
Será histórica a sessão desta terça-feira (15), em que o Supremo Tribunal Federal dirá se o ministro Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento ocorre em um momento particularmente difícil para a instituição, que vive uma crise de credibilidade. A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) mostrou que 56% dos brasileiros não confiam no Supremo, 30% confiam pouco e somente 9% disseram confiar muito na instituição.
A pesquisa constatou a erosão da credibilidade do STF nas últimas semanas, coincidindo com o aumento do volume de notícias negativas envolvendo os ministros. A desconfiança subiu 10 pontos percentuais desde o mês passado. Em agosto, 46% afirmavam não confiar no STF, contra 18% que confiavam muito e 33% que diziam confiar pouco.
Mesmo considerada a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, os índices mostram que a população acompanha a crise no Supremo e está descrente. A mesma pesquisa mostrou que 37% dos entrevistados dizem que o ministro André Mendonça age corretamente no embate com Alexandre de Moraes, defendido por apenas 16%.
Com o levantamento do sigilo da investigação sobre o escândalo do Banco Master e a entrega do material extraído do telefone principal de Daniel Vorcaro, é possível que algum ministro peça mais tempo para analisar documentos e mensagens. Como a sessão será aberta, com transmissão pela TV Justiça, o comportamento dos ministros será exposto para o Brasil ao vivo e em cores, com risco de aumentar ainda mais o descrédito da instituição.
Diante dos detalhes divulgados em reportagem da revista Piauí, é provável que o Supremo tenha de incluir um terceiro ministro da lista dos sujeitos a investigação. É Dias Toffoli, que no primeiro momento teve as suspeitas arquivadas pelos colegas, em uma sessão secreta, mas agora, com as novas revelações, terá de ser enquadrado.


