
Com a anunciada ausência dos dois candidatos que estão empatados tecnicamente em primeiro lugar na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), o debate previsto para a noite desta quinta-feira (1º) na TV Globo acabou cancelado, minutos antes do início previsto. O desfecho indica que esse instrumento tão relevante desde a redemocratização está com os dias contados. Talvez não chegue à eleição de 2030, por uma combinação entre boicote de candidatos que não querem enfrentar os adversários na TV aberta e ação política da Justiça Eleitoral.
Desde a véspera, era sabido que o presidente Lula (PT) não iria ao debate e que havia confirmado, para o mesmo horário, uma entrevista ao Flow Podcast. Antes disso, Flávio Bolsonaro (PL) tinha confirmado que iria, com ou sem Lula. Com a informação da Globo de que deixaria vazio o púlpito destinado a Lula, e de que os presentes poderiam fazer perguntas para quem não comparecesse, Flávio passou o dia treinando.
No início da noite, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibiu a Globo de deixar o púlpito vazio e de permitir que os presentes fizessem perguntas a Lula. Quase no mesmo horário, o ministro Gilmar Mendes atendeu a uma petição de Renan Santos (Missão), revogou a decisão anterior do presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, e determinou que a Globo aceitasse a participação dele no debate. Os dois ministros tomaram decisões políticas, em mais um sinal de balbúrdia institucional.
Não há lei que impeça o organizador de um debate de deixar a cadeira vazia — e isso ocorreu incontáveis vezes na história recente do Brasil. Também não há lei que impeça a um adversário deixar no ar as perguntas que faria ao concorrente que fugiu da raia.
Da mesma forma, a lei só obriga a convidar para debates candidatos de partidos que tenham pelo menos cinco representantes no Congresso. O Missão não tem porque foi criado recentemente e vai para a sua primeira eleição.
Criticado por fugir do debate, Lula acabou sendo beneficiado por essa combinação de decisões. O debate, que poderia ser decisivo em uma eleição tão apertada, tornou-se irrelevante. E o Flow Podcast virou um palanque privilegiado às vésperas da eleição.



