa dos títulos conquistados por Emerson Fittipaldi (1972 e 1974), Nelson Piquet (1981, 1983 e 1987) e, principalmente, Ayrton Senna (1988, 1990 e 1991), que é citado duas, três, talvez quatro vezes no filme.
Qual é a trama de "F1: O Filme?"

Mas é bom avisar que F1: O Filme não começa em uma corrida de Fórmula 1. Na primeira cena, embalada por Whole Lotta Love (1969), do Led Zeppelin, o personagem principal, o piloto Sonny Hayes (Brad Pitt), está se preparando para voltar à pista durante as 24 Horas de Daytona, corrida tradicional de carros esportivos nos Estados Unidos.
Já cinquentão, Sonny é um ex-piloto da Fórmula 1, que ele abandonou após um grave acidente sofrido em 1993, quando era uma promessa. Hoje, o protagonista corre no que der para correr, que é só o que ele tem para fazer, depois de três casamentos fracassados, de perder quase todo o dinheiro em apostas e de até virar taxista em Nova York.
Ou seja, de cara se percebe que F1 é, a exemplo de Top Gun: Maverick, um filme sobre a segunda chance, um tema que é mítico nos Estados Unidos, país que nasceu justamente de uma segunda chance, a dos colonizadores ingleses que viajaram para lá no século 17 a bordo do navio Mayflower.

A segunda chance de Sonny também é a segunda chance do personagem encarnado por Javier Bardem, o espanhol Ruben Cervantes, um ex-piloto de Fórmula 1 que agora é dono da pior equipe do campeonato, a APXGP, que nunca chegou entre os 10 primeiros colocados.
Ruben já gastou US$ 350 milhões e será obrigado a vender ou fechar a escuderia se não conquistar uma vitória nos nove Grandes Prêmios (GPs) restantes. Ele chamou Sonny para ser o companheiro experiente de um jovem piloto, o inglês Joshua Pearce, papel do ator inglês Damson Idris, de Zona de Combate (2021). Pearce também está ameaçado: se não conseguir provar seu talento, pode ficar sem emprego na próxima temporada. E daí de nada adianta ser piadista nas entrevistas coletivas e ativo nas redes sociais.

Opostos em praticamente tudo, Sonny e Pearce estão mais para rivais do que para colegas. O conflito entre os dois pilotos é o motor de F1: O Filme e também pode suscitar discussões fora do âmbito esportivo — dá para fazer leituras nas esferas de qualquer trabalho em dupla ou equipe e até no campo político, por exemplo.
Gravitam em torno deles personagens como Kaspar Smolinski (Kim Bodnia), o chefe de equipe, Kate McKenna (Kerry Condon), a projetista do carro, Dodge (Abdul Salis), que comanda os mecânicos, Jodie (Callie Cooke), que troca pneus nos pit-stops, Peter Banning (Tobias Menzies), acionista da APXGP, e Bernadette (Sarah Niles), a mãe de Pearce.
Fãs de Fórmula 1 vão querer ver de novo o filme

Joseph Kosinski sabe a hora de acelerar — e não só nas cenas de ação, mas também na troca rápida de diálogos que ilustram os ideais e o temperamento de cada personagem _ e de pisar no freio, para intensificar os momentos de impacto, em vez de anestesiar o espectador. O diretor sabe também dar curvas nas expectativas do público — eu me surpreendi pelo menos duas vezes com o rumo tomado na trama. E preciso dizer que dei uma choradinha.
Ainda que haja algumas derrapagens (na parte romântica e no desenho do vilão), F1 é um filmaço. Em Porto Alegre, vale ser visto na sala IMAX do Cinemark do shopping Bourbon Wallig, porque aquela tela gigantesca (que valoriza o trabalho do diretor de fotografia Claudio Miranda e do editor Stephen Mirrione) e aquele possante sistema de som tornam a experiência realmente muito imersiva: a gente se sente dentro, mesmo, de um bólido de Fórmula 1.

Por falar em som, os efeitos sonoros são essenciais na ambientação, e a trilha sonora incrementa a empolgação, seja pela música composta por Hans Zimmer, seja por canções como a contagiante Lose my Mind, de Don Toliver com Doja Cat (a propósito, clique aqui para assistir ao videoclipe bacana), ou Bad As I Used to Be, de Chris Stapleton.
Não sei se F1 alcançará o bilhão nas bilheterias, mas pode chegar perto. Até porque os fãs de Fórmula 1 são capazes de ver duas vezes o filme.

Não apenas para assistir de novo às cenas de velocidade, ultrapassagens, manobras de defesa e batidas que foram encenadas em autódromos célebres, como Silverstone, na Inglaterra, Monza, na Itália, Spa-Francorchamps, na Bélgica, e Suzuka, no Japão, além do circuito de rua de Las Vegas, nos Estados Unidos, e o de Yas Marina, em Abu Dhabi.
O fã de Fórmula 1 também vai sentir vontade de voltar ao cinema para rever todas as participações especiais de pilotos do campeonato do ano passado. Alguns ganharam destaque, como o heptacampeão Lewis Hamilton, que é um dos produtores do filme e teve papel fundamental para a autenticidade nas corridas e nos bastidores, o tetracampeão Max Verstappen e o bicampeão Fernando Alonso. Os chefes de equipe da Ferrari e da McLaren inclusive têm falas. E até o cachorro do Hamilton aparece!
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