
A investigação sobre o escândalo do Master contém fartas referências a festas patrocinadas por Vorcaro para homens a quem, segundo a investigação, ele pretendia agradar — ou corromper. A principal atração dessas festas, regadas a bebidas caras, eram as mulheres, jovens e bonitas, brasileiras e estrangeiras, convidadas para animar os convidados. Com base nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro, a Revista Piauí reconstituiu a organização de uma dessas festas, No Halloween de 2023, em São Paulo.
O responsável pelos convites seria ninguém menos que o ex-deputado federal Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro. A contratação das modelos ficou a cargo do promotor de eventos Tiago Polo.
Pela troca de mensagens, sabe-se que eram 20 homens e 120 mulheres, uma proporção de seis por um. “Só novinhas”, recomendou Vorcaro a Polo, resumindo uma exigência para a seleção das contratadas.
Segundo as mensagens analisadas pela revista, estariam entre os convidados o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o atual, Davi Alcolumbre, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, um certo Wesley, que pelo contexto seria o empresário Wesley Batista. Dois outros nomes são citados sem o sobrenome — Arthur e Alexandre, que, também pelo contexto da conversa com Fábio Faria, poderiam ser Arthur Lira, ex-presidente da Câmara, e o ministro Alexandre de Moraes. Todos os que responderam aos questionamentos da Piauí juram que não foram à dita festa, realizada na casa noturna Madame Underground, conhecida como Madame Satã, no bairro Bela Vista.
Quando discutiam sobre os convites, Faria escreveu a Vorcaro: “Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der vms trazer. E na segunda quero ir lá no banco com os meus sócios do escritório.” Em resposta à presença das “suíças”, Vorcaro respondeu: “Virão, sim.”
Essa conversa tinha sido divulgada no site Fatos Online. Agora, a Piauí recuperou o conjunto de mensagens. As contratadas e os convidados não podiam entrar com celular, para evitar a exposição. A preferência pelas “suíças” tinha uma razão de ser: não falavam português e, portanto, não tinham como passar adiante o que os homens conversavam.



